Negócios

Comércio paulistano registra alta de 4,5% no trimestre


Itens de maior valor e comprados a crédito, como eletrodomésticos, puxaram o resultado, segundo o Balanço de Vendas da ACSP


  Por Redação DC 02 de Abril de 2018 às 16:47

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O movimento de vendas do varejo paulistano aumentou 4,5%, em média, no primeiro trimestre de 2018 ante igual período de 2017. Com o resultado, a queda de 3,8% registrada nos três primeiros meses no ano passado foi revertida, segundo o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgado nesta segunda-feira (02/04).

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“O perfil das vendas está retornando, aos poucos, ao período pré-crise. Isto é, os consumidores voltaram a comprar bens duráveis, de maior valor”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Esses produtos mais caros, comprados a crédito, foram os grandes beneficiados pelo cenário macroeconômico favorável, segundo Burti.

Ou seja, a forte queda da inflação e dos juros, o alongamento dos prazos e a melhora do poder aquisitivo da população foram os responsáveis pela alta das vendas a prazo, que cresceram 6,7%. Já as vendas à vista cresceram 2,3% no período.

EM MARÇO 

O Balanço de Vendas divulgado hoje também traz o desempenho do comércio da capital paulista em março, que cresceu 3,3%, em média, em relação a igual período de 2017.

O resultado ficou dentro das expectativas da ACSP, de acordo com Burti. Mas poderia ter sido maior se não fosse o efeito-calendário.

"Neste ano, março teve um dia útil a menos por conta do feriado da Sexta-feira Santa, que pode ter tirado 4% das vendas”, afirma.

Mais uma vez, e também favorecidas pelo panorama econômico, as vendas a prazo (6%) avançaram mais do que as à vista (0,5%).

MENSAL 

Na comparação com fevereiro, o movimento de vendas teve um salto médio de 19% em março - que teve três dias úteis a mais –, em um movimento puramente sazonal.

Outra vez o resultado foi puxado pelas vendas a prazo (29,1%) - em especial pelos móveis e eletrodomésticos, alta que ficou superior à média dos últimos três anos (25,5%).

Já as vendas à vista aumentaram 8,8% na mesma comparação, quatro pontos percentuais abaixo da média dos últimos três anos (12,6%).

“As altas temperaturas e o clima chuvoso não ajudaram as lojas de roupas e calçados, compradas principalmente à vista”, comenta Burti.

VAREJO NACIONAL 

As vendas totais do varejo brasileiro em fevereiro de 2018, excluídos os negócios de automóveis e materiais de construção, cresceram 4% ante igual mês de 2017, de acordo com o indicador de varejo SpendingPulse, da Mastercard, também divulgado nesta segunda-feira (02/04).

"Apenas os setores de combustíveis e food service tiveram desempenho abaixo da expectativa", diz a Mastercard, em nota.

Na mesma base de comparação, o e-commerce registrou alta de 19,1%, mostra o indicador.

No varejo online, os setores de eletrônicos e móveis apresentaram desempenho superior à média do canal de distribuição. Por outro lado, os artigos farmacêuticos, vestuários e, pela primeira vez, hobby & livrarias ficaram abaixo do crescimento.

Para César Fukushima, economista-chefe da Mastercard Advisors no Brasil, o crescimento das vendas é reflexo da redução das taxas de juros e do crescimento do crédito à pessoa física, além da perspectiva de melhora da taxa de desemprego.

"Mesmo com as incertezas da economia atual, o setor tem conquistado cada vez mais a confiança dos consumidores e o otimismo dos varejistas", avalia.

Na avaliação por região geográfica, o Sul teve desempenho acima da média, com alta de 6,2% em fevereiro ante igual mês de 2017.

Abaixo da média, mas ainda em terreno positivo, ficaram Nordeste (3,2%); Sudeste (2,1%) e Norte (2%). A única região com retração nas vendas foi o Centro-Oeste, com queda de 3,6% na mesma base de comparação.

FOTO: Estadão Conteúdo