O Centro de São Paulo volta a sonhar grande

Construções icônicas, como o Pateo do Collegio, além de encantar turistas, também inspiram novos negócios. Ações simples de melhoria já geram impacto significativo de estímulo ao turismo

Mariana Missiaggia
14/Jan/2022
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O Centro de São Paulo volta a sonhar grande

Circular pela região da Sé, em São Paulo, possibilita a qualquer pessoa um olhar certeiro sobre os problemas que a cidade enfrenta. Moradores de rua, imóveis abandonados e calçadas esburacadas fazem parte desse cenário.

Ao mesmo tempo, construções icônicas, como a Catedral da Sé e o Solar da Marquesa, e todo o patrimônio histórico e cultural do Centro de São Paulo, além de encantar turistas, também inspiram novos negócios e ações do poder público.

Nos últimos anos, os planos para a defesa e preservação do entorno do Pateo do Collegio, chamado de triângulo histórico da capital, parecem evoluir. A reforma dos calçadões, prioridade do projeto Triângulo SP, aprovado na gestão do prefeito Bruno Covas (Lei 17.332/2020), e a reforma do Vale do Anhangabaú são exemplos disso. Ações simples, mas que já geram impacto significativo de estímulo ao turismo no centro.

Um dos pontos mais visitados da capital é o Pateo do Collegio, onde a cidade de São Paulo foi fundada, em 25 de janeiro de 1554, com os padres jesuítas Manoel da Nóbrega e o jovem José de Anchieta, em missão de catequização do povo indígena.

No local, a construção de uma igreja e um colégio marcaram a fundação da cidade. Hoje, o lugar é destaque no centro histórico da capital pela própria igreja e o prédio do colégio. Há também no espaço um museu de peças de arte sacra e o Museu Anchieta, com detalhes da vida do padre José de Anchieta, além da Biblioteca Padre Antonio Vieira, onde pesquisadores e estudiosos têm acesso a documentos sobre a História do Brasil e da Companhia de Jesus.

Em 2015, o espaço foi reconhecido e tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) e mantém o protagonismo em qualquer roteiro a pé feito por São Paulo.

Com a população cada vez mais em busca de programas ao ar livre, a ocupação do espaço público contribui para sua revitalização, em especial de áreas como o centro. Há ainda o aumento no volume de debates sobre as decisões que afetam cada um desses lugares e o interesse pela região é crescente.

Atenta a tudo o que acontece na região, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi parceira da Prefeitura de São Paulo em uma das obras de melhoria da região: o Núcleo de Convivência para Adultos em Situação de Rua, na rua Doutor Rodrigo Silva, 98, na Liberdade - a poucos metros do Pateo do Collegio.

O local, com espaço para refeitório, banheiros e lavanderia, foi custeado pela ACSP e é utilizado pela Prefeitura de São Paulo para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade social. O imóvel integra o Projeto Acolher, voltado para atender pessoas que moram na rua dando a elas tratamento médico, psicossocial e acolhimento adequado para sua ressocialização.

O espaço pode ser utilizado pela população de rua para alimentações, além de contar com espaço para banho, higiene, lavagem de roupas e assistência social.

Embora já esteja atendendo, o Núcleo de Convivência está recebendo acabamento para a inauguração oficial, prevista ainda para janeiro. Como incentivo ao projeto, a ACSP auxiliou a Prefeitura de São Paulo na montagem dos móveis e na utilização de recursos na infraestrutura.

Carlos Bezerra, secretário municipal de assistência e desenvolvimento social de São Paulo, aponta que uma atuação participativa entre sociedade, entidades e o poder público possibilita resultados mais céleres para a cidade como um todo.

Após a inauguração do novo centro de acolhimento, prevista ainda para este mês, o local servirá 200 refeições diárias para moradores de rua, segundo Bezerra. "Sou a favor de uma atuação participativa e responsável da sociedade civil, e acho que a ACSP é uma grande inspiração para outras entidades", diz.

Sobre a atuação na região central, o secretário diz que desde março de 2020 - início da pandemia - sua secretaria criou 2,5 mil vagas emergenciais em diferentes formatos para recebimento de pessoas com covid.

Além disso, foram disponibilizadas mais de 1,6 mil vagas de credenciamento em hotéis na região central. Para os Núcleos de Convivência da Sé, Prates, Porto Seguro, Luz e Bela Vista - todo no Centro - foram acrescidas em caráter emergencial mais de 1,7 mil vagas.

Para o padre jesuíta Carlos Alberto Contieri, responsável pelo Pateo do Collegio, a realidade da população em situação de rua precisa ser analisada num contexto global. Além do empobrecimento paulatino da sociedade, aumento do desemprego, o alto custo de vida, há quem esteja em situação de abandono por razões psíquicas como modo de fuga e ainda outra parcela da população mais jovem que fez da rua seu estilo de vida.

"Algumas questões são mais amplas e não estão nas nossas mãos resolver, mas sou positivo sobre a reversão dessa realidade. E isso certamente depende de políticas públicas adequadas".

Ações como a do projeto Acolher, na opinião do padre, abrem caminhos para a valorização e resgate de dignidade da população e isso reflete prontamente na paisagem e recuperação do centro.

Em uma situação dramática, a Praça da Sé tem sido apontada pelos turistas, especialmente estrangeiros, como um espaço abandonado, segundo o padre Contieri, que vê relação direta entre os programas de acolhimento, a redução no número de pessoas em situação de abandono e o fortalecimento turístico da região.

35 MIL PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA EM SP

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, declarou recentemente que a pandemia fez crescer muito o número de pessoa em situação de rua. “Estamos fazendo muitas ações para reverter esse quadro, promovendo um atendimento humanizados a essas pessoas. Posso citar a antecipação do censo de moradores, vamos relançar o programa Reencontro e já estamos dialogando para construir dezenas de moradias pré-moldadas em área no Centro”, disse o prefeito.

No último censo, feito em 2019, a cidade possuía 24 mil pessoas em situação de rua. Hoje, o número é bem maior devido às crises na saúde e na economia, com o desemprego em alta. Estima-se que o novo estudo revele uma população de rua próxima a 35 mil pessoas. 

Hoje, são 25 mil vagas nos abrigos públicos com mais de 2,5 mil atendimentos nos Consultórios de Rua, segundo o prefeito.

"É muito importante incentivarmos e apoiarmos a prefeitura no âmbito deste problema social que estamos passando. Eles precisam ter um local para se alimentar de forma digna e iniciar o processo de recuperação da autoestima, tão abalada pela crise em que vivemos. A Associação Comercial dá e dará todo o apoio possível nesse sentido", diz Alfredo Cotait, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

 

 

 

 

 

 

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