Opinião

Entrando em campo


Não é preciso muito esforço para imaginar o que vai acontecer ao Brasil se o personagem politicamente responsável pelo maior caso de corrupção da História for solto e tornado elegível


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 25 de Abril de 2018 às 21:11

  | Historiador


A montanha russa do STF continua causando perplexidade aos brasileiros pelas piruetas inimagináveis de que é capaz de traçar no vazio institucional do País.

Ou devemos achar natural que três ministros do STF interfiram discricionariamente em uma investigação que está fora de sua alçada?

E que o terceiro habeas corpus de Lula seja julgado ao largo do escrutínio tempestivo do público por uma turma de ministros majoritariamente favorável ao condenado?

Na prática, Lula está desfrutando de um foro privilegiado a que não faz jus e será julgado por uma minoria de ministros que lhe é favorável.

Onde estamos?

Quando, ao mesmo tempo, o presidente do TSE, também ministro do STF, diz  que existe a possibilidade de Lula ser candidato à presidência da República?

Numa terra sem lei? Ou pior, num pesadelo em que a lei é imposta a todos por alguns que se julgam além dela para cometerem ou acobertarem crimes?

Não é preciso muito esforço para imaginar o que vai acontecer ao Brasil se o personagem politicamente responsável pelo maior caso de corrupção da História, e já condenado pelo seu envolvimento nele, for solto e tornado elegível pela tramoia que acontece às claras em Brasília.

Estaremos à beira do caos.

Desde uma eleição de Quarto Mundo à possibilidade da volta do Perón macunaímico e da “mulher do Lula”, a sua Evita destrambelhada. Será o ridículo precedendo o desastre.

E haja desastre.

Moral, de uma sociedade incapaz de discernir o certo do errado.

Social, pela descrença na lei e nas instituições, com a proliferação do arbítrio e da violência.

Econômico, de um país rico mas desigual que vai se tornando pobre e ainda mais desigual.

Político, de um sistema corrupto e disfuncional que não resistirá à imposição autoritária que já está encomendada.

Internacional, associando-nos ao projeto delirante da Pátria Grande bolivariana, o Pacto de Varsóvia com sandálias havaianas, no dizer de um veterano observador.

Quem tiver dúvidas que consulte o desastre que ocorre do outro lado da fronteira em Roraima, à custa de fome, lágrimas e sangue.

A horda de fanáticos que cerca Lula não esconde o que pensa; não se peja em tecer loas a Fidel, Chávez e Maduro; e não perde tempo em avançar a tese desmiolada de que seu prócer está sendo perseguido por que as elites desejam impedir a realização desse projeto.

É exatamente o contrário.

Um projeto dessa natureza - autoritário, antinacional e violento - só se viabiliza pela mentira, pela corrupção e pelo crime, justamente pelo que Lula foi considerado culpado. Tanto do ponto de vista político, pela maioria da sociedade, quanto criminalmente, pela justiça, repetidas vezes e em todas as suas instâncias, até no STF, onde lhe foi negado, por duas vezes, habeas corpus.

Onde estamos todos? Individualmente ou representados.

Onde está a Procuradoria Geral da República que não se pronuncia firmemente contra a conspiração que acontece no STF e no TSE, onde  cabe a ela atuar?

Onde estão as organizações da sociedade civil  que não impetram ações contra a imoralidade que se pretende consumar no STF?

Onde está o grande empresariado nacional que sabe bem o que vai acontecer às suas empresas que não se junta à sociedade para enfrentar o exército de advogados de Lula?

Jogando na base do deixa que eu deixo? Esperando que os milicos cobrem uma nova falta?  

Talvez nunca na História do Brasil tenha sido tão necessário mostrar que jogo se ganha em campo, não no tapetão.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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