Dia do Comerciante: Cia. Tradicional de Comércio planeja ganhar escala nacional
Criadora de marcas icônicas na cidade de São Paulo, como Original, Pirajá e Bráz Pizzaria, holding de destaque na boemia paulistana mira agora a cultura local de outros estados

A mesa de bar foi o marco inicial de uma empresa que, nos últimos 30 anos, criou algumas das mais importantes marcas da gastronomia paulistana e que agora avança na expansão para outras capitais brasileiras. Seus fundadores, um grupo de amigos insatisfeitos com suas carreiras corporativas, costumavam se reunir aos sábados para tomar um chope e debater novas perspectivas de vida.
A conversa de bar acabou sendo mais produtiva do que eles imaginavam. Movidos pela insatisfação corporativa, Ricardo Garrido, Edgard Bueno da Costa, Sérgio Bueno de Camargo e Fernando Grinberg fundaram o Original. O primeiro bar foi o embrião do que seria a Cia. Tradicional de Comércio (CTC), um clássico que contribuiria para mudar a boemia paulistana.
Pela história que se desenhou a partir daí, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) decidiu homenagear os fundadores da CTC no Dia do Comerciante, comemorado neste 16 de julho, em cerimônia que acontece a partir das 19h no Círculo Militar. Outras 15 empresas também serão agraciadas.
Além do desejo de abrir um negócio e da identificação com o setor de bares e restaurantes, os fundadores da CTC tinham como principal argumento o seguinte pensamento: em vez de gastar dinheiro nos bares dos outros, por que não ter o nosso? Hoje, com cerca de 50 operações, o grupo é destaque em gestão qualificada, sucesso de público e reconhecido por ter uma leitura rápida de mercado, além de flexibilidade para gerenciar um portfólio de marcas consolidadas.
Em entrevista ao Diário do Comércio, Garrido lembra que o comportamento do consumidor noturno passou por transformações profundas nas últimas décadas, forçando a gastronomia de rua a se reinventar de forma contínua. Daí a necessidade de um projeto mais específico e detalhado para a expansão do grupo para outras capitais.
"O consumidor de cada estado brasileiro tem as suas próprias características. Como já estamos em um processo de expansão das nossas marcas, temos que entender qual é o potencial e quais as características culturais desse cliente", afirma Garrido.
Um dos grandes destaques dos bares do grupo é o chope. O consumo e a relevância da bebida na capital paulista mudaram a partir do momento em que o Original e as demais casas do grupo passaram a priorizar e valorizar o produto, acompanhando as tendências do mercado carioca. A bebida, que antes tinha uma procura tímida em São Paulo, ganhou protagonismo.
A proposta do grupo era recuperar a cultura do chope. Para isso, implementaram uma série de medidas técnicas, como o cuidado com a "tirada", a escolha dos melhores fornecedores - até chegaram a publicar um manual: os dez mandamentos do chope.
A conexão emocional com o cliente foi fundamental para o crescimento do grupo, diz Garrido. E é por meio dessa conexão que ele diz ser possível avaliar as demandas e o potencial de cada marca em cada região. Depois do Original, a expansão veio com o icônico bar de alma carioca Pirajá, os sofisticados Astor e SubAstor, a Lanchonete da Cidade e a prestigiada Bráz Pizzaria, eleita uma das melhores do país.
Inovações como a Bráz Elétrica, que os fundadores definem como uma evolução da pizzaria tradicional, mostram a capacidade da companhia de inovar sem perder a sua essência acolhedora, conta Garrido. A casa foi a primeira do Brasil a utilizar o forno elétrico Izzo - um equipamento tradicionalmente napolitano, feito à mão e que tem a capacidade de assar as pizzas em 90 segundos. Sua temperatura, que pode chegar a 600ºC em poucos minutos, contribui para a agilidade do processo de produção.
Outro ponto de destaque, segundo Grinberg, é a gestão de recursos humanos - ele lembra que os funcionários do grupo começam a se qualificar logo que são contratados e aponta um importante diferencial em relação ao mercado: "começamos a olhar a carreira no setor com mais cuidado e criamos vários programas de desenvolvimento com oportunidades reais de crescimento."
Ele explica que o funcionário da CTC começa trabalhando em uma determinada função em um bar ou restaurante, mas está exposto à possibilidade de crescer. Isso tem colocado a empresa em um patamar diferenciado em uma área muitas vezes dominada por empregos temporários.
Grinberg destaca que a empresa oferece um plano de carreira que atrai aqueles que querem aprender e evoluir no setor. Alguns dos diretores começaram como garçons ou cozinheiros, passaram por outras áreas e foram muito bem-sucedidos.
Em relação ao projeto de lei sobre o fim da escala 6x1, um padrão amplamente utilizado no setor de bares e restaurantes, Bueno tem uma posição clara: "com certeza o tema deve ser mais debatido e acredito que cada setor tem suas particularidades. Acho que essa questão pode ser negociada entre as partes para atender os dois lados."
Ao comentar o desafio de transformar a empresa em uma marca nacional, Garrido indica que, mesmo diante do cenário econômico complexo e da dificuldade de crédito, o grupo mantém o otimismo de acreditar que o valor da empresa é mais duradouro do que as barreiras diárias.
"Como todo negócio, enfrentamos os juros altos e todas as dificuldades de empreender no Brasil", pontua Garrido.
Ele também ressalta a importância do comércio e do varejo para a vida urbana. "É o comércio que traduz o que a cidade é. Trabalhar com o varejo é muito importante e nos recompensa de maneira muito imediata. Temos uma empresa feita para cuidar melhor das pessoas", afirma.
O executivo conclui destacando a importância do trabalho da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para o empresariado: "qualquer empreendedor de São Paulo conta com a ACSP para ajudá-lo a ter mais clareza na condução de seus negócios e no fortalecimento do empreendedorismo local."
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