Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês recebe a maior honraria da ACSP
O Colar Carlos de Souza Nazareth foi outorgado neste ano à presidente da entidade, Denise Jafet, em cerimônia marcada por homenagens à comunidade árabe

O estado de São Paulo e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) celebram neste mês o 94º aniversário do Movimento Constitucionalista de 1932, evento emblemático em que o povo paulista se levantou em defesa da democracia e da liberdade.
Para marcar esse acontecimento, tradicionalmente a ACSP concede o Colar Carlos de Souza Nazareth, sua principal honraria, a pessoas e instituições que se destacam por trabalhar pelo bem-estar comum. Neste ano, quem recebeu a homenagem foi Denise Jafet, presidente do Conselho de Administração da Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês, instituição de saúde fundada por mulheres de origem árabe. A outorga do Colar aconteceu nesta terça-feira, 21/07.
Para Denise Jafet, matemática, pós-graduada em Economia e empresária, receber a honraria representando a sua entidade centenária significa reconhecimento pelo trabalho filantrópico realizado por uma sociedade civil de referência nacional em saúde. Confira entrevista com Denise no vídeo abaixo:
Vale ressaltar que o complexo hospitalar e educacional nasceu em 1921 com esse grupo de mulheres das comunidades síria e libanesa.
Concederam a outorga Marcos Nascimento, vice-presidente institucional, no exercício da presidência da ACSP, Samir Naklhe Khoury, também vice-presidente da associação e coordenador do Conselho de Civismo e Cidadania. O presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, participou da cerimônia remotamente.
A outorga contou com a presença de Guilherme Afif Domingos, secretário de Projetos Estratégicos do Governo do Estado de São Paulo e ex-presidente da ACSP. Em sua fala, o secretário destacou uma recente iniciativa do hospital com o governo do Estado, a Faculdade de Ciências de Saúde, que possibilitará a médicos fazerem residência no hospital público em Barueri.
Um dos convidados, o coronel Luiz Eduardo Pesce de Arruda, membro do conselho de cidadania da ACSP, trouxe fatos históricos sobre a participação dos árabes na Revolução de 32, como a participação de mulheres sírias e libanesas no apoio à tropa. Arruda também emocionou os presentes com canções populares dos anos 1930, que faziam menção à dor da guerra.
Símbolo e história - A escolha da homenagem ao Sírio-Libanês em 2026 está em sintonia com a missão da ACSP de dialogar com a sociedade civil. A cerimônia, realizada anualmente, provoca a reflexão sobre a Revolução de 32, que exigia do presidente Getúlio Vargas o cumprimento da promessa de restabelecer o regime constitucional e de respeitar a autonomia estadual.
A ACSP desempenhou um papel logístico e de liderança fundamental na Revolução, coordenando a classe empresarial e mobilizando a sociedade em campanhas, como a "Ouro para o bem de São Paulo", que levantou recursos para as forças paulistas.
O então presidente da entidade, Carlos de Souza Nazareth, foi figura central do movimento. Sob seu comando, a ACSP participou das tentativas de diálogo com o governo ao lado de outras lideranças, reivindicando respeito à autonomia de São Paulo, negada quando o presidente Getúlio Vargas revogou a Constituição e centralizou a administração política e econômica do país.
Quando não havia mais possibilidade de acordo com Vargas, a ACSP, em sintonia com o sentimento geral da população paulista, abraçou a campanha pela defesa de uma constituinte imediata, que culminou na deflagração da Revolução. Assumiu tarefas de responsabilidade, entre elas o controle das receitas e despesas do movimento, integração entre as entidades de classe, no comércio, indústria, lavoura e profissionais liberais, além da parceria com o movimento MMDC e outras grandes instituições, desenvolvendo a produção de armas e capacetes de aço.
Vencido no campo militar, devido à superioridade de recursos do governo federal, o estado de São Paulo foi vitorioso no plano moral por lutar pelo Estado e pelo Brasil. Por ter assumido a responsabilidade pela participação das classes empresariais paulistas na Revolução, Carlos de Souza Nazareth foi preso e exilado. Mas viu seus ideais vencerem, quando em 1934 foi convocada a Constituinte, pela qual ele tanto lutara. Nazareth deixou um legado ao conclamar seus companheiros a “não esmorecer para não desmerecer”.
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IMAGENS: Kiko/DC

