Concorrência entre lojas de vizinhança chega ao centro de São Paulo

Com numerosos escritórios e lojas, o centro histórico da capital paulista abre cada vez mais espaço a esse formato de minimercado, a exemplo do Carrefour Express (na foto)

Karina Lignelli
25/Jun/2019
  • btn-whatsapp
Concorrência entre lojas de vizinhança chega ao centro de São Paulo

O centro de São Paulo vem passando por transformações graduais nos últimos cinco anos, tanto na parte nova, com restaurantes e bares badalados, como na parte velha.

Esta última, que conta com o recente shopping Pátio Metrô São Bento, passou a receber também minimercados, que têm se misturado aos habituais escritórios e ao comércio tradicional local. 

Desde 2015, redes como o Carrefour e Hirota têm inaugurado unidades na região no formato mini ou express, em locais como a rua Líbero Badaró e Senador Queiróz (no entorno do Mercadão Municipal) e na Praça do Patriarca.

A procura por esse formato de loja tem se ampliado de tal forma que, desde janeiro passado, duas lojas concorrentes, a terceira do Carrefour na região e uma da rede espanhola Dia, passaram a funcionar uma de frente para a outra, na rua Álvares Penteado, próxima à estação do metrô São Bento.

LEIA MAIS: Um arquiteto pelos negócios do Centro

 

A chegada e expansão dos mercados de vizinhança à região é parte de um movimento muito maior de mudança de hábitos do consumidor e sua crescente demanda por por compras rápidas de conveniência e emergência no trajeto de casa ou do trabalho, segundo Marco Hirai, sócio-diretor da GS&BGH Real Estate.  

"É um formato que se adapta bem nas regiões centrais, repleta de escritórios. Se a pessoa não preparou nada para consumir durante o dia ou tem que levar para casa, é onde compra mistura, ou o jantar ou o café da manhã", diz. É um consumo mais imediatista, que você compra quando está perto do metrô, no trajeto de volta para casa, e economiza tempo."

HIROTA DA PRAÇA DO PATRIARCA: PRATOS PRONTOS
PARA CONSUMIR NA HORA OU LEVAR PARA CASA

Como briefing que as redes usam para buscar pontos, segundo Hirai, é o alto fluxo de pessoas que passa na frente à loja todos os dias. "Esses mercados até acabam se sobrepondo, mas mesmo assim, eles sempre têm público." 

Diferente do mercado, onde o consumidor compra o que vai consumir ao longo do mês ou da semana, ou do hipermercado e do atacarejo, que é ao longo do mês, nesse formato minimercado ele compra basicamente o que vai consumir no mesmo dia, afirma.

"Na rotina corrida da maioria das pessoas, é um formato que faz muito sentido."  

E dá para atender a todo tipo de necessidade, segundo o especialista: no Hirota, o chamariz são as refeições prontas, que podem ser esquentadas e consumidas no local. Já os minimercados de redes como Carrefour, Pão de Açúcar e Dia vão mais na pegada de loja de conveniência, que oferecem produtos e serviços, como caixa eletrônico ou wi-fi grátis. Em todos, além das habituais bebidas, refeições e lanches, há produtos de limpeza, higiene pessoal e até itens pet. 

LEIA MAIS: Negócios com pegada rural prosperam na capital

"O que estamos vendo em todo o Brasil é uma corrida das redes para se espalhar e chegar cada vez mais perto do consumidor -a chamada hiperconveniência. Ou seja, é quando ele está o mais perto possível da necessidade do cliente", afirma Hirai. 

Marco Alcolezi, diretor de operações do Carrefour Brasil, confirma. Próximo de chegar a 200 lojas nos formatos Express, Bairro e Market em todo o país, a tendência de vender alimentações rápidas e oferecer conveniência a consumidores nos centros - inclusive da capital paulista - já é uma realidade. E deve continuar, pois faz parte do seu Plano Global 2022 de crescimento.  

"Estar próximo do cliente, com sortimento assertivo e serviços que facilitem seu dia a dia é essencial", diz. "Porém, como os consumidores são diferentes e possuem variados momentos de compra, é fundamental investir em formatos de loja complementares e serviços integrados para estar próximo e preparado para quando ele precisar", completa. 

Até o leiaute é desenvolvido para garantir essa agilidade de compra que o consumidor demanda, segundo Alcolezi. "Por isso o formato Express é desenvolvido a partir do hábito de compra dos consumidores, com produtos organizados de forma a facilitar sua localização, levando em consideração características e demandas do local onde está inserido."  

Marco Hirai afirma que, na verdade, a ascensão dos minimercados está acontecendo em todos os grandes centros brasileiros, e não só em São Paulo. No caso do centro da capital paulista, especificamente, existe uma dificuldade enorme em encontrar uma grande superfície para montar um mercado maior - o que favoreceu a expansão dos formatos de vizinhança.

LEIA MAIS: O que conta hoje é a experiência do consumidor

"A maneira de marcar presença com esse público é com mercados menores. Portanto, muitas vezes acaba sendo coincidência eles estarem próximos, não é nada planejado", diz, fazendo referência aos fronteiros Carrefour e Dia.

Porém, apesar existirem há mais de 30 anos nos EUA, a expansão dos minimercados é um fenômeno recente no Brasil e difundido há menos de cinco anos em São Paulo, segundo Hirai.

"O Brasil recebeu esses mercados de vizinhança tardiamente. No exterior, é muito mais massificado. Mas, mesmo redes como AM PM e Seven Eleven, no começo, acabavam fazendo um pouco esse papel de atender à compra de conveniência."

O que atrasou um pouco a expansão dos minimercados é que esse tipo de comércio, a princípio, ficou estigmatizado como 'loja  de posto de gasolina', levando tempo até que eles saíssem dos postos para a ocupar espaço nas ruas. 

LOJA DIA EM FRENTE AO CARREFOUR, NO CENTRO, FECHOU
HÁ UM MÊS. MAS O MOTIVO NÃO FOI A CONCORRÊNCIA

"Hoje, em função das necessidades diárias, o consumidor não vai mais 'estocar' comida", reforça Hirai. "Por isso, mesmo sendo um fenômeno recente, o formato veio para ficar."

TEM ESPAÇO PARA TODO MUNDO?

Apesar do sucesso do formato no Centro, um revés: mesmo bastante concorrida, a unidade do Dia, que funcionava em frente ao Carrefour Express (também sempre movimentado), encerrou as atividades há cerca de um mês.

A pergunta: será que a concorrência pesou? Procurada, a rede Dia não informou o motivo do fechamento da loja, mas disse, por meio de sua  assessoria de imprensa, que está "passando por uma grande transformação no país" e que "novidades virão em breve".

Uma reportagem publicada no jornal Valor Econômico no último dia 14 de maio dá uma ideia do que aconteceu - e que vai muito além da mera concorrência com o vizinho: a rede espanhola fechou 113 lojas no Brasil nos doze meses anteriores, sendo que 38 fechamentos de franquia ocorreram entre janeiro e março passado. Ao mesmo tempo, foram abertas 21 lojas no período. 

Quanto às lojas próprias, foram 91 aberturas e um fechamento nos últimos doze meses. O movimento faz parte do processo de migração do modelo franquias para lojas próprias que a rede menciona em seu último balanço, mas sem entrar em detalhes. 

Independente da transformação estrutural pela qual passa a rede Dia, a dúvida persiste: até que ponto vale a pena abrir uma loja do mesmo formato em frente à concorrência? Alexandre Van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, afirma que há espaço sim para abrir uma loja em frente à outra, e quem vai dizer não é o mercado em si. 

LEIA MAIS: O formato é menor, mas está cada vez mais perto de você

"O fato de o Dia ter especificamente fechado essa loja não tem a ver com o Carrefour estar em frente a ela, mas uma questão de conjuntura do negócios do Dia, uma dificuldade que a rede está passando não só no Brasil, mas também em sua sede, na Espanha", reforça.   

Em contrapartida, o próprio Carrefour e o Pão de Açúcar (com suas lojas Minuto) estão crescendo rapidamente nesse formato, assim como a rede Hirota, se expandindo com suas Food Express, e até as lojas de conveniência em postos de combutível, que têm acelerado cada vez mais essa expansão - como as da rede AM PM Mini Market, a segunda maior franquia do país segundo ranking da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

O especialista lembra ainda que, hoje, com oportunidades vindas dos meios digitais, como a Rappi, que utilizam a capilaridade dessas lojas -, o modelo se fortalece não só pela presença física, mas por essas soluções digitais de terceiros, que não são varejistas mas ajudam a oferecer conveniência para o cliente que compra das lojas próximas à sua casa ou seu trabalho.

LEIA MAIS: O negócio é comprar no shopping sem sair de casa 

"O mercado está crescendo muito, então tem espaço para novos competidores, sim. Inclusive para uma loja que está em frente à outra", diz Van Beeck. "Porém, é preciso ter uma operação muito redonda e um sortimento muito adequado, além de oferecer níveis de serviços aderentes àquilo que o cliente espera", completa. Gestão é tudo.

FOTOS: Will Chaussê e Wladimir Miranda

*Colaborou: Wladimir Miranda/Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas