Ratinho Júnior: quero fazer parte de um projeto nacional

O governador do Paraná (ao centro) participou de encontro com políticos e empresários na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), onde discutiu a necessidade de se formar novas lideranças para o país e apresentou projetos para o seu segundo mandato

Renato Carbonari Ibelli
13/Jun/2023
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Ratinho Júnior: quero fazer parte de um projeto nacional

Reeleito governador do Paraná com quase 70% dos votos no primeiro turno, Ratinho Júnior (PSD) é apontado como um dos prováveis candidatos da direita às eleições presidenciais de 2026. Ele próprio diz que quer fazer parte de um projeto nacional, sabendo que terá de disputar espaço com outros nomes que também buscam se projetar dentro de igual espectro político, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

Instigado por políticos e empresários durante reunião do Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na segunda-feira (12), Ratinho Júnior disse que hoje não tem um plano estruturado para lançar seu nome nacionalmente, mas deseja ajudar na construção do país.

“Tenho o interesse de participar de um projeto nacional, o que não quer dizer que serei o protagonista”, disse o governador do Paraná. “Estou feliz como governador, mas claro que quero construir um país mais moderno, quero fazer parte desse projeto. Se vou ser eu ou outro nome, vamos ver mais à frente.”

A boa avaliação do seu governo, e a força que seu nome tem entre a população - o governador usa o mesmo nome artístico do pai, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho - podem ajudá-lo a entrar mais facilmente em regiões hoje dominadas pela esquerda, em especial o Nordeste do país, eleitorado que garantiu a vitória do presidente Lula nas últimas eleições. 

O governador do Paraná diz se afastar do debate ideológico. Ele apoiou o ex-presidente Bolsonaro em 2022, mas mantém uma relação cordial com o atual presidente. Recentemente teve o apoio de Lula para um ousado pacote de concessões que envolverá mais de 3 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais.

Ao mesmo tempo, diz haver necessidade de renovação na política, embora reconheça que há escassez de líderes. “Tenho 42 anos e o Lula existe na minha vida há pelo menos 40 anos. Mérito dele por sobreviver nessa selva política, mas precisamos formar novos líderes não só para a política, mas para todas as áreas”, afirmou. 

Ratinho Júnior apontou a educação como um caminho para a formação de novas lideranças, e tem investido nessa abordagem em seu Estado. “No Paraná vamos ter as escolas de prefeitos, para formar bons homens públicos. Para seguir essa carreira tem de entender de máquina pública, de planejamento urbano”, disse.

Em uma abordagem mais ampla, a educação melhorou de qualidade no Paraná ao longo do primeiro mandato de Ratinho. Entre 2019 e 2022 o Paraná saltou da quarta posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a primeira posição. 

A evolução no indicador, segundo o governador, foi resultado de um programa que deu maior qualidade à merenda, o que ajudou a reduzir a evasão escolar, seguido por uma reforma didática, que incluiu na grade de aulas a educação financeira, empreendedorismo, associativismo, cooperativismo, oratória, além de robótica e programação. 

“Também implantamos as escolas cívico-militar e escolas em tempo integral, que têm demandas crescentes. Elas não são obrigatórias, os pais escolhem se querem colocar os filhos nessas escolas ou nas convencionais. Isso para mim é algo democrático”, afirmou o governador do Paraná. 

APOIO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS

Além do estímulo à educação, o empreendedorismo também vem sendo incentivado no Estado. Ratinho Júnior disse que colocou em prática uma política de fomento por meio do financiamento às micro e pequenas empresas da região, uma iniciativa que tem a ajuda das associações comerciais, que na prática gerenciam as agências de fomento nos municípios.  

“De forma geral, queremos que o crédito, subsidiado pelo Estado, chegue de forma rápida e barata para os pequenos”, disse.  

Junto com o estímulo financeiro, foi feito também um investimento em tecnologia nas Juntas Comerciais para agilizar a abertura de empresas no Estado, procedimento realizado hoje em 11 horas, segundo o governador. “Estávamos entre os três piores Estados nesse quesito e hoje somos o segundo mais veloz em abertura no país.”  

REFORMA TRIBUTÁRIA

No encontro na ACSP, Ratinho Júnior afirmou ser necessária a reforma do sistema tributário do país, mas acredita que este não é o momento mais adequado. “Reforma tributária se faz com a economia sólida, porque algum setor sempre vai berrar. Se a economia vai bem, é mais fácil contornar isso, mas não estamos nesse momento”, disse. 

Sobre a proposta de reforma discutida no Congresso, disse que, caso seja aprovada, não haverá prejuízo para seu Estado, mas o Centro-Oeste “pode quebrar”. Há toda uma discussão em torno da reforma envolvendo créditos tributários, incentivos fiscais dados às indústrias, fundos regionais de desenvolvimento, que na avaliação de Ratinho Júnior precisa ser mais difundida para que os Estados apoiem uma mudança ampla no sistema tributário. 

“E o mais importante é saber quem irá arrecadar o IVA dual e como ele será distribuído. Tem de passar credibilidade para a reforma avançar. Acho que nesse momento o ideal seria simplificar apenas o ICMS e ISS. Seria um modelo mais adequado para o Brasil atual”, disse o governador do Paraná. "Antes de mexer de forma ampla no sistema tributário, seria preciso fazer a reforma administrativa para compreender o real tamanho do Estado brasileiro", completou.  

SUPERMERCADO DO MUNDO

Para Ratinho Júnior, a vocação do Paraná é ser o “supermercado do mundo”, e essa visão, disse, tem norteado suas ações à frente de seu Estado. “O Paraná é bom em produzir alimento. Dificilmente se encontra uma produtividade por metro quadrado comparável a do nosso Estado. Mas não queremos vender só commodities, e para isso temos de convencer as nossas cooperativas a industrializar a produção”, disse.

Para estimular a industrialização da região, uma das iniciativas adotadas foi um pacote de investimentos públicos e privados em infraestrutura. “Esse pacote de infraestrutura viária vai trazer R$ 52 bilhões em investimentos para o Paraná. Temos mais investimento com recursos públicos que São Paulo hoje”, disse Ratinho Júnior.  

O governador pretende incentivar o potencial de hub logístico do Estado. “Somos a ligação do Sul com o Sudeste e com o Mato Grosso do Sul. Somos a ligação desse eixo com a Argentina e o Uruguai. Ou seja, somos a conexão de 70% do PIB da América do Sul. Para tanto, precisamos dar um salto logístico que envolve também ferrovias e portos”, disse.

“Queremos ser o supermercado do mundo, com visão sustentável, e operar como uma central logística da América do Sul para atrair grandes indústrias”, afirmou Ratinho Júnior. Essa abordagem parece estar funcionando.

Também presente ao encontro na ACSP, o ex-embaixador Andrea Matarazzo disse que após conversas com o governador se convenceu a levar uma das plantas da Metalma Embalagens, que funcionava no interior de São Paulo, para o Paraná.   

 

IMAGEM: ACSP/divulgação

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