Negócios

Natura compra Avon e abre nova frente no segmento popular


Com a aquisição, a marca brasileira passará a ter faturamento bruto anual superior a R$ 40 bilhões e mais de 40 mil colaboradores


  Por Estadão Conteúdo 22 de Maio de 2019 às 18:31

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A brasileira Natura anunciou nesta quarta-feira, 22/05, a compra da Avon, em uma operação de troca de ações. Segundo a companhia, o negócio vai criar o quarto maior grupo de cosméticos do mundo.

O acordo traz uma quarta marca para a holding da Natura, que já controlava a própria Natura, a britânica The Body Shop e a australiana Aesop. A Avon é avaliada em cerca de US$ 2 bilhões (R$ 8 bilhões), de acordo com fontes ligadas ao negócio.

A transação vai criar uma nova holding brasileira,  Natura Holding S.A, na qual os atuais sócios da Natura terão 76% de participação, contra 24% dos atuais acionaistas da Avon. Com a aquisição, a Natura & Co. passará a ter faturamento bruto anual superior a US$ 10 bilhões (R$ 40 bilhões), mais de 40 mil colaboradores e presença em cem países.

Com a inclusão da Avon em seu portfólio, a Natura tenta crescer no segmento mais popular de cosméticos. A empresa já está presente em segmentos de maior valor agregado, após a aquisição da britânica The Body Shop, e no de luxo em 2017, e com a australiana Aesop (sua primeira grande aquisição, em 2013).

Segundo comunicado divulgado pela Natura sobre o negócio, a transação vai ajudar a empresa a "atender seus diferentes perfis de clientes, em diversos canais de distribuição, expandindo sua atuação para novas regiões".

DIFICULDADES DA AVON

Ao optar pela troca de ações, a Natura conseguiu colocar para dentro de casa um negócio grande e complexo, sem se expor de financeiramente de forma significativa, conforme análise do banco Brasil Plural.

"Apesar disso, com a aquisição, a Natura vai enfrentar uma série de desafios relativos ao apelo e às operações logísticas da marca Avon, à medida que a companhia vem enfrentando dificuldades em todos os seus principais mercados". O banco aponta ainda que a Natura "terá de investir para recuperar as operações globais (da Avon), enquanto já empreende um trabalho de reestruturação da The Body Shop".

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Os erros da operação da Avon foram muitos nos últimos anos e incluíram problemas de logística em diferentes mercados e a perda de relevância da marca com uma consumidora com muito mais opções de escolha. Após duas trocas de presidente – e de ter recusado oferta de compra da Coty por US$ 11 bilhões, em 2012 –, a Avon dos Estados Unidos acabou nas mãos do fundo Cerberus, conhecido como “abutre”, ou seja, especializado em empresas em dificuldades.

Apesar de combalida, a Avon pode servir como linha popular para a Natura, além de servir como plataforma para o lançamento da “marca-mãe” em solo americano. Segundo uma fonte envolvida no acordo, as conversas entre as empresas foram retomadas na terça-feira. Toda a negociação está sendo feita nos EUA e envolve bancos de investimento como Goldman Sachs, Morgan Stanley e UBS.

CADE

Segundo o comunicado da Natura, após a conclusão da aquisição, o conselho de administração será composto por 13 membros, sendo que três serão escolhidos pela Avon. A transação está sujeita aos acionistas das duas companhias e também por órgãos reguladores, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A conclusão da operação é esperada para o início de 2020.

A Natura &Co foi assessorada pelos bancos UBS e Morgan Stanley, enquanto a Avon foi auxiliada por Goldman Sachs. Os membros do conselho de administração da Avon foram assessorados pela PJT Partners.

 

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