Negócios

Facesp reúne mulheres que moldaram o empreendedorismo brasileiro


O 1º Encontro Liberdade para Empreender – protagonismo feminino nos negócios, reuniu empresárias do porte de Luiza Trajano (foto acima), Marcella Kanner e Paula Torres, que compartilharam suas histórias de sucesso


  Por André de Almeida  11 de Março de 2020 às 07:00

  | Repórter andre.dcomercio@gmail.com


De acordo com dados do Sebrae, as mulheres ganham em média 22% a menos do que os homens. O desemprego também é maior entre as trabalhadoras, 13,1%, contra 9,2% entre o sexo masculino. Com o objetivo de transformar a vida de mulheres por meio da capacitação e gerar trabalho e renda através do empreendedorismo, foi lançado oficialmente nesta terça-feira, 10/03, o Programa Facesp Mulheres.

O projeto, uma iniciativa do Conselho da Mulher Empreendedora e Cultura (CMEC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) - em parceria com o Sebrae-SP - foi apresentado durante o 1º Encontro Liberdade para Empreender – protagonismo feminino nos negócios. O evento, idealizado como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher, foi realizado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

 “Quando assumi o Conselho, pensei em um projeto que pudesse modificar a vida de mulheres de todas as classes sociais, para que elas pudessem ser protagonistas de suas próprias histórias, fomentando, também, o desenvolvimento de suas regiões”, disse a presidente do CMEC, Ana Claudia Cotait. “Procurando o Sebrae-SP, tive todo o apoio da entidade, que prontamente abraçou a iniciativa”, afirmou.

PARA ANA CLAUDIA COTAIT, PRESIDENTE DO CMEC,
PARCERIA COM O SEBRAE COLOCA AS MULHERES NO
PAPEL DE PROTAGONISTAS

Exemplo clássico de mulher que mudou sua vida por meio do empreendedorismo, Luiza Helena Trajano, dona do magazine Luiza, esteve presente ao evento. Ela lembrou que com o desemprego elevado, cada vez mais mulheres têm se tornado empreendedoras para garantir o sustento da família.

“A sociedade precisa entender que as mulheres são cada vez mais protagonistas. Não há mais como ignorar nosso espaço nos conselhos de empresas. É inadmissível ter mulheres ganhando menos que homens no mesmo cargo”, disse Luiza.

Para ela, o segredo para conseguir sucesso como empresária é não se sentir menor que os homens. “Eu nunca me vitimizei. Sempre fui feminina nos negócios, chorava muitas vezes com a pressão, mas nunca me fiz de vítima”, afirmou a dona do Magazine Luiza.

A empresária observou, entretanto, que não se pode comparar uma mulher executiva com uma operária, “que sai às cinco da manhã de casa para trabalhar e volta para passar roupa”. Segundo ela, “a desigualdade social para as mulheres faz muita diferença.”

Nesse sentido, o programa Facesp Mulheres pode ser um caminho para dirimir essa desigualdade de oportunidades para empreender.

O PROGRAMA FACESP MULHERES

O programa atua em duas vertentes. A primeira delas é a capacitação, por meio de cursos oferecidos pelo Sebrae e pela Facesp, das conselheiras e coordenadoras de todos os CMECs das Associações Comerciais do estado de São Paulo filiadas à Facesp. A outra ação é a capacitação de empresárias associadas e potenciais empreendedoras das diversas regiões paulistas.

Por meio do acordo, o Sebrae vai colocar à disposição do programa funcionários de cerca de 30 escritórios regionais espalhados por aproximadamente 200 cidades do Estado.

Os módulos e cursos abrangerão conteúdos como técnicas de liderança, motivação de equipe, orientação para a formação de conselhos de mulheres, capacitação em formalização e gestão de negócios, entre outros.

Além da capacitação, o Facesp Mulheres apoiará um programa de negócios para a formalização das empreendedoras, acesso a microcrédito orientado e acesso a novos clientes.

“Esse projeto nasce com foco, objetivo e com a participação de importantes entidades e lideranças. As mulheres querem e conseguem vencer muito mais que os homens. Para isso é preciso arriscar. Por meio desta iniciativa vamos valorizar e respeitar a mulher, contribuindo para o desenvolvimento regional”, afirmou o diretor técnico do Sebrae-SP, Ivan Hussni.

DIVERSIDADE FOI UM DOS TEMAS DEBATIDOS NO ENCONTRO. PARA MAITÊ SCHNEIDER
(SEGUNDA DA DIR. PARA ESQ.) INCLUSÃO DEVE SER ALGO TRATADO COM NATURALIDADE

Uma das palestrantes que também declarou apoio ao programa foi Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), a maior plataforma de fomento ao protagonismo feminino por meio do empreendedorismo. “Não importa de onde você veio, o importante é o seu papel na sociedade. E as mulheres, que são mais da metade da população do planeta, devem buscar formas para conquistar sua independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas”, disse.

FOCO NA DIVERSIDADE

Para além da figura feminina, o respeito à diversidade também foi destacado no evento. Maitê Schneider, co-fundadora do Transempregos, salientou a importância de se superarem os preconceitos.

“Inclusão acontece quando as pessoas param de contar. Enquanto continuarmos falando em ‘tantos negros’, ‘tantos homossexuais’, ou ‘tantas mulheres’ tem numa empresa, não existirá inclusão”, disse Maitê.

Para Claudia Luna, presidente da Comissão de Mulheres Advogadas da OAB, diversidade tem de ser vista como uma lógica de mercados. “Se os clientes não se enxergarem nos produtos e nas dinâmicas desenvolvidas pelas empresas, eles não vão comprar”, afirma.

ALFREDO COTAIT, PRESIDENTE DA FACESP, LEMBROU QUE
EMPREENDER SÓ FUNCIONA SEM AS AMARRAS DO ESTADO

Dentro desse espírito, Marcella Kanner, diretora de marketing da Riachuelo, disse que está buscando a diversidade dentro da sua equipe. “Esse é meu sonho. Não adianta termos pessoas que pensam da mesma maneira na mesa de reunião porque não vamos conseguir entregar o que nosso público, que é democrático, quer”, disse

ASSOCIATIVISMO

A importância da vida associativa e do associativismo foi debatida pelos participantes do evento. Eles destacaram o exemplo da Facesp, com mais de 420 associações comerciais filiadas e 200 mil empresas associadas.

“Somos uma rede de mais de 250 mil empreendedores e também uma rede política, que tem voz na defesa de seus valores e ideais”, afirmou o presidente da ACSP e da Facesp, Alfredo Cotait.

O dirigente aproveitou a ocasião e também destacou a importância da aprovação das reformas tributária e administrativa, em discussão no Congresso Nacional. “A liberdade de empreender, tema deste evento, só existe se o Estado diminuir as amarras em cima dos empreendedores”, disse Cotait.

“É importante a união de todos os empreendedores. Unidos podemos reverter crises e explorar novas oportunidades. Juntos somos mais fortes”, completou Ana Cláudia.

 *com Renato Carbonari Ibelli

 IMAGENS: Paulo Pampolin e Newton Santos