Finanças

O sangue-frio de quem busca o milhão investindo na Bolsa


O vaivém do mercado de ações não é para qualquer um. Estudá-lo para montar uma boa carteira é um bom começo, diz Mauro Calil na quarta reportagem da série sobre o primeiro milhão a partir de R$ 1.520


  Por Karina Lignelli 26 de Março de 2019 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


"Quando a bolsa está caindo, você compra. Quando ela está subindo, você espera um pouquinho". Com essa dica básica, o professor Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro e especialista em investimentos da Ourinvest, resume, de um jeito bem simples, como agir frente ao vaivém de um mercado tão arriscado como o de ações. 

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Se no vídeo que viralizou e gerou polêmica ("Oi, meu nome é Bettina...") apregoava-se a facilidade de chegar ao milhão investindo pouco na Bolsa e em pouco tempo, na quarta reportagem da série do Diário do Comércio, sobre as chances reais de ficar milionário a partir de um aporte inicial de R$ 1.520, Calil mostra que, de novo, é possível sim. Mas é preciso ter perfil arrojado - e gostar de emoções fortes - para atingir esse objetivo.

Ou seja, além de ter paciência, é preciso saber qual a sua tolerância aos humores desse mercado. Exemplo recente (e um tanto triste), é a tragédia de Brumadinho (MG), em janeiro último, onde uma barragem da mineradora Vale rompeu e soterrou a cidade, deixando centenas de vítimas. 

Uma das ações mais valorizadas do Ibovespa, os papeis da mineradora caíram 24,5% na segunda-feira, já na primeira sessão após o rompimento da barragem, fazendo-a perder R$ 71 bilhões em valor de mercado em um só dia.

Um mês depois, as ações voltaram a subir, após a empresa ter anunciado um plano de ação com gastos menores que os projetados por analistas, animando um pouco os investidores. Mas, mesmo assim, a Vale ainda não se recuperou totalmente do tombo. 

"Para quem investe num prazo longo, de repente você vê que dá para tirar um milhão - mas acontece uma catástrofe na economia e ele vira R$ 850 mil. E você perdeu 15% em uma semana", alerta o professor Calil. 

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É preciso muito sangue-frio, não é mesmo? Por isso, uma das primeiras recomendações é, antes se arriscar, estude o mercado financeiro para montar uma boa carteira de ações, acompanhe o noticiário e fique de olho no seu investimento sempre. Seja começando com a hipotética quantia de R$ 1.520 ou qualquer outra, Calil lembra: a rentabilidade da bolsa não é linear.  

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"Bolsa de valores é renda variável, então não adianta ficar olhando todo mês o seu dinheirinho esperando que vai ter mais", diz. "Mas ela acelera se você reinvestir os dividendos que ganhar, e o prazo (de chegar ao milhão) pode ficar mais curto." A seguir, Calil dá mais dicas e mostra em quanto tempo dá para ficar milionário com o mercado de ações:  

EDIÇÃO E IMAGENS: Willian Chaussê / FOTO: Thinkstock