Opinião

Os três mosqueteiros


Páginas da História: o que tinham em comum os três primeiros presidentes civis da República


  Por Eymar Mascaro 11 de Janeiro de 2016 às 10:35

  | Jornalista e comentarista político.


Os três primeiros presidentes civis da República, Prudente de Morais (1894-1898), Campos Sales (l898-1902) e Rodrigues Alves (1902-1906), tinham três coisas em comum: eram paulistas, chegaram ao Poder sem medir forças com adversários,e eram bacharéis em Direito pela tradicional Faculdade do Largo São Francisco.

Prudente e Campos Sales nasceram, respectivamente, na região de Piracicaba e na cidade de Campinas e representavam as oligarquias de famílias bem sucedidas de fazendeiros abonados, enquanto Rodrigues Alves era  de Guaratinguetá, cidade encravada no Vale do Paraíba.

Os historiadores constataram que os três presidentes eram amigos também fora do Palácio do Catete, isto é, fora do Poder, e se correspondiam sistematicamente. A lenda entre eles era: um por todos, todos por um, como a fábula dos três mosqueteiros. Eles gostavam de prosear.

Prudente de Morais e Rodrigues Alves deixaram o Poder ovacionados pela população carioca, o contrário do que ocorreu com o campineiro Campos Sales, cuja administração foi reprovada por populares devido a uma política econômica considerada desastrosa.

Ao deixar o Catete, no Rio, para voltar a São Paulo de trem, ao final do mandato, Campos Sales foi hostilizado no trajeto até chegar à estação da Central do Brasil.Considerado um presidente elitizado, vaidoso e orgulhoso, Campos Sales era representado nos tablóides de jornais pela figura de um pavão.

O primeiro presidente civil da República eleito pelo Congresso Nacional, Prudente de Morais, foi também o primeiro (e único) chefe de governo a sofrer um atentado a bala, mas o tiro endereçado a ele acabou matando seu ministro da Guerra, Marechal Bittencourt. Logo que assumiu o governo, Prudente recebeu o carnhoso apelido de Biriba, que significava o caipira do interior do Estado.

Como os dois primeiros presidentes que antecederam a Prudente de Morais eram militares -marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto- setores mais radicais das casernas não queriam entregar o Poder aos civis, nascendo, então, a decisão de praticar o fracassado atentado contra o presidente.

A gestão de Rodrigues Alves foi amplamente aprovada pela população: assim que assumiu o Poder, o paulista de Guaratinguetá decidiu transformar toda a área central do Rio de Janeiro -que era a Capital brasileira- numa segunda Paris, para atrair mais investimentos estrangeiros no País.

Rodrigues Alves escolheu o engenheiro Passos Pereira para ser o prefeito do Rio, com a missão de remodelar todo centro da Capital.

Sua decisão, no entanto, dividiu a população, uns aprovando a modernização da cidade e outros não aceitando a demolição dos casarões históricos e antigos e nem queriam que as vielas estreitas se transformassem nas grandes avenidas que ainda hoje são admiradas na chamada "Cidade Maravilhosa".

 Foi um paulista, portanto, que saiu do Vale para modernizar o Rio.

Quando assumiu a presidência, em 1902,  Rodrigues Alves era viúvo e tinha nove filhos. Tinha a fama de ser um Paizão. Sua filha mais velha, dona Catita, exercia a função de primeira-dama.

Antes de concluir o mandato, porém, Rodrigues Alves enfrentou uma grave epidemia de varíola, sendo contestado duramente por boa parcela da população ao decretar a obrigatoriedade de todo brasileiro ser vacinado contra a doença.

Quis o destino, no entanto, que ao ser eleito novamente presidente, em 1918, Rodrigues Alves fosse vítima de uma segunda e cruel epidemia, a da gripe espanhola.

O presidente foi atingido em cheio pela gripe que surgiu entre nós com o fim da 1ª Guerra Mundial e não conseguiu vencer a doença, permanecendo no leito enfermo até a morte, que chegou antes que ele tomasse posse como presidente da República pela segunda vez.







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