Negócios

Dark stores, o formato que acelerou o futuro do e-commerce


A quarentena fez as vendas on-line explodirem, mas programar uma entrega para daqui 20 dias já não atende mais ao consumidor. Com o avanço digital, a briga das varejistas é por prazos mais curtos, quase que em tempo real


  Por Mariana Missiaggia 19 de Agosto de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Mudanças, adaptações e transformações. O setor varejista tem se reinventado a cada dia desde o surgimento do novo coronavírus. Vender pela internet, para muitos, se tornou a única possibilidade de sobrevivência.

No entanto, a adaptação do consumidor foi tão rápida, que a necessidade e a demanda por essa conveniência só cresceram nos últimos meses. Junto ao aumento das vendas, as inovações do canal on-line permitiram certas conveniências à população que devem ser enraizadas ao comportamento de consumo.

A pesquisa 2018 Global Consumer Insights Survey, realizada pela consultoria PwC, indica que praticamente dois terços dos brasileiros (64%) estão dispostos a pagar mais caro no frete por uma entrega mais rápida, se possível no mesmo dia.

Já não basta um e-commerce ativo, é preciso que o produto ofertado esteja disponível e chegue o mais rápido possível até o comprador. Tal senso de urgência criado por gigantes varejistas como Walmart e Target, tem sido replicado por meio do conceito de “dark stores”, que no Brasil pode ser chamado de ponto de armazenamento e coleta.

Localizados próximos a áreas onde há maior densidade populacional e muitas vezes, com hábitos de consumo identificados pelos varejistas, esses depósitos, ou “dark stores”, são os grandes responsáveis por encurtar a distância entre o produto e o consumidor final, permitindo entregas em até 24 horas.

Em algumas delas, os consumidores podem ir buscar os produtos que compraram on-line, mas pegam a compra já embalada se entrar na loja. No Brasil, uma das empresas que já aplica o conceito é a varejista Magazine Luiza, que além da entrega, dá a opção de retirada em seu centro de distribuição.

Um bom exemplo da relevância desse novo formato pode ser observado pela baixa digitalização de supermercados. Com uma logística complexa, a maioria dos supermercados ainda não oferece bons serviços de entrega. Apesar da facilidade em atender um grande número de clientes em um período curto por conta do volume de estoque, o número reduzido de redes que ofertavam a compra pela internet fez com que os prazos de entrega fossem recalculados para mais de 20 dias.

De olho nesses consumidores desabastecidos durante a pandemia, os marketplaces que vendem majoritariamente eletroeletrônicos foram rápidos ao diversificar suas vendas ampliando, num primeiro momento, a oferta de produtos de limpeza e higiene — como papel higiênico.

Logo em seguida, se prepararam para alavancar a oferta de bebidas e alimentos não perecíveis, como arroz e feijão. Hoje, esses produtos são vendidos por terceiros nas plataformas desses marketplaces gerando um número cada vez maior da chamada compra de recorrência.

LEIA MAIS: O novo jeito de entregar do Mercado Livre

Um cálculo feito pela Compre&Confie mostra que o prazo médio prometido de entrega no Brasil foi de quase 21 dias em março, no início da pandemia, algo que desestimula os clientes. Enquanto isso, nomes como o Mercado Livre, já oferecem prazos mais curtos, de um ou dois dias por ter superado o maior desafio da venda on-line, a parte final da entrega.

À medida que os consumidores se adaptam a comprar itens de menor valor e de uso diário pela internet, a entrega precisa ser mais ágil e barata, complicando cada vez mais a escolha por centros de distribuição afastados.

Por essa razão, muitos empresários impossibilitados de abrir durante a pandemia transformaram suas lojas em verdadeiros centros de distribuição. Uma pesquisa realizada no primeiro trimestre de 2019 pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) já antecipava esse formato como uma tendência também no ramo de alimentação.

O material revela que 12% dos negócios de comida são dedicados exclusivamente às entregas. A forma de produção é conhecida pelo nome de “dark kitchen”, em que o restaurante não possui mesas, garçons ou um serviço de atendimento. Apenas produz as refeições em uma cozinha e as envia.

AS AMERICANAS QUE PRATICAM

Nos Estados Unidos, a prática tem sido implantada no espaço físico de lojas com pouco movimento ou baixo lucro. A Whole Foods converteu algumas lojas de Los Angeles e Nova York durante a pandemia. Outras redes de supermercados como Kroger e Giant Eagle também testam o conceito com depósitos temporários, onde anteriormente, funcionavam lojas.

Acompanhando a tendência, a Bed Bath & Beyond anunciou recentemente a transformação gradual de 25% de suas lojas em centros regionais de atendimento para fazer entregas mais rápidas durante a pandemia.

Na categoria marketplace, a Amazon é uma verdadeira potência nesse sentido. São mais de 400 instalações ativas, com quatro modalidades diferentes (fulfillment, hubs, sortation centers e delivery stations). Cada uma delas cumpre um papel na rede, que já consegue atender quase 80% da população norte-americana em até 24 horas.

Para conseguir volume de estoque de seus vendedores, a empresa começou a oferecer descontos de até 75% nas tarifas de armazenagem. Para ocupar essa posição, é preciso ter vendido no mínimo 60 unidades de um produto por mês, além de conseguir manter de 4 a 8 semanas de estoque na rede da empresa.

 

FOTO: Pixabay





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