Negócios

Novo shopping Pátio Metrô São Bento busca lojistas


Franquias e lojas de alimentação e serviços serão maioria no empreendimento, localizado em estação onde circulam 4,3 milhões de pessoas a cada mês e com inauguração prevista para maio


  Por Karina Lignelli 09 de Fevereiro de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Comece a imaginar um happy hour com vista para o Vale do Anhagabaú e Viaduto Santa Ifigênia num espaço gourmet: o novo open mall do Centro de São Paulo, o Pátio Metrô São Bento, começa a ganhar forma, com inauguração prevista para a primeira quinzena de maio.

A informação é da Renova, empresa responsável pelo planejamento e desenvolvimento do centro de compras, projetado pelo consórcio Scopus Itashopping ao custo de R$ 4 milhões.  

O empreendimento, que promete ser uma espécie de “oásis” no meio do Centro velho, na visão de Marcos Hirai, diretor da GS&BGH Retail Real Estate, braço da GS&MD Gouvêa de Souza especializada  no mercado de shopping centers, terá 80% de sua ocupação preenchida por pequenos negócios de alimentação e serviços.

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Entre as marcas já confirmadas e com lojas em fase inicial de montagem, estão empresas do ramo de serviços, como Oi, TIM, Nextel, Espaço Laser e a Óticas Carol.

Mesmo com a grande quantidade de agências bancárias na região central da cidade, um espaço exclusivo para caixas eletrônicos também já está delimitado. A ideia é oferecer comodidade ao volumoso público que circula pela região, estimado em 200 mil pessoas a cada dia.   

“Tudo o que um shopping pode oferecer em conveniência e segurança, o Pátio Metrô São Bento terá”, afirma Odivaldo Sousa da Silva, consultor de varejo da Renova e responsável pelo planejamento e desenvolvimento do Pátio Metrô São Bento

Já a área de alimentação, marcarão presença marcas como Subway, Ragazzo, Casa do Pão de Queijo, Empada Brasil e Monster Dog –esta última localizada estrategicamente na saída do metrô, que fica na Ladeira Porto Geral.

LOJAS COMEÇAM A SER INSTALADAS NO METRÔ SÃO BENTO

“É comida rápida para atender ao alto fluxo de passantes”, diz Silva.

A rede de comida chinesa Jin Jin e o Montana Grill também já assinaram contrato: as duas marcas, do grupo Halipar, serão operadas por um multifranqueado, e o investimento na abertura das lojas ultrapassa R$ 1 milhão, de acordo com Christiano Evers, diretor de marketing e comunicação.

“É uma região com grande potencial de vendas”, afirma.  

OPORTUNIDADE PARA PEQUENOS NEGÓCIOS

Diferentemente de dois anos atrás, quando alguns shoppings chegaram a ser inaugurados com 30% de vacância em plena crise, o shopping localizado na estação mais conhecida da Linha 1– Azul promete abrir com 100% de ocupação.

“Já temos 75% de área bruta locável (ABL) ocupada, e estamos em fase final de negociação com alguns empreendedores para ocupar os 25% restantes”, diz Silva, da Renova.

Entre os que estão em fase avançada de negociação, há uma prestadora de serviços de podologia, uma marca de chocolates artesanais e duas grandes varejistas internacionais do ramo de fast food

Por considerar o entorno da região uma “âncora” –e, por isso, o Pátio Metrô São Bento não terá nenhum grande varejista para ancorá-lo, a exemplo dos demais shoppings –Silva afirma que a Renova prospectou e foi consultado até por lojistas da região da 25 de Março, que demonstraram interesse em operar por lá.  

Mas continuam abertas as oportunidades para outros pequenos negócios, como cabeleireiros, manicures, ateliê de costura e reparos e outros que quiserem operar numa estação onde circulam 4,3 milhões de pessoas por mês, segundo Odivaldo Silva.  

SILVA, DA RENOVA: PONTO DE
ENCONTRO NO CENTRO

Para os interessados, o escritório da Renova e da Ablsan (que comercializa os pontos), localizado na praça central da estação São Bento, está disponível para possíveis prospecções. 

“O lojista é sempre bem-vindo”, afirma o consultor de varejo da Renova. “Ainda mais se for profissional e o produto estiver dentro da expectativa do mix”, completa.

Como exemplo, ele cita o quiosque de venda de capinhas de celular que já opera na “área paga” do novo shopping, ou seja, do lado de dentro das catracas.

“É a primeira unidade dele, mas está se saindo muito bem”, afirma.  “Fizemos a pesquisa para identificar qual a demanda reprimida de consumidores que estão de passagem, e é esse mix que vamos oferecer”, diz Silva.

LOJISTA CAUTELOSO

Um local limpo, seguro, que reúne operações reconhecidas no varejo e que serve como ponto de encontro para descansar das compras ou do passeio pelos pontos turísticos do Centro.

Quando se pensa na localização do novo Pátio Metrô São Bento, a impressão inicial é de que o empreendimento se vende por si só, mesmo com informações de fontes do mercado de que o preço da ABL segue a média da região (R$ 400/m2, na parte externa, e R$ 1,5 mil/m2 na área paga).

“Esse não é um custo de shopping novo, mas de shopping estabelecido”, afirma Hirai, da GS&BGH Retail Real Estate.  

Por ser um lugar seguro, bacana e com boas marcas", no Centro velho, um shopping na estação de metrô é uma proposta interessante, segundo o especialista. Trata-se, porém, de um projeto novo e sem similar no Brasil – o que pode explicar o adiamento da inauguração, a princípio agendada para o fim do ano passado.

Segundo Odivaldo Silva, alguns lojistas acabaram esperando um pouco mais para fechar negócio. Quando viram a economia começar a melhorar, a confiança foi voltando, e então eles decidiram.

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É típico no mundo do varejo, de acordo com Hirai, que alguns empreendedores prefiram “ver para crer”, ou seja, esperam inaugurar o empreendimento e observar se muitos lojistas entram, para só depois aderirem. “É um círculo vicioso que acaba com a inauguração”, diz.

Mas isso não significa que o empreendimento não vingará: a única preocupação, segundo Hirai, é se o público que circula pela estação de metrô irá se movimentar na direção da área externa, onde se localizam as lojas.

“Se o público aparecer, outros lojistas aparecerão. Ou haverá dificuldade para completar o mix.”

IMAGENS: Reprodução e Karina Lignelli/Diário do Comércio