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O que aprender com a Black Friday de 2017


Picos de acessos, categorias mais vendidas e perfil de clientes durante as ofertas são informações valiosas para o planejamento dos lojistas. Consumidores pretendem gastar mais de R$ 1 mil no evento


  Por Mariana Missiaggia 16 de Outubro de 2018 às 18:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A cada ano cresce a popularidade da Black Friday no Brasil. Passada a comemoração do Dia das Crianças, o varejo já prepara suas ações para bater mais um recorde de vendas.

A Black Friday 2017 gerou R$ 2,1 bilhões de faturamento para os e-commerces. Dado o grande alcance das campanhas, desde o ano passado, as entidades começaram a contabilizar as compras efetuadas também na quinta-feira, pré Black Friday.

Junto com as ofertas, surgem também uma maré de reclamações. No último ano, o site Reclame Aqui, que reúne queixas de internautas, recebeu 3,5 mil reclamações de consumidores entre as 18h de quinta-feira (23) até às 0h de sábado (25), um volume 17% maior do que o registrado no evento de 2016.

Propaganda enganosa, divergência de valores, problemas na finalização da compra e produtos indisponíveis são as queixas mais comuns.

Diante desses problemas, é importante que as varejistas se organizem para que as lojas virtuais possam garantir um bom desempenho em meio a tanta demanda.

RAIO-X DA BLACK FRIDAY 2017

Um mapeamento do comportamento do consumidor em 2017 durante o evento pode ajudar o empresário na hora de planejar promoções e construir bons resultados.

Um levantamento feito pela Social Miner, plataforma de automação de marketing para e-commerce, identificou que em 2017, nove dias antes do evento ter início houve um pico de cadastros de novos usuários nas lojas virtuais, ocasionando, em média, um aumento de 240% de visitas em relação à média dos dias anteriores.

Como já ocorreu em anos anteriores, o aumento de representatividade do mobile no dia a dia da população não se reflete tão intensamente no comportamento de compra e pesquisa de ofertas.

Durante a última edição da Black Friday os consumidores optaram por usar o desktop como principal dispositivo tanto de pesquisa quanto de compras. Enquanto 74% das compras tiveram como origem os desktops, apenas 25% aconteceram via mobile.

PICO DE COMPRAS

O relatório mostra que o primeiro pico de acessos ocorreu poucas horas antes da data oficial do evento (24/11/2017), às 21h do dia 23/11, quando muitos e-commerces iniciavam suas comunicações.

Já às 22h, quando muitos sites anteciparam ofertas, houve o pico de compras que voltou a crescer durante a sexta às 5h atingindo outros dois picos, um às 13h e outro às 21h.

Além disso, o número de visitas caiu durante a sexta, porém, as conversões se mantiveram em alta, demonstrando que o consumidor já havia pesquisado sobre os produtos e sua visita era melhor qualificada.

CONFIANÇA NA LOJA

Avaliando a base de pessoas já cadastradas, o levantamento identificou um alto número de Recompras (47%), ou seja, clientes recorrentes que já haviam feito uma compra anteriormente naquele site.

TAXA DE CONVERSÃO

Numa comparação com o dia anterior a Black Friday, a taxa de conversão do evento teve um aumento médio de 46%. Varejo e educação foram as categorias com melhor desempenho.

Ao monitorar os preços praticados pelo varejo online entre os dias 17 e 24/11, o estudo mostra que Eletrodomésticos foi a categoria com a melhor média de descontos durante a Black Friday (- 15,28%), seguida por Eletrônicos (-11,26%), Cosméticos (-10,38%) e Moda (-10,35%).

São Paulo (21,98%), Minas Gerais (15,50%) e Rio Grande do Sul (9%) foram os Estados com o maior volume em vendas durante a edição desse ano da Black Friday.

Os dados do estudo foram obtidos por meio da avaliação e do monitoramento de mais de 21 milhões de usuários cadastrados e monitorados pela Social Miner e dos 230 milhões de registros de comportamento, realizados entre 1º de outubro e 24 de novembro de 2017.

Outra pesquisa realizada pelo Zoom, aplicativo de comparação de preços, revela que o evento já está no calendário dos brasileiros, pois 95% dos entrevistados têm intenção de aproveitar as ofertas.

De acordo com o estudo, 58% afirmam ter feito uma reserva financeira para aproveitar as ofertas e a mesma parcela de consumidores pretende gastar mais de R$ 1 mil no próximo 23 de novembro.

Esse ano, 62% pretendem aproveitar a data para antecipar os presentes e Natal. As categorias de produtos mais desejadas são: eletrônicos (53%), eletrodomésticos (52%), celulares/smartphones (50%), artigos de informática (38%) e itens de casa e decoração (23%).

Sobre a experiência de compra de 2017, apenas 11% tiveram algum problema com as compras feitas durante a Black Friday e outros 65% não pretendem realizar compras esse ano porque não acreditam que os descontos sejam reais.

Thiago Flores, CEO do Zoom, diz que na hora de escolher em qual loja aproveitar a Black Friday, o preço ainda é o fator determinante – para 77% dos usuários. No entanto, Flores destaca que a preferência não exclui a importância dos varejistas oferecerem uma boa experiência de compra, especialmente, em um momento com uma demanda tão alta.

“Isso se torna um desafio. Receber o seu produto no prazo e poder contar com um atendimento personalizado no pós-venda são fatores cada vez mais importantes para os consumidores”, diz.

FOTO: Thinkstock