Nos corredores de Brasília | Sem MP do Frete, Lula pode afundar nas pesquisas enquanto Damares pula do barco de Flávio

Caminhoneiros ameaçam paralisação se proposta que endurece regras para piso do frete não sair antes do recesso. Na direita política, a senadora Damares Alves escolhe Michelle Bolsonaro

Redação DC - Brasília
13/Jul/2026
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Nos corredores de Brasília | Sem MP do Frete, Lula pode afundar nas pesquisas enquanto Damares pula do barco de Flávio

Frete vira ameaça

A pressão dos caminhoneiros voltou ao Senado. Entidades da categoria cobram a votação da MP 1.343/2026, que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete, antes de o texto perder validade em 16 de julho. O ministro da Secretaria-geral da Presidência, Guilherme Boulos, tenta evitar uma crise e defende a votação da medida até amanhã. O governo, porém, chega dividido à reta final: o líder no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirma que o piso de R$ 5 mil defendido por parte da categoria é inconstitucional. Sem acordo, o Planalto pode entrar no recesso sob ameaça de paralisação nas estradas.

Sem porta-voz

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro a Jair Bolsonaro, após o senador divulgar nas redes uma carta escrita pelo ex-presidente. Para Moraes, a publicação violou a restrição imposta a Bolsonaro, que está proibido de usar redes sociais direta ou indiretamente. A decisão também manda apurar possível propaganda eleitoral antecipada e dá 48 horas para a defesa explicar se o ex-presidente sabia da divulgação. A medida atinge o principal elo político da pré-campanha bolsonarista e aumenta o isolamento de Bolsonaro na articulação de 2026.

Damares desembarca

A crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou novo capítulo com o afastamento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) da campanha e do plano de governo. A saída ocorre justamente quando o bolsonarismo tenta conter danos no eleitorado feminino, que representa 52,83% dos aptos a votar no país. Pesquisas indicam vantagem de Lula entre as mulheres, segmento considerado decisivo para 2026. Sem Michelle Bolsonaro no comando do PL Mulher e agora sem Damares na linha de frente, Flávio perde duas pontes importantes.

Hormuz pressiona Brasília

A decisão de Donald Trump (EUA) de retomar o bloqueio a embarcações iranianas no Estreito de Hormuz voltou a mexer com o preço do petróleo e acendeu alerta no Brasil. O Brent chegou a superar US$ 83 nesta segunda-feira (13), com alta de quase 10%, após nova escalada entre Estados Unidos e Irã. O choque externo chega em hora ruim: petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes, dólar e expectativas de inflação.

Direita segue no jogo

A pesquisa BTG/Nexus divulgada ontem (13) trouxe um sinal incômodo para o Planalto: mesmo com a máquina na mão, Lula não conseguiu abrir vantagem definitiva para 2026. No cenário principal, o petista aparece com 40%, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Em eventual segundo turno, a disputa segue tecnicamente empatada: Lula marca 47% e Flávio, 44%. Para a direita, o levantamento reforça que o anti-PT segue vivo, competitivo e capaz de atravessar a crise interna do PL. O recado é simples: Lula ainda lidera, mas não levou.

Lula acena aos militares

Lula voltou a falar em soberania e defesa nacional ao dizer que o Brasil não quer guerra, mas precisa estar preparado para proteger território, riquezas e minerais estratégicos, como as terras-raras. A fala, feita no Instituto de Aeronáutica e Espaço, é também um aceno à indústria nacional de defesa em meio ao aumento da tensão externa e ao interesse internacional sobre recursos minerais brasileiros. Na prática, o Planalto tenta transformar soberania em agenda econômica, militar e eleitoral: defender o país, controlar riquezas e vender a ideia de que o Brasil não pode ser apenas fornecedor de matéria-prima.

MEI fica para depois

A atualização do teto do MEI e do Simples perdeu força na reta final antes do recesso. Após reunião com Hugo Motta, o relator do PLP 108/2021, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), deixou a votação para agosto. A decisão frustra entidades empresariais, que pressionavam pela aprovação ainda neste semestre para destravar o limite congelado em R$ 81 mil. O governo entrou no jogo com proposta própria, mais gradual, elevando o teto do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

 

IMAGEM: Instagram/reprodução

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