Negócios

Indústria da construção teve retração de 6% em 2017


Para chegar ao campo positivo em 2018 é preciso que o governo avance em uma série de regulamentações e medidas administrativas, de acordo com a CBIC. No terceiro trimestre, as vendas de imóveis caíram 5,1%


  Por Estadão Conteúdo 11 de Dezembro de 2017 às 13:54

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O setor de construção civil encolheu pelo quarto ano seguido em 2017, com crescimento negativo de 6%, de acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

Martins espera um número no campo positivo para 2018. Mas, para isso, é preciso que o governo avance em uma série de regulamentações e medidas administrativas. 

Para o presidente, um avanço desses itens poderia proporcionar um crescimento de 2% para o setor em 2018. 

"Não é desoneração tributária, não é aportar mais dinheiro público", afirma. "Mas sem avanço na agenda regulatória, o setor amargará outro ano de retração." 

Um dos principais pontos é destravar o crédito na Caixa, hoje bloqueado pela necessidade de capitalização para enquadrar-se nas regras prudenciais da Basileia. De acordo com Martins, o compromisso do Senado é avaliar a questão esta semana.

Esse, porém, não é o único problema na instituição. Segundo Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Obras Públicas da CBIC, o fato de o banco haver elevado as exigências de classificação de risco do mutuário para liberação de empréstimos na área de saneamento, por exemplo, é um dos problemas.

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Há, ainda, demora na contratação dos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo Martins, das 20 mil unidades autorizadas em junho, só foram contratadas 1.000 até agora.

Na semana passada, ele reuniu-se com o presidente Michel Temer e sugeriu que, nas seleções dos empreendimentos para o programa, sejam priorizados os projetos que já estão prontos.

Ainda em relação a financiamentos, Martins atacou estudos em curso no Banco Central para mexer no direcionamento dos recursos da caderneta de poupança para o setor imobiliário.

Se isso for feito, alertou, os bancos optarão por financiar empreendimentos na Berrini, mas não haverá recursos para cidades menores.

"O maior problema é ter só três bancos privados".

Outra medida aguardada pelo setor é a regulamentação do programa de concessões em rodovias para fazer manutenção, as chamadas "concessões light".

Por exigir menos investimentos, elas permitem o acesso de construtoras de menor porte. Os gastos anuais do governo para conservação de suas rodovias é de R$ 4,8 bilhões.

Se o programa for adiante, permitirá contratar obras no País inteiro. Sobre esse ponto, a promessa do governo é divulgar a MP em fevereiro.

O setor aguarda ainda a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida (LIG). Aprovada há cerca de dois meses no Congresso, ela já foi regulada pelo Banco Central.

Mas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sinalizou que só concluirá sua regulamentação em abril, segundo o executivo. É um prazo considerado muito longo.

Outro item da pauta é a regulamentação do distrato, que está em análise no Congresso Nacional.

MERCADO IMOBILIÁRIO

Apesar dos sinais de recuperação da economia brasileira, o mercado imobiliário ainda opera no campo negativo em 2017, segundo a CBIC. No terceiro trimestre deste ano, as vendas de imóveis caíram 5,1% na comparação com o segundo trimestre. A quantidade de lançamentos recuou 11%. 

Considerando os dados acumulados no ano, de janeiro a setembro as vendas apresentam queda de 1,5% na comparação com igual período de 2016. A quantidade de lançamentos recuou 8,6% no mesmo período.

Mas, na comparação do terceiro trimestre deste ano com o terceiro trimestre de 2016, os números já mostram reação. As vendas tiveram elevação de 4,2% e os lançamentos, de 14,7%. "O resultado consolidado do ano será conhecido no início de 2018, mas a tendência é que esse segmento fique estagnado em 2017", informa a entidade.

A expectativa do setor é de melhora em 2018, a depender da capacidade do governo de destravar o crédito e melhorar o cenário jurídico para os investimentos.

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