Brasil

Petismo domina pesquisas presidenciais. Por enquanto


Fernando Haddad (foto) começa a receber intenções de voto de Lula. Segundo o MDA Pesquisa, Bolsonaro mantém vice-liderança. Alckmin espera horário de TV para decolar


  Por João Batista Natali 20 de Agosto de 2018 às 14:55

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Não há nenhuma novidade bombástica no horizonte das intenções de voto. O MDA Pesquisa, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), indica novamente que Lula encabeça as preferências (37,3%), por mais que ele não possa se candidatar por se enquadrar na Lei da Ficha Limpa

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (20/8), indica, no entanto, que o eleitorado petista já se prepara para transferir seus votos na direção de Fernando Haddad, formalmente o vice de Lula.

Entre os eleitores que disseram votar no ex-presidente, Haddad receberia hoje 17,3% dos votos, seguido de Marina Silva (Rede), com 11,9%, e Ciro Gomes (PDT), com 9,6%.

Guardadas as proporções, é um bom desempenho para o ex-prefeito de São Paulo. O PT procura escondê-lo para não eclipsar a imagem eleitoral de Lula e ele aparece apenas timidamente em eventos de seu partido.

Ele fez apenas uma primeira viagem ao Piauí, mas como candidato a vice-presidente.

A pesquisa não traz um cenário das intenções de voto sem a presença de Lula.

O MDA foi criado em 1988 por professores da Universidade Federal de Lavras (MG). Nesta semana serão também publicadas pesquisas do Ibope e do Datafolha.

O instituto mineiro ouviu 2 mil eleitores entre os últimos dias 15 e 18, em 137 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos.

Pela pesquisa, Jair Bolsonaro (PSL) continua em segunda colocação, com 18,8%. Marina chega em terceiro, com 5,6%, e Geraldo Alckmin (PSDB) em quarto, com 4,9%.

Esse desempenho sofrível do ex-governador paulista –e que deverá melhorar com o início da propaganda eleitoral por rádio e TV, a partir do próximo dia 31 –afetou nesta segunda-feira o índice Bovespa, que estava às 13h em queda pouco menor que 1%, enquanto o dólar comercial se valorizava em 0,84% e beirava R$ 3,95.

Nas intenções para presidente, em quinto lugar aparece Ciro Gomes, com 4,1%. Ele cresceu provavelmente com a promessa de resolver, junto a instituições de crédito, o problema dos 63 milhões de brasileiros que estão inadimplentes.

Dois outros candidatos favoráveis às reformas e ao mercado, Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo) aparecem, cada um, com 0,8%, enquanto Álvaro Dias (Podemos), de orientação parecida, tem 2,7%. Somados aos votos que Alckmin poderia receber, os quatro candidatos liberais totalizam por enquanto apenas 8,7%.

BRANCOS, NULOS E ABSTENÇÃO

A pesquisa do MDA revela que 14,3% dos eleitores pretendem votar em branco ou anular o voto, com 8,8% de indecisos.

No entanto, no cenário em que os eleitores de Lula não têm mais o ex-presidente como opção nas urnas eletrônicas, a soma de brancos, nulos e indecisos chega a 47,9%.

Isso prova o caminho a ser percorrido pelo PT, caso pretenda transferir para Haddad uma quantidade de intenções, próxima à manifestada pelo ex-presidente.

Segundo outro instituto, o Ibope, na mais recente pesquisa que publicou, no mês de junho, se Lula fosse candidato os brancos, nulos e indecisos seriam 22%. Sem o ex-presidente, essa proporção subiria para 33%.

Vejamos os números de um terceiro instituto, o Datafolha, cuja última pesquisa foi também publicada em junho. Nesse mesmo mês e em 2002, quando Lula se elegeu pela primeira vez, os indecisos, brancos e nulos eram de apenas 10%.

A percentagem foi tão pequena porque, na época, já se caracterizava uma forte polarização entre o candidato petista e o tucano José Serra.

Em 2006, quando Lula se reelegeu em meio ao escândalo do Mensalão, mas com o tucano Geraldo Alckmin com intenções de voto menores que as de Serra, quatro anos antes, os indecisos e dispostos a anular o voto ou votar em branco haviam subido para 16%.

E eram ligeiramente mais numerosos em 2014 – 7% - na eleição em que Dilma Rousseff foi reeleita, ao derrotar o tucano Aécio Neves.

SÉRIE HISTÓRICA

Vejamos como a série histórica funcionou nas eleições posteriores à redemocratização, e, com os votos já apurados, qual foram as porcentagens de brancos, nulos e abstenções.

A menor abstenção –aqueles que não compareceram para votar – foi menor em 1998. Apenas 11,9%.

Atingiu uma alta inédita em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi reeleito, com 21,5%, e decresceu a 16,7%, para a reeleição de Lula em 2006. Voltou a subir, chegando a 19,4% com a reeleição de Dilma.

Os votos brancos e nulos seguem curvas paralelas, todas elas em ascensão depois de 2006. Na última eleição presidencial, de 2014, os votos nulos foram de 3,84%, os em branco 5,8%. Essas duas porcentagens, somadas às abstenções, chegaram a 29%.

É bem verdade que a quantificação precisa da abstenção depende da competência dos tribunais regionais.

Os que têm um acompanhamento mais deficiente deixam de transferir para os arquivos eleitorais os registros civis de óbitos. Ou seja, o eleitor que morreu é contabilizado como alguém que, para protestar ou por outro motivo, não compareceu para votar.

 

FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação