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China é maior destino (em volume) das exportações brasileiras


A participação da China nas exportações do Brasil passou de 4,2%, em 2002, para 26,6%, em 2018, de acordo com estudo da FGV


  Por Estadão Conteúdo 17 de Julho de 2019 às 09:32

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


As exportações brasileiras recuaram 10,4%, em valor, na comparação de junho deste ano com o mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, a queda chegou a 3,5%.

Os dados são do Índice de Comércio Exterior (Icomex) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

De acordo com a FGV, o resultado foi puxado pela queda nas exportações para os principais parceiros do país: Estados Unidos, China e Argentina. No caso do nosso vizinho sul-americano, o recuo das vendas brasileiras é explicado pela crise econômica naquele país.

No caso da China, que é destino de 26% das nossas exportações, a queda do valor exportado em junho foi 4,1%. Segundo a FGV, houve uma queda de 3,7% no volume exportado e de 1,9% no preço desses produtos.

Em 16 anos, a China se tornou o principal mercado de destino das exportações brasileiras por causa da expansão dos volumes exportados e não dos preços, mostra análise especial do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) de junho, divulgado nesta quarta-feira (17/07), pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Segundo a análise, a participação da China nas exportações do Brasil passou de 4,2%, em 2002, para 26,6%, em 2018. A FGV disse, em nota, que o movimento "é explicado principalmente pela expansão do volume de comércio, pois apenas entre 2002/08 o crescimento dos preços superou o do volume, mesmo assim com uma diferença ao redor de 4 pontos de porcentagem". 

No mesmo período, a participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu de 25,4% para 12%, mostra a análise da FGV. De acordo com a entidade, houve queda no volume exportado para os EUA, "exceto na comparação entre os primeiros semestres de 2018 e 2019". 

"Nesse último período, as exportações para o mercado estadunidense cresceram 22,2% enquanto da China, 2,1%. Exportações do mercado aeronáutico (aviões, peças para aviões), petróleo e produtos siderúrgicos explicam o desempenho favorável nos Estados Unidos", diz a nota da FGV. 
 
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Quando se olha para a pauta de importações, a participação da China passou de 3,3% para 19,2% e a dos Estados Unidos, de 21,8% para 16%, sempre na comparação de 2002 com 2018.
 
"O crescimento médio anual das importações oriundas da China superou em todos os períodos as provenientes dos Estados Unidos. Em termos de preços, as diferenças foram favoráveis para a China (menor preço que os Estados Unidos) a partir de 2012", diz a FGV, sugerindo que a conclusão aponta para a necessidade de pesquisas mais detalhadas sobre a concorrência chinesa via preços. 

Elaborado com dados do Ministério da Economia, o Icomex de junho apontou ainda que o setor externo do Brasil fechou o primeiro semestre com avanço de 3,5% nas exportações e estabilidade nas importações, na comparação com o primeiro semestre de 2018, quando se considera os valores, ponderando volume e preços. 

Na comparação entre os primeiros semestres de 2018 e 2019, porém, o volume exportado cresceu (2%) liderado pelas commodities (7,5%), enquanto a variação nos preços foi negativa para as commodities.
 
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A análise por setor mostra que a liderança no crescimento do volume exportado seja na comparação mensal ou semestral coube à indústria extrativa.
 
No caso das importações, comparação entre os primeiros semestres, registrou aumento no volume de 2,5% e queda nos preços com igual porcentual, o que explica o valor não ter variado entre os semestres. A análise por setor registrou recuo nos volumes na comparação mensal, o que pode estar associado a uma desaceleração no ritmo de atividade", diz a nota da FGV.