O tempo passa

Parece que poucos pensam no interesse da nação. Todos querem tirar vantagens da crise, como se isso fosse possível

Aristóteles Drummond
02/Dez/2015
Jornalista
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O calendário mostra que chegamos praticamente ao final do ano. Novembro, com feriado em alguns estados, e dezembro, na corrida de fechamento do ano.

Tudo com crise nas vendas, no emprego, na renda, na arrecadação, na lucratividade das empresas.

O mercado aponta para dificuldades de algumas grandes organizações, em remessas de lucros ou dividendos das empresas estrangeiras, pressionando o câmbio, além de dificuldades na rolagem de dívidas no mercado local e no internacional de grandes corporações.

Não vamos ter, com certeza, um final de ano tranquilo. Falta vontade e pragmatismo para melhorar.

E mais: a crise política vai se arrastando, com a agonia de importantes atores da vida nacional.

Parece que poucos pensam no interesse da nação. Todos querem tirar vantagens da crise, como se isso fosse possível. Clima de traições deprimentes e visíveis.

Desde o vice-presidente, cujos amigos conspiram abertamente e chegam a formular convites ou se apresentarem como futuros membros do alto escalão, a forças políticas que querem se aproveitar do desânimo popular para tentar emplacar candidaturas aventureiras e perigosamente radicais.

A eleição municipal do próximo ano é imprevisível em termos de resultados nas principais cidades do país.

O clima externo por sua vez nos é cada vez mais desfavorável. Rebaixamento, fuga de capitais, queda do Real, relações comprometedoras com países que afrontam a democracia e a razoabilidade na manipulação das instituições.

E todos devendo a um Brasil que, na verdade, não poderia ajudar a ninguém neste momento. Devemos até aos organismos internacionais aos quais estamos falidos.

Avançar em reformas, como a previdenciária, fiscal, trabalhista, e melhorar equilíbrio nas relações de estados e municípios com a União poderiam ter ajudado na economia e até mesmo na política.

A reforma política votada acabou confusa e com cada casa do Parlamento tendo um entendimento diferente de questões importantes.

Enfim, o ano que praticamente está acabando nada apresentou no sentido do país estar melhor preparado para a crise, que nos deixa quase sempre na pior situação entre os latino-americanos, entre os BRICs, entre as grandes economias.

Quem sabe baixe juízo na turma e se trabalhe na busca do tempo perdido. Afinal, somos o país da esperança e esta é a última que morre.

 

 

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