Lula não transfere votos a Haddad e Alckmin cresce no segundo turno

Pesquisa Datafolha indica que ex-prefeito de São Paulo tem só 4% das intenções. No turno final, ex-governador paulista derrotaria Ciro Gomes (PDT) e Bolsonaro (PSL)

João Batista Natali
22/Ago/2018
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Lula não transfere votos a Haddad e Alckmin cresce no segundo turno

Na disputa presidencial, o Datafolha traz uma péssima notícia para o PT e uma lufada de ar fresco para a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB).

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (22/8) demonstra que Lula não consegue transferir para Fernando Haddad suas intenções de voto.

O ex-presidente, que não poderá se candidatar por ser ficha suja, chega a 39%, mas, sem ele na urna eletrônica, o ex-prefeito de São Paulo teria apenas 4%.

Com relação a Alckmin, a boa notícia está em sua sensível evolução nas simulações de segundo turno. Ele se descola de Jair Bolsonaro (PSL).

Estavam tecnicamente empatados (33% para o ex-governador, 32% para o ex-capitão do Exército, em 11 de abril). Mas agora Alckmin abre uma vantagem de 38% a 33%.

Caso venha a enfrentar Haddad, Alckmin também ganharia por 43% a 20%. A diferença era bem menor, de apenas seis pontos, no último Datafolha de abril.

O ex-governador paulista também passou a levar vantagem, caso tenha Ciro Gomes (PDT) como adversário do segundo turno. Em lugar de um empate técnico (vantagem de 33% a 32%), ele agora abre seis pontos (37% a 31%) sobre o ex-governador do Ceará.

DIFÍCIL TRANSFERÊNCIA DE INTENÇÕES

O fato mais notável, no entanto, está na enrascada em que o PT se meteu. Lançou Lula como candidato, mesmo sabendo que sua condenação em segunda instância o torna inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Nessa condição, a suposta liderança do ex-presidente por 39% confirma a posição que o Ibope lhe deu (37%) na pesquisa divulgada segunda-feira (20/8).

Mas, a exemplo do Datafolha, o Ibope também dá a Haddad míseros 4%.

A questão fundamental com Haddad é a seguinte: quanto mais ele prolongar a ilusão de que é apenas um candidato a vice-presidência - cargo que ele disputa, segundo chapa registrada na Justiça Eleitoral -, menor será a possibilidade de virar a mesa e abocanhar as intenções hoje pertencentes apenas a Lula.

O Datafolha perguntou aos 8.433 entrevistados se o apoio de Lula levaria o eleitor a escolher seu candidato. Apenas 31% disseram que o fariam. Outros 18% responderam que não, e 48% afirmaram por enquanto não saber.

Uma das conclusões possíves nesse cenário é que as intenções de voto de Lula fazem parte de um capital político pessoal, que não é facilmente transferível a terceiros. É o ex-presidente, e não o PT, que surge como dono dessa parcela do eleitorado.

Em termos regionais, o Datafolha constatou que Haddad é desconhecido para 51% dos eleitores do Nordeste e para 54% dos eleitores do Norte.

Ora, são essas as regiões em que o PT é historicamente mais forte, e em 2014 foi nelas que Dilma Rousseff (PT) obteve a vantagem decisiva sobre Aécio Neves (PSDB) e se reelegeu.

Mais uma vez, a dificuldade dos estrategistas do PT consiste em apressar o lançamento de Haddad como candidato a presidente, o que eles não farão, porque o realismo dessa pressa esbarraria na ficção política segundo a qual, ao se apresentar como candidato, Lula pressionaria o Judiciário para sair da cadeia.

Em outras palavras, o petismo pode estar prestes a se enforcar com a corda que ele próprio fabricou.

OUTRAS SIMULAÇÕES

Uma das características da pesquisa está na demonstração de que Jair Bolsonaro não é imbatível, na hipótese mais que provável de Lula não concorrer.

Se na simulação de segundo turno o ex-presidente o derrotaria por 51% a 29%, ele também perderia para Marina Silva (Rede), por 45% a 34%, e também para Ciro Gomes, num empate técnico apertado, de 38% a 35%.

Marina derrotaria Alckmin, mas por uma diferença menor que a registrada pelo Datafolha em abril. Em lugar de 44% a 27%, o ex-governador subiu seis pontos nas intenções de voto, chegando a 33%, enquanto a candidata da Rede caiu três pontos, de está com 41%.

Em tempo. Jair Bolsonaro continuaria a derrotar com facilidade Fernando Haddad no segundo turno. Em abril ele o faria por 37% a 26%, e agora o faz por 38% a 29%.

Mas vejamos a pirâmide das intenções. Sem Lula na ficha submetida ao entrevistado, Bolsonaro lideraria com 28%, seguido de Marina (16%), e depois, tecnicamente empatados, Ciro (10%) e Alckmin (9%). Haddad e Álvaro Dias (Podemos) empatam com 4%.

Os demais candidatos reúnem intenções de simples figurantes. João Amoêdo (Novo) está em primeiro lugar entre esses nanicos, com 2%. Henrique Meirelles (MDB) oscila entre 1% e 2%. Cabo Daciolo (Patriotas), Guilherme Boulos (Psol) e Vera (PSTU) oscilam entre 0 e 1%, enquanto Emayel (DC) e João Goulart Filho (PPL) praticamente não pontuam.

DORIA ENCABEÇA INTENÇÕES EM SÃO PAULO

Pelo Ibope de segunda-feira, João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) estavam tecnicamente empatados, com respectivamente 20% e 18%.

O Datafolha, no entanto, traz um retrato em que o concorrente tucano abre boa vantagem sobre o ex-presidente da Fiesp. A vantagem é de 25% a 20%.

O atual governador Márcio França (PSB) e o petista Luiz Marinho têm 4% das intenções. Os demais aparecem com oscilações entre 1% e 2%.

Para o Senado, caso a eleição fosse hoje, estariam eleitos Eduardo Suplicy (PT), com 32%, e Mário Covas Neto (Podemos), com 18%. Seguem-se Cidinha (MDB), com 7%, e Mara Gabrilli (PSDB), com 6%.

Suplicy se beneficia pelo recall de seu nome na recente história eleitoral paulista, enquanto Covas - que rompeu com o PSDB por não apoiar as ambições de Doria - concorre com o prestígio do sobrenome. 

FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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