Gestão

Como gerir os estoques com o comércio fechado


Com a pandemia de coronavírus e o fechamento do comércio, os estoques das lojas “encalharam”. Especialista dá dicas para vender os produtos parados. Estratégia depende do tipo de negócio oferecido pela empresa


  Por André de Almeida  13 de Abril de 2020 às 07:00

  | Repórter andre.dcomercio@gmail.com


A empresária Vânia Martinho, proprietária da Serelepe, loja de roupas infantis no Tatuapé, está com seu estoque praticamente parado desde que o estabelecimento teve de baixar as portas em virtude de decretos que proíbem o funcionamento do comércio considerado não essencial.

Apesar de estarmos no outono, os artigos da coleção primavera/verão ainda se encontram nas prateleiras da loja. Com as portas fechadas, não puderam ser vendidos. Da mesma forma, os itens de vestuário adquiridos há pouco tempo para o inverno também estão nos expositores, sem poderem ser comercializados.

Como as vendas do setor de vestuário acompanham a sazonalidade, dependendo de quanto tempo mais durar a quarentena e a proibição do funcionamento do comércio, Vânia ficará em uma situação ainda mais delicada. “Estou com um estoque parado de duas estações ao mesmo tempo”, afirma.

Nesse cenário, o que os empreendedores devem fazer para gerir seus estoques enquanto as lojas estiverem fechadas?

PARCERIAS SÃO IMPORTANTES

De acordo com o consultor do Sebrae-SP, Davi Jeronimo, uma das alternativas para estabelecimentos que dependem da venda física e que não conseguem resultados expressivos pela internet, é fazer parcerias com lojas do mesmo segmento que vendem on-line, deixando seus produtos em consignação, por exemplo, e, assim, movimentar seus estoques.

VÂNIA, DONA DA SERELEPE: COM LOJA FECHADA,
ALTERNATIVA FOI VENDER PELAS REDES SOCIAIS

“No setor de vestuário, o empresário deve conhecer o perfil e os hábitos de compra de seus clientes, além de ter um cadastro atualizado com o máximo de informações possíveis. Assim ele consegue promover ações direcionadas e personalizadas visando estreitar o relacionamento com os consumidores”, explica Jeronimo.

Vânia, da Serelepe, tentou fazer parcerias com grupos de mães empreendedoras para divulgar seus produtos e começou a enviar malas com roupas para a casa das clientes. “O medo da Covid-19 e o risco de contágio fizeram com que parássemos com essa ação”, conta.

A solução encontrada para minimizar os prejuízos foi vender por meio de redes sociais.

Vânia conhece seus clientes pelo nome, da mesma forma que as suas preferências de compra. Apesar disso, o resultado financeiro das vendas virtuais não é suficiente para cobrir as despesas fixas do empreendimento, historicamente identificado com as vendas físicas.

BENS ESSENCIAIS

Não são apenas os estabelecimentos do setor de vestuário que sentem dificuldades em gerir seus estoques em tempos de coronavírus. No caso de empreendimentos que trabalham com bens essenciais como alimentos, remédios ou produtos perecíveis, como a demanda é constante, o estoque deve sempre ser reabastecido.

No entanto, segundo o consultor do Sebrae-SP, é importante negociar o pagamento futuro junto aos fornecedores e escoar os produtos antes do vencimento da data de validade dos mesmos, com promoções e serviços de delivery.

“Restaurantes, por exemplo, funcionam bem com delivery. Quem não possui esse serviço, deve tentar revender os alimentos por preços menores para empreendimentos que atuam nessa modalidade. Para não perderem seus estoques, também vale permutas ou trocas de produtos entre restaurantes”, afirma Jeronimo.

BENS DURÁVEIS

Estabelecimentos que trabalham com bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e calçados, por exemplo, não devem aumentar seus estoques neste momento de pandemia. Na opinião do consultor do Sebrae-SP, a ordem é vender ao máximo, mesmo que virtualmente.

“Como muitos estão trabalhando de casa, uma alternativa é pensar em promoções de produtos voltados para o home office, como uma loja de móveis que vende cadeiras para escritórios. Enfim, oferecer soluções mais confortáveis para os clientes ficarem em casa”, explica.

Com a crise econômica, o medo do desemprego e a consequente contenção de gastos por parte dos consumidores, Jeronimo acredita que os produtos mais baratos são os que podem ter os melhores resultados em vendas. “Recomendo trabalhar com promoções ou saldões com os itens em estoque há mais de seis meses, ou seja, aqueles que estão há mais tempo parados”.

RETOMADA PLANEJADA

Da mesma forma que é importante planejar a venda do estoque em um momento de crise, também é fundamental planejar a reabertura da loja quando o comércio puder retomar suas atividades.

“O comerciante deve, neste momento, priorizar a venda de seu estoque. No entanto, ele não pode vender todos os seus produtos e ficar sem nada. Muitos itens devem ser guardados para a retomada futura das atividades, até porque a cadeia de suprimentos irá demorar para voltar a funcionar na sua normalidade”, aponta o consultor do Sebrae-SP.

Vânia, da Serelepe, já pensou nessa possibilidade. “Investi o suficiente para me manter por uns dois meses, sem precisar gastar com novas compras. No momento, a principal preocupação é vender o estoque, mas sem deixar de lado os cuidados para a futura retomada dos negócios. Mas dependendo do tempo para a reabertura, não descarto a possibilidade de fechar a loja e trabalhar apenas on-line”, conclui a empresária.

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