Itararé em Davos

Para reconquistar alguma legitimidade, a esquerda agora aponta o dedo para aqueles que menospreza e chama de derrotados, os que a venceram nas urnas das maiores democracias do Ocidente

Sérgio Paulo Muniz Costa
21/Jan/2019
  • btn-whatsapp
Itararé em Davos

 

Pode faltar muita coisa à esquerda: juízo, prudência, responsabilidade e, mais do que tudo, coerência. Mas se há algo que não lhe falta é imaginação. Sua mais recente pirueta é a falácia de que foi derrotada pelos derrotados da globalização.

Os derrotados, segundo ela, é todo aquele pessoal que trabalha duro, paga impostos e sabe o que é, quer e faz. Não a massa de desvalidos, migrantes, desempregados, desajustados e desabrigados de que ela se vale para acumular poder.

Mas o que parece mera cara de pau tem razão de ser.

De tempos em tempos, a esquerda volta ao seu leitmotiv antissistema. Esgotadas as causas da luta de classes em que se inventou; das guerras de libertação do Terceiro Mundo que ela inventou; e da ecologia em que ela se reinventou, a esquerda encontrou nas chamadas políticas identitárias sua nova causa.

Claro, identidade naquilo que lhe interessa para desconstruir a sociedade: de gênero, cor, orientação sexual, até de peso, ou qualquer atributo, característica, opção ou motivação individual que possa ser usado para jogar uns contra outros.

Já a identidade nacional, cultural ou outra mais abrangente que agregue as pessoas em uma comunidade cívica de direitos e deveres é de antemão taxada de racista, elitista, intolerante ou, pura e simplesmente, fascista, como consta do bestiário do besteirol esquerdista.   

Depois da vitória do Brexit, da derrota nas eleições norte-americanas e do fracasso de suas políticas nos principais países da Europa, restou à esquerda se fazer de liberal,  acomodada em alguns dos melhores think-tanks e redações do mundo.

E para reconquistar alguma legitimidade, ela agora aponta o dedo para aqueles que menospreza e chama de derrotados, os que a venceram nas urnas das maiores democracias do Ocidente, acusando-os de serem uma ameaça à democracia no Ocidente.

Esse é o círculo do absurdo que a esquerda quer reabrir no presente encontro do Fórum Econômico Internacional em Davos, desta vez como insider e não black block, para proclamar o fim da ordem mundial e propor outra.

Não falta, portanto, quem sonhe com uma batalha de posições em Davos. Vão ficar desapontados, pois como a de Itararé, ela não acontecerá. Os vencedores vão a Davos para falar ao dinheiro que tem por regra não se meter no que não deve.  

Só isso, e é muita coisa.

Mas tem gente que se auto-convidou e daqui se abalou sem entender isso muito bem.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
mais índices

Vídeos

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Tarcísio de Freitas participa de ciclo de debates promovido pela ACSP

Felipe d’Avila, do Novo, foi sabatinado por empresários na ACSP

Márcio França fala em fim da ‘tiriricação’ da política

Colunistas