O algoz do Brasil

É triste, vergonhoso, deprimente, assistir, ouvir, ler, todos os dias, como a República foi transformada num covil de compadrio, autoproteção, privilégios

Paulo Saab
20/Dez/2018
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O cenário nacional neste final de 2018 indica claramente que o maior algoz do Brasil, na atualidade, é o próprio Brasil, aqui entendido como as esferas de poder público em todas as instâncias e níveis.

É provável que sempre tenha sido assim. O que mudou foi a visibilidade, a transparência, decorrentes da evolução da tecnologia que abriu as informações, e, ainda, o maior interesse da população em geral no acompanhamento da vida pública.

Deve ser a única coisa louvável que ficou da era Lula: o rastro de sujeira que deixou chamou a atenção de quem não se ligava nisso -o próprio povo brasileiro. Ao menos as camadas capazes de ler, escrever e entender o que se passava e passa nos escaninhos do poder.

O volume de denúncias, falcatruas, manipulações, desvios, corrupção deslavada, é de tal grandeza que os recursos desviados -estimados em bilhões de reais por ano- dariam ao país outro rumo de desenvolvimento se não fosse roubado para contas de integrantes dos níveis de poder, amigos, familiares e a banda podre do empresariado.

E, ainda, novidade nefasta da era lulopetista, enviados ao exterior para financiar com o suor do trabalhador brasileiro de onde o dinheiro foi arrecadado, para obras em ditaduras socialistas de terceiro mundo, amigas dos criminosos presos em Curitiba.

A corrupção nos três níveis dos poderes da República(?) , federal, estadual e municipal, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário, de tal forma suga as entranhas da pátria, que  transforma esse mesmo poder público em podre e algoz da vida dos brasileiros a quem eles deveriam servir, em vez de se servirem.

Antes que algum afobado clame no deserto faço a ressalva de que, como em toda atividade onde há o ser humano, existem os bons e os maus.

Então, nessa monstruosidade de tamanho e de corrupção, em que se transformou o poder público, ressalvo os que de fato trabalham honestamente.

São também vítimas da distorção que travestiu o serviço público até o seu mais alto escalão, num antro de corrupção, de corporativismo, numa espécie de nação à parte, apartada do resto do Brasil e que vive para si mesma.

É triste, vergonhoso, deprimente, assistir, ouvir, ler, todos os dias, como a República foi transformada num covil de compadrio, autoproteção, privilégios (as aposentadorias e salários são um tapa na cara de cada brasileiro da iniciativa privada, que sustenta tudo isso).

Como de tal forma esse conceito de que o cargo público é de propriedade de quem o ocupa, se arraigou na mente do servidor em geral, que muitos não conseguem entender o que há de errado em usurparem a nação como se fosse deles.

A esperança está no ar. Não só de um novo governo que lute para mudar tudo isso, mas também de que a população pensante de fato acordou e saiu da letargia, podendo mudar tudo pela ação das ruas.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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