Economia

Brasileiros diminuem viagens por causa do dólar caro


O Banco Central mostra que a queda foi de 20,8% em agosto, em comparação com igual período no ano passado. O motivo da queda é a desvalorização de 25% do real


  Por Estadão Conteúdo 24 de Setembro de 2018 às 17:43

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A desvalorização de quase 25% do real na comparação com o dólar começa a alterar os planos de férias dos brasileiros. Dados do Banco Central mostram que os gastos dos turistas caíram 20,8% em agosto na comparação com igual período do ano passado.

Números preliminares de setembro indicam a continuidade da tendência neste mês.

"O principal impacto da desvalorização do real em um ano aparece na conta de viagens. A desvalorização tende a torná-la mais cara, o que geralmente faz com que o turista adie a viagem, reduza os gastos pretendidos ou até mesmo cancele", diz o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha.

Em agosto de 2017, o preço médio do dólar foi de R$ 3,15. Um ano depois, em agosto de 2018, o valor da moeda saltou para R$ 3,93.

Com o dólar mais caro, brasileiros no exterior gastaram US$ 1,382 bilhão no mês passado. O valor é 20,8% inferior aos US$ 1,745 bilhão observados em igual período de 2017.

Essa foi a maior queda anual desde maio de 2016.

Dados preliminares de setembro indicam que as despesas de brasileiros somaram US$ 796 milhões nos 20 primeiros dias do mês.

"Mantido esse ritmo, o déficit da conta de viagens será menor que o visto em agosto e também inferior ao de setembro de 2017", disse Rocha.

Em setembro do ano passado, a conta de viagens ficou negativa em US$ 1,309 bilhão - cifra de gastos que superou as receitas obtidas com estrangeiros em passeios no Brasil. Nos 20 primeiros dias de setembro de 2018, a conta está negativa de US$ 557 milhões.

LUCROS

Rocha também chamou atenção para o impacto do dólar caro sobre as remessas de lucros das empresas estrangeiras instaladas no Brasil.

"A desvalorização do câmbio reduz o montante em dólares da remessa de lucro ou eventualmente pode adiar de forma pontual o envio à sede", disse.

O dado parcial de setembro indica que a remessa de lucros somou US$ 1,325 bilhão nos 20 primeiros dias do mês. Já a conta de juros sinaliza despesa líquida de US$ 97 milhões no mesmo período do mês.

VIAGENS CORPORATIVAS

As vendas relacionadas a viagens de negócios somaram R$ 2,495 bilhões no segundo trimestre deste ano, cifra 11,9% superior à verificada em igual período de 2017.

Os dados são da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), que compila as vendas nos segmentos aéreo, de hotelaria, outros transportes e demais serviços de 28 associadas.

No segmento aéreo nacional, as vendas de bilhetes a viajantes de negócios atingiram R$ 853,74 milhões no período, montante 1,8% maior na comparação anual, mas a quantidade de passagens vendidas caiu 3,0%.

Entre as empresas, a Gol seguiu na liderança do mercado corporativo doméstico, com 32,1% das vendas no trimestre, praticando uma tarifa média de R$ 599.

Logo em seguida, vem a Azul: a companhia alcançou 32,0% de market share e apresentou as tarifas mais altas no trimestre (R$ 727, em média) entre as seis empresas pesquisadas.

O restante do mercado corporativo nacional fica dividido entre Latam (26,5%), Avianca (8,7%), Passaredo (0,4%) e MAP (0,3%).

Na divisão aérea internacional, as vendas de passagens a viajantes de negócios somaram R$ 749,89 milhões, uma alta 9,0% ante o segundo trimestre de 2017, enquanto a quantidade vendida subiu 9,6%.

Nesse segmento, a Latam tem 18,0% de market share, seguida pela American Airlines, com 13,0% - das grandes aéreas brasileiras, Gol tem 1,65%, e Azul, 0,89%.

Os resultados trimestrais foram positivos para 12 dos 16 indicadores de vendas apurados. Os desempenhos negativos vieram no segmento internacional, especificamente para locadoras, transfers, seguro viagem e demais serviços.

IMAGEM: Thinkstock