O que faz a diferença

O que distingue os países é o grau de comprometimento de seus cidadãos com a liberdade. Brasileiros e franceses, cada qual à sua maneira, já mostraram o quanto estão dispostos a sustentá-la

Sérgio Paulo Muniz Costa
21/Dez/2018
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O que faz a diferença

 

Existe uma diferença muito grande entre as verdades tuitadas por Jair Bolsonaro e pelo embaixador francês nos Estados Unidos.

Bolsonaro falou a verdade quando apontou que a imigração descontrolada tornou a vida insuportável em alguns lugares da França, como também o embaixador francês ao responder apelando às inaceitáveis taxas de homicídio no Brasil.

O que distingue essas verdades são as realidades dos dois países, a começar pelos seus presidentes, o eleito Jair Bolsonaro e o em exercício Emmanuel Macron.  

O Brasil é uma democracia que escolheu um presidente com discurso à altura do desafio colocado pelos graves problemas econômicos e sociais que o País enfrenta, inclusive o da segurança pública, sentido de maneira dramática.

Já a França é um país cuja democracia não conseguiu eleger um presidente à altura do seu papel na União Europeia e é incapaz de tratar a fratura cultural cada vez mais exposta em sua sociedade.  

A distância que os separa é a que existe entre uma pessoa que deseja resolver um problema e outra que não quer, ou não sabe, resolvê-lo.

Enquanto o presidente brasileiro eleito diz o que é de interesse do seu país, o representante francês ressoa seu próprio presidente que pretende que o Brasil faça o que interessa à França, não só quanto à migração, mas também aos acordos climáticos, sem saber, no entanto, o que dizer aos seus compatriotas.

O que Macron está descobrindo, como Merkel, May e outros líderes europeus em apuros, é que não há Estado sem cidadãos.

Não se pode exigir que eles trabalhem, paguem impostos, sirvam o exército e assim por diante sem a contrapartida de direitos que lhes cabe, a principal, de representação nas decisões nacionais.

Atualmente, a considerar as análises da grande imprensa, só existe populismo à direita. Quando praticado pela esquerda é avanço, pouco importa se serviu apenas para compra de votos, demagogia política ou pior, assimilação de mão de obra subqualificada, subempregada e sub-remunerada, o avanço do atraso.

Assim, tudo e todos que destoem desse mantra são fascistas.

No Brasil, não interessa se o PT foi o partido mais fascista da história politica do País, o que mais ameaçou a imprensa e os seus opositores.

O partido que jamais negou sua raiz totalitária, tanto no apoio a regimes ditatoriais como na afronta à República em que se constituiu o programa de governo de seu candidato de fachada.

Interessa a esse cinismo transnacional, o grande “ismo” desse fim de festa da inépcia política, colocar Trump, Bolsonaro e outros líderes no mesmo balaio de gatos, ignorando as mais óbvias diferenças entre realidades nacionais, culturais e históricas.   

Mais do que essas diferenças, no entanto, o que distingue os países é o grau de comprometimento de seus cidadãos com a liberdade. Brasileiros e franceses, cada qual à sua maneira, já mostraram o quanto estão dispostos a sustentá-la.  

Ao contrário do que elucubram os operadores do cinismo e da ideologia, o Brasil não seguirá pelo caminho da servidão.

Bolsonaro foi eleito pelos livres para continuarem livres em sua própria pátria.

Isso é que faz a diferença.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

  

 






 

 

 

 

 

 

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