Maílson da Nóbrega: próximos quatro anos serão os mais difíceis da nossa história

O ex-ministro da Fazenda (esq.) participou de seminário organizado pelo Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Renato Carbonari Ibelli
14/Set/2022
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Maílson da Nóbrega: próximos quatro anos serão os mais difíceis da nossa história

Os próximos quatro anos serão os mais difíceis da história do Brasil do ponto de vista econômico, na opinião do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Para ele, os problemas fiscais internos, somados à desaceleração da economia mundial, farão o país entrar em um período de turbulência que deve ser superado apenas a partir de 2026.

“Serão anos mais complicados que os da hiperinflação porque as bases da economia estão prejudicadas: o nível de investimento é baixo, não temos mais o bônus demográfico e a nossa produtividade ficou estagnada”, disse o ex-ministro durante o seminário Futuro: o Brasil que queremos para depois das eleições, organizado pelo Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O desarranjo nas contas do governo, que teve entre as causas a necessidade de estímulos à economia enfraquecida pela pandemia, segundo o ex-ministro colocará sobre os ombros do próximo governo a pior herança fiscal da história. “O Brasil não tem mais âncora fiscal. O Orçamento que está no Congresso para 2023 é irrealista, acaba com o teto de gastos”, disse.

Para ele, nenhum dos dois principais candidatos na corrida pelo Planalto teriam condições de reequilibrar as contas públicas. “Será que Lula ou Bolsonaro conseguirão convencer o judiciário e os servidores a não aumentar seus benefícios, ou fazer a sociedade entender que será preciso reduzir gastos na educação. Acho que não.”

Mas além dos problemas internos, o país não poderá contar com os benefícios de uma economia global em expansão, pelo contrário. Maílson lembrou que a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia fizeram as empresas repensarem suas cadeias de abastecimento, levando suas estruturas de produção e fornecimento para mercados mais próximos e considerados amigos.

“Com essa reconfiguração, a eficiência da cadeia deve ser menor, o que significa o fim da era dos juros baratos, que por sua vez vai deixar a globalização mais lenta”, afirmou o ex-ministro. “O baixo crescimento do mundo vai afetar as exportações brasileiras”, completou.

Apesar dos problemas, Maílson disse que o país tem características estruturais sólidas que permitirão que atravesse a turbulência dos próximos quatro anos sem “virar uma Argentina”.

Entre essas características estão as instituições sólidas, um agronegócio competitivo, sistema financeiro sofisticado e regulamentado, fortes reservas internacionais e empresas fortes.  

“Vamos ressurgir a partir de 2026 em condições satisfatórias. Provavelmente teremos novos líderes que estão amadurecendo, como Simone Tebet e Eduardo Leite”.

O economista Roberto Macedo, que também participou do seminário, é outro que vê problemas à frente para o país, relacionados principalmente com os auxílios criados ou ampliados neste último ano. “Foi como se o governo tomasse emprestado do ano que vem recursos para aplicar agora”, disse.

Macedo disse que o próximo governo precisará de um plano de governança, o que envolveria reformas e privatizações, para superar os desafios econômicos dos próximos anos.

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