Nos corredores de Brasília | Prefeitos e governadores aguardam, de pires na mão, bênção de Dino sobre emendas

O ministro do STF quer mais clareza sobre origem dos repasses usados por deputados e senadores para alimentar suas bases eleitorais em Estados e municípios

Redação DC - Brasília
21/Jul/2026
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Nos corredores de Brasília | Prefeitos e governadores aguardam, de pires na mão, bênção de Dino sobre emendas

Dino aperta o Congresso

O ministro Flávio Dino voltou a elevar a pressão sobre o Congresso na disputa das emendas parlamentares. Relator das ações no STF, o ministro cobra transparência, rastreabilidade, plano de trabalho e identificação dos autores dos repasses. A ofensiva mira especialmente as emendas Pix, usadas para transferências diretas a estados e municípios. Na prática, Dino quer tirar da sombra uma das principais moedas de poder de deputados e senadores.

Congresso reage

Deputados e senadores, incomodados, alegam que as emendas fazem parte das prerrogativas parlamentares e são essenciais para atender bases eleitorais. O presidente Hugo Motta (Câmara) já sinalizou que pretende comprovar ao STF a legalidade dos repasses. O problema é que a discussão deixou de ser apenas orçamentária. Virou disputa de poder entre quem indica o dinheiro e quem define as regras para liberá-lo.

Poder das bases em jogo

A disputa das emendas mexe no coração da política municipalista. São esses recursos que alimentam obras, eventos, máquinas, equipamentos e entregas locais usados por parlamentares para manter presença nas bases. Ao exigir rastreabilidade e plano de trabalho, Dino aumenta o custo político e burocrático das indicações. O Congresso teme perder velocidade e o STF quer controle. No meio, prefeitos e governadores aguardam a liberação do dinheiro.

Mulheres no centro da eleição

O TSE divulgou que 158.745.463 eleitores estão aptos a votar em 2026. As mulheres são maioria no cadastro eleitoral, com 52,84% do total. O dado reforça uma realidade que partidos e pré-candidatos não podem ignorar: a eleição será decidida também pela capacidade de dialogar com mães, trabalhadoras, empreendedoras e chefes de família. Em um país pressionado por custo de vida, segurança pública e renda, quem tratar o voto feminino apenas como pauta identitária corre o risco de errar o centro da disputa.

Chapa feminina na Capital

A nova pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada ontem (20), mostra que a disputa ao Senado no Distrito Federal pode terminar com duas mulheres eleitas. No principal cenário estimulado, Leila do Vôlei (PDT) aparece com 39,2%, seguida de Michelle Bolsonaro (PL), com 36%. Como a margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, as duas estão tecnicamente empatadas. Erika Kokay (PT) vem em terceiro, com 28,4%.

Abrigo nos EUA

O governo Donald Trump (EUA) concedeu green card a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), garantindo ao ex-deputado residência permanente no país. A decisão reforça o papel do filho de Bolsonaro como ponte internacional em meio ao desgaste judicial da família no Brasil. Por outro lado, o governo brasileiro segue monitorando Trump e os acenos feitos para interferir nas eleições por aqui.

Lula volta ao berço

Presidente deve largar a campanha à reeleição em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, berço político que projetou sua trajetória sindical e nacional. A escolha é simbólica, mas também estratégica: São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e foi onde Bolsonaro venceu em 2022, com 55,24% dos votos, contra 44,76% de Lula. A agenda prevista para agosto tenta reconectar o presidente à imagem de trabalhador e líder popular, enquanto o PT busca reduzir a vantagem da direita no estado.

Direita mira 2027

Pesquisas registradas no TSE mostram que os conservadores poderão chegar em 2027 com vantagem real na disputa pelo Congresso, especialmente no Senado. Partidos de direita e centro-direita podem alcançar 40 das 81 cadeiras da Casa em 2027, uma a menos que a maioria absoluta. Na Câmara, o PL já possui a maior bancada isolada, com 97 deputados, enquanto o bloco de centro e centro-direita reúne 273 parlamentares. O dado explica a movimentação de Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab e Ciro Nogueira: mais do que a Presidência, a batalha das eleições passa pelo aumento do fundo partidário e poderes de veto.

 

IMAGEM: Roque de Sá/Agência Senado

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