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Fnac anuncia que vai encerrar sua operação no país


No Brasil desde 1998, quando adquiriu os ativos da Ática Shopping Cultural, a rede francesa planejava uma expansão meteórica, o que acabou não se concretizando


  Por Estadão Conteúdo 01 de Março de 2017 às 09:57

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Um mês após trocar o comando no Brasil, a rede francesa Fnac Darty, de livros e produtos eletroeletrônicos, planeja deixar o Brasil.

A companhia anunciou ontem, na divulgação de seu balanço global de resultados, que a subsidiária brasileira foi classificada como uma “operação descontinuada e que o grupo vai buscar um parceiro” para passar o negócio adiante.

Com desempenho de vendas considerado fraco – o Brasil responde por menos de 2% da receita total do grupo –, a Fnac já estava procurando há algum tempo sair do País, informou uma fonte de mercado ao jornal O Estado de S.Paulo.

“O modelo de negócio se tornou problemático nos últimos anos com a concorrência da vendas de livros online. O grupo chegou a conversar com muitas empresas, mas não conseguiu passar a operação adiante”, disse essa fonte.

Há um mês, a diretora-geral, Claudia Soares, ex-GPA (Grupo Pão de Açúcar), deixou o comando da Fnac.

O executivo Arthur Negri, ex-Blockbuster, assumiu as operações no Brasil. Procurada, a subsidiária do grupo no País informou que não vai se pronunciar.

No Brasil desde 1998, quando adquiriu os ativos da Ática Shopping Cultural, a rede francesa planejava uma expansão meteórica, o que acabou não se concretizando.

Foi o primeiro investimento fora da França da Fnac, disse ontem uma pessoa familiarizada com o tema.

Para tentar incrementar suas vendas, a rede mudou o formato de suas lojas – que foi reduzido –, além do portfólio de produtos. Até o fim do ano passado, a Fnac tinha 12 lojas em território nacional.

Além da crise financeira no País, a concorrência com as vendas de livros pela internet acabaram afetando a expansão da rede e de outras livrarias, segundo fontes.

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“Houve uma tentativa de aproximar a Fnac da Saraiva no passado, mas não deu certo”, disse outra pessoa a par do assunto.

Controlada pela família Pinault, que é a segunda mais rica da França e dona do grupo Kering, de marcas de luxo, como Gucci, Balenciaga e Alexander McQueen, e da Puma, a Fnac Darty anunciou ontem um faturamento global de  7,418 bilhões de euros, crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados anuais estão consolidados pro forma, uma vez que a francesa Fnac comprou o grupo rival Darty no ano passado.

Antes da união com a Darty, o faturamento total da Fnac ao fim de 2015 somava cerca de 4 bilhões de euros – somente a receita do Brasil no período foi de 138 milhões de euros, queda de 7,5%, de acordo com o balanço do grupo.

Em notas explicativas em seu balanço, a companhia informou, à época, que o País passava por uma crise econômica e que, além da queda nas vendas, o mercado se mostrava resiliente por conta das vendas pela internet.

Os Pinaults são os principais concorrentes da família francesa Arnault, de Bernard Arnault, o homem mais rico da França e presidente executivo do grupo LVMH, que abriga as marcas de luxo Louis Vuitton e Hermés.

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Fora da Europa, o grupo Fnac também está presente na África – Costa do Marfim e Marrocos – e no Oriente Médio, no Catar. No entanto, não há nenhuma orientação para que essas lojas também sejam descontinuadas.

Em comunicado ao mercado, Alexandre Bompard, presidente global, classificou os resultados de 2016 do grupo (já com os dados consolidados da Darty) como “sólidos”.

“Todos os indicadores são saudáveis. A força do nosso modelo de negócio e a robustez da nossa posição financeira são como o novo grupo começa sua história”, disse o executivo, citando a aquisição da Darty.

Em entrevista ontem ao jornal francês Le Figaro, Bompard disse que, “com exceção do Brasil”, os mercados onde o grupo atua têm potencial para crescimento sólido e que a aquisição da Darty trará ganhos para a expansão do grupo, um dos maiores da Europa.

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A reportagem procurou a matriz da Fnac, que não respondeu aos pedidos de entrevista.

FOTO: Guilherme Stutz/Estadão Conteúdo