Gestão

5 marcas que vendem muito mais do que produtos


O preconceito perdeu espaço no mundo da propaganda, que agora está engajada em associar marcas a causas representativas na onda do "politicamente correto"


  Por Mariana Missiaggia 07 de Novembro de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A popularização das redes sociais deu voz à sociedade e gera debates. Temas como racismo e feminismo, entre outras questões de gênero, fervilham na internet.

Assumir um posicionamento se tornou quase um hábito diário na comunidade -com reflexos também no mundo dos negócios.

Há marcas que já perceberam essa tendência e passaram a fazer parte de um time de empresas que adotam campanhas de engajamento.

Algumas encontraram meios mais sustentáveis de produção. Outras modificaram radicalmente o papel da mulher nos comerciais de TV para se enquadrar nos padrões do chamado politicamente correto.

Embora boa parte da percepção de compra ainda esteja baseada em qualidade, preço, recomendações, necessidade e tantos outros motivos, algumas iniciativas já se destacam como um diferencial.

Para grupos crescentes de consumidores, a sustentabilidade se tornou um fator decisório durante o processo de compra.

MEIO AMBIENTE

Isso se expressa no interesse na aquisição de produtos mais sustentáveis, com preocupação não só ambiental, mas também social em seu desenvolvimento e vendas. Pesquisas demonstram que há um impacto direto no vínculo de confiabilidade com a marca.

Atenta às consequências ambientais da indústria da moda, a C&A alcançou a marca de 40% de suas peças produzidas com algodão mais sustentável.

Ocorre que, em muitos casos, o plantio do algodão é responsável pelo uso abusivo de agrotóxicos e pesticidas, que são nocivos aos animais, ao solo e aos humanos que trabalham na colheita.

A C&A estabeleceu como meta de até 2020, trabalhar com 100% dos produtos à base de algodão utilizando matérias-primas orgânicas e sustentáveis, como o algodão certificado BCI ou REEL.

DIVERSIDADE

Com o posicionamento “Beleza Fora da Caixa” que celebra a pluralidade das mulheres, há mais de dez anos, a Unilever direciona suas campanhas dos produtos Dove para a relação das mulheres com a beleza.

A cada nova publicidade lançada, a marca reforça que é exceção em meio a uma sociedade em que é fundamental atender a certos padrões de beleza.

Em 2016, a marca da Unilever realizou a pesquisa global “Há uma Beleza nada Convencional”, que apresenta dados sobre a pressão vivida pelas mulheres em seguir um modelo de beleza e o impacto desse sentimento na autoestima.

De acordo com o estudo, 76% das brasileiras acreditam que os meios de comunicação e a publicidade são responsáveis por criar esses estereótipos.

Reconhecendo a necessidade de mudança, a Dove convidou as mulheres a integrarem o movimento #BelezaForadaCaixa.

Durante 30 dias, a marca trocou a foto de perfil na página oficial do Facebook por retratos de mulheres reais que enviaram suas fotos e histórias ao site da campanha.

LEIA MAIS: A segunda chance da Lush: o que aprender com o renascimento da marca no Brasil 

CAMPANHA DA LUSH

Com uma pegada sustentável, a Lush também se tornou uma grande defensora da comunidade LGBTQ. 

Alguns dos produtos da marca carregam a hashtag #gayisok na embalagem. Em uma campanha de 2015, a marca perguntava aos clientes que entravam nas lojas: “E se o seu amor fosse ilegal?”.

A intenção era encorajá-los a postar selfies com um sabonete específico, o Amor, que é dourado e carrega a #GayIsOk em prol da igualdade.

A ação arrecadou cerca de 250 mil libras com a venda do sabonete. Desta quantia, 50 mil foram doados para o movimento All Out por seus esforços ativistas ao redor do mundo para acabar com leis que proíbem a homossexualidade, fazer com que as pessoas possam identificar seu gênero sem medo, acabar com a violência e permitir que as pessoas possam falar sobre igualdade de maneira aberta.

Engajada, a empresa se manifesta abertamente contra a homofobia em seu site e redes sociais. A Lush também já divulgou um estudo completo sobre a situação dos direito LGBTQ ao redor do mundo, revelando fatos, como, por exemplo, de que ser homossexual é ilegal em 76 países. 

Por anos veiculando propagandas que nestes tempos são consideradas machistas, a Ambev reposicionou a marca Skol e trouxe mulheres engajadas para reescrever a história da marca.

Há dois anos, uma campanha de carnaval realizada pela cervejaria espalhou cartazes em pontos de ônibus com os dizeres “Esqueci o ‘não’ em casa”.

CAMPANHA DA SKOL: SINAL TROCADO

A ação foi bombardeada nas redes sociais e a Ambev tirou as peças de circulação. A polêmica causou a substituição do diretor de marketing da companhia por uma mulher. 

Desde então, a empresa abraçou o feminismo, assinou os princípios da ONU Mulheres e hoje, recebe grupos LGBT para discutir essas questões.

No Carnaval, a Skol apoiou uma campanha contra o assédio sexual, distribuindo mais de 50 mil apitos para mulheres em bloquinhos espalhados pelo País.

DIREITO DOS ANIMAIS

Valorizar sem explorar. Este é o lema da The Body Shop, rede inglesa de cosméticos naturais recentemente adquirida pela brasileira Natura, que combate testes de produtos em animais e engajar consumidores no projeto “Bio-Pontes”, que consiste em reflorestar 75 milhões de metros quadrados de áreas desmatadas em todo o mundo.

Em parceria com o Cruelty Free International a marca lançou uma campanha que consiste em um abaixo assinado global com o objetivo de eliminar, até 2020, testes com finalidade cosmética em produtos e ingredientes em todo o mundo.

No último Natal, a marca promoveu uma ação voltada para a conscientização ambiental e proteção de animais silvestres em extinção.

Em todas as lojas da rede, as peças traziam imagens bem humoradas e divertidas em que o papai Noel dava lugar aos animais selvagens, caracterizados com adereços natalinos em um clima totalmente selvagem.

Além disso, a The Body Shop também adotou uma série de metas em prol da sustentabilidade, como, por exemplo, abastecer 100% das lojas com energia renovável ou controle de carbono até 2020.

FOTOS: Thinkstock e Divulgação