Economia

Inflação, câmbio e a expectativa de um cenário mais definido


Com o IPCA ligeiramente acima do centro da meta, puxado pelo aumento dos combustíveis, espera-se que o indicador fique mais moderado e o real possa se valorizar no pós-eleições


  Por Instituto Gastão Vidigal 05 de Outubro de 2018 às 17:40

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Passadas as eleições, e com a definição do cenário de incerteza do momento, espera-se que o real possa se valorizar,
reduzindo a pressão do câmbio sobre os preços, para que as taxas de inflação dos próximos meses possam ser mais moderadas. 

Essa é a expectativa colocada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), após a divulgação da inflação oficial (IPCA) de setembro nesta sexta-feira (05/10) pelo IBGE. 

O resultado do mês é o primeiro do ano que ficou ligeiramente do centro da meta: aumentou 0,48%, pouco
acima das expectativas do mercado, na comparação com igual mês do ano passado, quando houve alta de 0,16%. A taxa acumulada 12 meses acelerou de 4,19% para 4,53%.

Mas, mesmo se mantendo na meta de inflação fixada para 2018, os combustíveis continuam pressionando os índices de preços, devido à desvalorização cambial e ao aumento do preço do petróleo.

O principal impacto veio dos combustíveis (4,18%), que responderam por 0,24%, ou seja, metade da taxa de inflação do mês. As passagens aéreas também registraram aumento significativo, 16,8%, enquanto os alimentos passaram da deflação de agosto (-0,34%), para alta de +0,10%.

O IGP M de setembro acelerou forte, 1,53%, ante 0,70% no mês anterior. No mesmo mês de 2.017 a alta foi de +0,47% e o acumulado de 12 meses subiu de 8,89% para 10,04%.

O IPA, que tem peso de 60% no índice geral de preços, aumentou 1,00% para +2,19%, elevando o acumulado em 12 meses a 13,26%.

De modo geral, observa-se, dos índices do IBGE e da FGV de setembro, que o aumento do preço do petróleo e a desvalorização cambial tiveram impacto significativo tanto no IPCA, através dos combustíveis, das passagens aéreas e de alguns produtos agrícolas, como IGP M devido aos aumentos das matérias primas.

IMAGEM: Thinkstock