Cheque sobrevive entre os mais velhos e no interior

Neste ano, seis em cada dez cheques na praça saíram das mãos de clientes com mais de 40 anos

Estadão Conteúdo
17/Dez/2018
  • btn-whatsapp
Cheque sobrevive entre os mais velhos e no interior
O velho cheque pré-datado é, cada vez mais, uma lembrança que vai sumindo da memória. O meio de pagamento, que no passado foi uma peça central da dinâmica do varejo, hoje caminha para o ostracismo. Isso é o que se conclui de uma pesquisa do birô de crédito Multicrédito ( antigo Telecheque).

O levantamento, com 3 mil empresas do comércio pelo Brasil, revela que, atualmente, o cheque sobrevive principalmente no interior do País e graças aos consumidores mais velhos.

Neste ano, seis em cada dez cheques na praça saíram das mãos de clientes com mais de 40 anos (40% com mais de 50 anos).
 
SOLIMEO, DA ACSP: "LOJISTA
NÃO PRECISA ACEITAR"
E oito de cada dez emissões aconteceram em cidades do interior, onde ou o sistema bancário é menos desenvolvido ou os comerciantes são mais resistentes ao uso dos cartões de crédito e débito - que cobra uma porcentagem dos varejistas sobre cada operação.

Outro dado do levantamento é que, enquanto o uso do cheque cai, o valor médio por emissões aumenta. Quase 90% dos cheques emitidos hoje correspondem a valores acima de R$ 1 mil. "Há uma década, a maior parte dos cheques não alcançava R$ 1 mil", diz o diretor de produtos da Multicrédito, Walter Alfieri.

Segundo o Banco Central, enquanto o volume de cheques emitidos caiu pouco menos de 80% em 14 anos, de 2,1 bilhões de emissões em 2003 para 479 milhões em 2017, o desembolso médio por cheque subiu 72%, saltando de R$ 1.060 para R$ 1.829 no período.
 
"O que está acontecendo é que o cheque tem sido cada vez menos empregado para o consumo simples. Agora, ele é um meio de pagamento para operações mais caras, como um equipamento eletrônico, negociações de despesas escolares ou a entrada de um carro", aponta Alfieri.

Na opinião do economista da Associação Comercial de São Paulo Marcel Solimeo, o cheque "está ficando cansado" com a tecnologia, que criou por exemplo os depósitos rápidos, como a Transferência Eletrônica Disponível (TED) - que não precisa passar pelo sistema de compensação bancária e, assim, o dinheiro fica disponível na conta do destino no mesmo dia da operação.
 
Outro ponto negativo: o cheque não desfruta da mesma segurança e comodidade do sistema de cartões. "O lojista não precisa aceitar o cheque. E, em cidades como São Paulo, ele nem quer mais", diz Solimeo, que, aos 82 anos, diz que emite um cheque por mês. "É para pagar o contador, que manda um portador com a conta", afirma. "O resto, é tudo no débito ou no crédito."

O número de cheques devolvidos (segunda devolução por falta de fundos) como proporção do total de cheques movimentados] foi de 1,77% em novembro de 2018, registrando redução em relação ao ano anterior (-0,13 pontos percentuais), de acordo com levantamento da Boa Vista.

Na comparação mensal, o percentual de cheques devolvidos sobre movimentados teve aumento em relação a outubro, reflexo da queda menor em cheques devolvidos (-4,6%) do que no número de movimentados (-8,7%).
 
Para a planejadora financeira Eliane Tanabe - que emite, se tanto, um cheque por ano -, o problema do meio de pagamento é a confusão que ele pode gerar na conta bancária do emissor.
 
"O cheque pode ser bom para fluxo de caixa, já que a pessoa pode dar um 'pré-datado' para determinado dia. Mas isso é um acordo de cavalheiros entre o emissor e o receptor", ela diz. "O cheque é uma ordem de pagamento à vista, mesmo que pré-datado. E ele pode ser compensado quando o receptor quiser, antes do prazo ou depois do prazo acordado."

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas