Negócios

O novo jeito de entregar do Mercado Livre


Com logística própria, empresa irá investir cerca de R$ 4 bilhões para otimizar a operação, que terá dois novos centros de distribuição, e reduzir o prazo de entrega para 48 horas


  Por Mariana Missiaggia 31 de Julho de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


No momento em que cresce a demanda pelo comércio eletrônico, empresas que garantem variedade, entrega e qualidade podem entrar de vez para o rol de opções dos consumidores.

Com 5 milhões de novos clientes nos últimos meses, o Mercado Livre tem se consagrado como um dos principais marketplaces do país focado na expansão da rede logística com novas opções de entrega, segundo Ricardo Lagreca, diretor sênior de jurídico e relações governamentais no Mercado Livre.

Superando números históricos como os da Black Friday, a empresa bateu o recorde de 1,4 milhão de pedidos em um dia durante o período de isolamento social. Tal valorização é reflexo do que acontece com todo o mercado de varejo. Antes da pandemia, a participação do comércio eletrônico no total de vendas no Brasil era de 5,6%. A expectativa é de que esse número, no mínimo, dobre em 2020.

Na última quarta-feira (29/7), Lagreca participou de uma discussão sobre os impactos da pandemia com integrantes do Conselho de Política Urbana (CPU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Com a premissa de realizar entregas cada vez mais rápidas, neste ano, a empresa irá investir quase o total de R$ 4 bilhões na malha logística brasileira, incluindo a abertura de mais um centro de distribuição, em Lauro de Freitas, na Bahia, além dos que já funcionam em Louveira e Cajamar, no interior de São Paulo.

Até o final de 2012, a única forma possível de receber um produto comprado na plataforma seria conversando com o vendedor, negociando prazo, postagem e preço da entrega. Embora numa parcela bem menor, a modalidade ainda exista e é mais utilizada por micro e pequenos empresários. 

Atualmente, mais da metade de tudo o que é vendido na plataforma é entregue pela própria empresa, em no máximo dois dias.

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Com a expansão das operações logísticas no país, a empresa já disponibiliza outras opções. As principais e mais recentes são o cross docking, que é a coleta na casa do vendedor e, também, o fulfillment, onde o Mercado Livre armazena o estoque do vendedor.

Neste último modelo, Lagreca explica que os centros de distribuição funcionam como postos de estoque avançado para marcas que já sustentam um volume recorrente de vendas no site. Ou seja, os centros armazenam itens antes mesmo de eles serem pedidos, diminuindo o prazo de entrega para menos de dois dias, em média.

O outro formato, chamado de cross docking, consiste na coleta diária de mercadorias, que permanecem menos de 24 horas dentro dos armazéns sendo organizados e embalados para seguirem viagem para entrega nos destinos finais. Além de eliminar o processo de estocagem, esse procedimento permite mais agilidade na entrega, reduz custos logísticos e permite melhor aproveitamento dos veículos de entrega. Em São Paulo, mais de mil motoristas fazem parte de toda essa sinergia.

"Internalizar e centralizar o controle da operação de um e-commerce de ponta a ponta é importante, independentemente de um período de pandemia, pois conseguimos ser mais rápidos e baratos", diz. "Antes disso, o aumento do volume dependia da capacidade do parceiro logístico."

Desde então, houve uma alteração no movimento de buscas na plataforma. De imediato, as compras de itens de saúde e equipamento médico, como luvas e máscaras, cresceram 300%, bem como a categoria de alimentos (164%).

Com a extensão da quarentena, a procura por itens de casa, como móveis e decoração, subiu 84%. Atualmente, produtos que facilitem o home office, como celulares e notebooks, lideram a lista de compras, seguidos pela venda de vídeo games e fitness.

Como mais de 90% do quadro funcional da empresa tem trabalho remoto, a companhia tem reforçado os cuidados de prevenção para os profissionais que permaneceram responsáveis pelos serviços logísticos - aproximadamente 10% dos 11 mil colaboradores na América Latina.

Replicando boas práticas de países como a China e a Coréia do Sul, a gestão brasileira do Mercado Livre tem dividido as operações em células de 5 a 8 pessoas, para que dessa forma, se houvesse alguma suspeita de infecção do novo coronavírus, poderiam isolar a célula de trabalho em questão.

Além da redução de contato entre as pessoas, foram intensificadas as ações de limpeza em cada troca de turno, assim como a constante higienização de ferramentas e postos de trabalho.