ACSP cria grupo de trabalho para combater fraudes na abertura de empresas

Mais de 19 mil CNPJs com indícios de irregularidades foram abertos só até julho, segundo a Acrefi. Grupo reúne 74 entidades representantes e pretende propor medidas de enfrentamento a órgãos públicos

Melina Dias
23/Jul/2026
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ACSP cria grupo de trabalho para combater fraudes na abertura de empresas

Um importante passo na luta contra a fraude empresarial foi dado neste mês: o Conselho Consultivo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) acaba de criar um Grupo de Trabalho de Combate à Fraude Empresarial. A medida é uma resposta direta a um cenário que preocupa o setor produtivo. Apenas entre janeiro e julho de 2026, o setor financeiro registrou a abertura de mais de 19 mil empresas com indícios de fraude.

Esse e outros números preocupantes foram trazidos ao grupo pela Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento). O problema vai além dos CNPJs falsos. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 6,9 milhões de tentativas de fraude, 1,5 milhão a mais que no mesmo período de 2024, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. Só em janeiro de 2025 foram 1,2 milhão de ocorrências, recorde histórico, com uma tentativa a cada 2,2 segundos.

O setor de bancos e cartões é o principal alvo: 53,7% das tentativas no primeiro semestre de 2025. O varejo também sente o impacto, com 1,5% das diligências registradas em janeiro de 2025. Golpes com identidades sintéticas e deepfakes cresceram 126% entre 2024 e 2025.

O grupo é coordenado por Renan Luiz Silva, superintendente de Serviços Institucionais da ACSP e administrador do maior escritório regional da Jucesp do estado de São Paulo, localizado na sede da entidade, na rua Boa Vista, 51, Centro Histórico da Capital paulista, ao lado de Roberto Mateus Ordine, advogado tributarista, coordenador do Conselho Consultivo da ACSP e vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). "Está na hora de combatermos esse tipo de infâmia no ambiente de negócios, que estão causando prejuízos aos empresários por conta de mal intencionados", diz Ordine.

Um dos pontos centrais é o uso do certificado digital e o aprimoramento de ferramentas de verificação. "O objetivo não é burocratizar, mas aumentar a segurança jurídica. E pretendemos pressionar para que as autoridades verifiquem se há participação de organizações criminosas nesse volume de ocorrências", afirma Renan. 

Ao todo, 74 entidades empresariais que integram o conselho consultivo fazem parte do grupo. São setores diversos, da área médica ao varejo.
Os encontros serão mensais. O foco é levar propostas para os governos estadual, municipal e federal, Receita Federal, Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (Drei, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e prefeituras. 

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