Opinião

Ponderações significativas


Nesse clima emocional que vivemos, notícias falsas e acusações foras do contexto provocam reações infelizes e a divisão entre brasileiros


  Por Aristóteles Drummond 19 de Setembro de 2018 às 12:48

  | Jornalista


As entrevistas do General Hamilton Mourão, companheiro de chapa do deputado Bolsonaro, tem sido altamente didáticas na medida em que relembra à opinião pública  a seriedade e o preparo de nossos oficiais generais.

Tem mostrado conhecer o Brasil, seus problemas e sua diversidade, enfatizando a importância da união de todos em torno de um projeto nacional de recuperação econômica, social e moral.

Mostra ainda forte personalidade e caráter ao defender um oficial com quem serviu e que foi vítima de sórdida campanha que o apresentava como homem capaz de ser conivente com a tortura.

Infelizmente, ocorreram torturas, como ocorre até hoje e ocorria muito antes do movimento de 64. E não só no Brasil, como no mundo.

Quase sempre sem  o consentimento dos altos escalões, sendo prática daqueles que estão no front da luta contra todo tipo de violência, seja de inspiração política ou não.

Não se pode tapar o sol com a peneira. Os dois “massacres” chocantes que tivemos, Carandiru e Eldorado dos Carajás, ocorreram na vigência de nossa atual Constituição e sendo governadores de São Paulo e do Pará políticos eleitos de partidos de oposição aos governos militares.

Numa das entrevistas, houve uma visível tentativa de induzir o General Mourão a admitir um “golpe militar”, sobre hipótese.

E ele deixou perceber que os militares respeitam a Constituição, mas que não renunciam a servir ao país na defesa da ordem pública e que não permitiriam que a baderna e a barbárie se instalem no país.

Lembrou que tal intervenção seria por convocação do presidente da República, que, supõe-se, jamais se omitiria, seja quem, for diante de um estado caótico.

Nesse clima emocional que vivemos, notícias falsas e acusações foras do contexto provocam reações infelizes e a divisão entre brasileiros.

Por isso, tem sido importante a palavra de serenidade e, por vezes, de humildade, na defesa da autoridade de um postulante que há menos de um ano deixou o serviço ativo do Exército cercado do apreço de seus camaradas.

O ideal seria que todos os envolvidos nesta eleição presidencial  demonstrassem franqueza, sinceridade e compromisso com o bom senso. Assim como o militar que está hoje na política.

Os recursos do país são escassos, a crise é grande. Nada poderá ser resolvido em cem dias, como alguns insinuam no discurso eleitoral.

Aliás, muitos vices parecem melhores que os titulares.

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