Profilaxia política exige manutenção da luta

O chamamento do “não vamos nos dispersar”, de Tancredo Neves, deve estar mais presente do que nunca

Paulo Saab
18/Abr/2016
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A votação na Câmara dos Deputados aprovando o andamento do processo de “impeachment” contra Dilma Rousseff foi só o primeiro –e importante- passo numa caminhada que promete ser longa e turbulenta.

Não digo nenhuma novidade, mas é preciso alertar o leitor para falsa expectativa de que a limpeza da corrupção no país vai ocorrer dentro de um ritual de normalidade.

Não sou pessimista a ponto de pensar que o PT e seus $eguidores irão cometer desatino além dos limites -bastante toleráveis- da legislação.

Mas obedecer a lei nunca foi o forte do lulopetismo. As declarações de voto contrário, dos espumantes e irados parlamentares que precisam de Dilma no Planalto, deixou claro que vão tumultuar o país e o andamento do processo.

É um alerta para que as forças contra o desatino do governo Dilma não dispersem, não diminuam a pressão, agora sobre o Senado e STF e que nas redes sociais e páginas de leitores de jornais, não se abram espaço para a choradeira das carpideiras petistas, quase sempre agressivas.

A votação na Câmara foi um show a parte –nem vou entrar no mérito porque reflete o Brasil- onde ficou evidente que o país está sim dividido, mas não em partes iguais.

São, como na votação, cerca de 70% da população enjoada, enojada, cansada, dos malfeitos do lulopetismo e da desastrosa gestão Dilma.

Os restantes 30% ou menos, porque houve abstenções, e nas ruas de novo os favoráveis à saída de Dilma foram mais que o dobro dos que a querem no trono, é gente que precisa dos favores do poder e tem acesso aos cofres públicos, de um modo ou outro.

E, inclua-se aí, também, a turma que vai por causa da mortadela e nem tem ideia do que está fazendo, ou acontecendo.

O chamamento do “não vamos nos dispersar”, de Tancredo Neves, deve estar mais presente do que nunca.

Pelo país, porque as forças raivosas que estão sendo desalojadas dentro da lei, da Constituição e pelo desejo já consagrado de cerca de 70% do povo brasileiro, vão buscar caminhos, campanhas, soluções, sejam quais forem que as permitam não perder a boquinha.

Governar o país transformou-se de locupletação de um grupo criminoso alojado nas entranhas do poder.

Ainda há muito a caminhar, a defender, a lutar, dentro da lei, como o Brasil decente está fazendo até agora.

Ainda que os instrumentos de derrubada do petismo pela via legal sejam políticos que também estão devendo ao país, é preciso extirpar o câncer, estancar a hemorragia, para depois, iniciar um novo processo de profilaxia política que a massa de verde e amarelo nas ruas deseja.

Primeiro fora Dilma, fora, Lula, fora PT. Depois, a reconstrução com a punição de tantos quantos devam à Justiça do país.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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