Após greve, estoque do varejo segue desequilibrado

Em junho, houve queda de 3,4% no número de empresários que consideram seus estoques adequados, de acordo com a FecomercioSP em relação a maio

Redação DC
22/Jun/2018
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Após greve, estoque do varejo segue desequilibrado

Nos últimos meses, a economia brasileira seguia em ritmo de recuperação, ainda que no primeiro trimestre alguns indicadores tenham apresentado movimentos contraditórios.

No entanto, a paralisação dos caminhoneiros e a consequente crise de desabastecimento trouxe dúvidas para consumidores, empresários e investidores em relação à manutenção desse cenário positivo, e no caso do varejo na cidade de São Paulo, teve reflexos sobre o nível de mercadorias estocadas nas lojas. Pelo menos, essa foi a percepção captada pelo Índice de Estoques (IE), que caiu 5,9% ao passar de 113,8 pontos em maio para 107,1 pontos em junho. Na comparação com o mesmo período de 2017, houve queda de 1,3%.

O indicador é calculado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e varia de zero (inadequação total) a 200 pontos (adequação total). A marca dos cem pontos é o limite entre inadequação e adequação.

Em junho, 53,3% dos empresários consideraram seus estoques adequados, quedas de 3,4 pontos porcentuais (p.p.) em relação a maio; e de 0,9 p.p. no comparativo com junho de 2017.

A proporção de empresários que declarou ter excesso de mercadorias nas lojas registrou alta de 2,4 p.p., ao passar de 30% em maio para 32,4% em junho. Outros 13,8% consideraram seus estoques abaixo do adequado, elevação de 0,8 p.p. na mesma base comparativa.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, o desabastecimento decorrente da paralisação dos caminhoneiros teve dois efeitos diversos sobre o nível de estoques do comércio varejista: a falta de produtos em alguns setores mais vulneráveis aos choques de oferta ou demanda de curto prazo (bens não duráveis como alimentos, bebidas ou combustíveis) e, por outro lado, deixou o consumidor muito reticente em relação à aquisição de bens duráveis – como automóveis e eletrodomésticos –, elevando os estoques.

Ainda de acordo com a Entidade, esse resultado exige um exame mais profundo sobre a economia do Brasil e os potenciais riscos pelos quais o País irá passar até as eleições em outubro de 2018.

METODOLOGIA

O Índice de Estoques (IE) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários do comércio no município de São Paulo.

O indicador vai de zero a 200 pontos, representando, respectivamente, inadequação total e adequação total. Em análise interna dos números do índice, é possível identificar a percepção dos pesquisados relacionada à inadequação de estoques para “acima” (quando há a sensação de excesso de mercadorias) e para “abaixo” (em casos de os empresários avaliarem falta de itens disponíveis para suprir a demanda em curto prazo). A pesquisa é referente ao município de São Paulo, mas sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.

 

 

 

 

 

 

 

Indicadores Econômicos

Fator de Reajuste

ÍNDICE
Mai
Jun
Jul
IGP-M
1,1072
1,1070
1,1008
IGP-DI
1,1056
1,1112
1,0913
IPCA
1,1173
1,1189
1,1007
IPC-Fipe
1,1227
1,1169
1,1073

Indicadores de crédito Boa Vista

Índice
Abr
Mai
Jun
Demanda por crédito
-4,3%
-2,1%
-1,9%
Pedidos de falência
--
--
--
Movimento do comércio
1,1%
1,5%
-0,8%
Inadimplência do consumidor
5,0%
7,5%
-0,6%
Recuperação de crédito
1,8%
-5,6%
2,4%
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