Simone Tebet é indicada como candidata da terceira via, mas ainda enfrenta resistência interna

Frente Democrática, que inclui PSDB, MDB e Cidadania, escolheu a senadora, que concorria com João Doria. Decisão ainda precisa passar pelo crivo das executivas dos três partidos

Redação DC
19/Mai/2022
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*Karina Lignelli, com informações do Estadão Conteúdo

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi indicada nesta quarta-feira (18/05), pelos presidentes do PSDB, do MDB e Cidadania (MDB-MS), como candidata única da terceira via à Presidência da República. Mas seu nome ainda precisa passar pelo crivo das Executivas nacionais dos três partidos, que devem se reunir na próxima terça-feira (24).

De qualquer forma, João Doria, pré-candidato do PSDB, parece ter sido rifado. O que não significa que o ex-governador de São Paulo deixará a disputa interna sem fazer barulho. Simone já havia previsto isso durante debate com empresários na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na última segunda-feira (16). 

“Eu vou jogar dentro das regras, mas se eu vencer a disputa e ele [Doria] não aceitar ou judicializar o resultado, eu sigo com a minha candidatura com ou sem a Frente Democrática [partidos de centro-direita]”, disse a senadora, que foi a primeira convidada do ciclo de debates com presidenciáveis do Conselho Político e Social da (ACSP).

A pré-candidata, mesmo tendo vencido a disputa com Doria, também enfrenta resistência dentro dos partidos de centro-direira. Até mesmo em seu partido, o MDB, seu nome não é unânime, já que boa parte dos emedebistas tende a apoiar, ou já declarou apoio, aos candidatos que lideram as pesquisas: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o atual, Jair Bolsonaro.   

O grupo liderado pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG) teme que Tebet seja rifada pelos caciques emedebistas em prol de um dos dois. Aécio também rejeita a candidatura de Doria, e prefere outros nomes do PSDB - caso do senador Tasso Jereissati (CE), ou do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. 

Elogiada por sua participação ativa na CPI da Covid, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado com atuação voltada principalmente às pautas relativas aos direitos das mulheres, e cogitada pelo candidato Ciro Gomes (PDT) a ser vice, Simone se mostrou confiante em relação à sua possível escolha.

Em conversa com o Diário do Comércio na segunda-feira, a senadora afirmou que a falta de apoio irrestrito do MDB é um processo natural. "Se o Brasil está dividido, quanto maiores os partidos políticos, menos unanimidade", disse a senadora. 

Ela reforçou que a executiva, em sua maioria, entende que o ideal é não partir para a polarização. Quanto às divergências em seu partido, em sua avaliação, "podem ser resolvidas com um bom diálogo."

"Essa candidatura nasceu na base, no MDB Mulher, no MDB Afro, no Diversidade, no Jovem, no Trabalhista", disse. "Ainda não temos essa unanimidade, mas não tenho dúvida que, com os bons falando da candidatura, vamos chegar em julho, na convenção [do partido], com a unidade que importa nesse momento", afirmou a pré-candidata.

POTENCIAL DE CRESCIMENTO

Pesquisas feitas pelos partidos indicaram que a rejeição a Doria é muito alta, e Simone teria maior potencial de crescimento. Doria teve o nome aprovado em prévias do PSDB, em novembro do ano passado, mas, desde então, enfrenta resistências.

"Até terça-feira que vem fica pública uma posição apresentada aos três partidos. Vamos aguardar para ver se todos confirmam essa posição", disse o presidente do PSDB, Bruno Araújo.

Em conversas reservadas, Araújo já disse que a candidatura de Doria é inviável eleitoralmente, e que sua rejeição atrapalha a tentativa de reeleição do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB).  

IMAGEM: Gabriel Daniele

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