Economia

Desempenho do varejo fica nas mãos de supermercados e farmácias


Segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a postergação da quarentena vai prejudicar ainda mais o desempenho do varejo nos próximos meses


  Por Instituto Gastão Vidigal 15 de Maio de 2020 às 14:47

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


A baixa demanda e, principalmente, o isolamento social, deflagrado pela pandemia do novo coronavírus, que obrigou a maior parte do comércio fechar, foram responsáveis pela contração observada no varejo durante o mês de março, segundo números do IBGE.

Para os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com relação aos próximos meses, a postergação da quarentena deve acentuar os recuos do varejo, que poderiam ser minimizados com a continuidade da expansão nos ramos farmacêutico e supermercadista e pelas medidas compensatórias dirigidas a recuperar parte da renda perdida pelos consumidores.

De acordo com o IBGE, em março, o volume de vendas do varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) mostrou contração de 1,2% sobre igual mês de 2019, menos intensa do que a esperada pelo mercado.

No varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) a queda chegou a 6,3%, a maior da série.

Em relação a fevereiro, livre de influências sazonais, as retrações também foram bastante intensas (2,5% e 13,7%, respectivamente).

Em 12 meses, contudo, os dados de março se diluem e, por isso, ainda se observaram altas para ambos tipos de varejo (2,1% e 3,3%, respectivamente).

Na comparação anual, o fechamento do comércio não essencial e o isolamento social foram os principais responsáveis por contrações recordes nas vendas de móveis e eletrodomésticos, outros artigos de uso pessoal e doméstico, equipamento e material de escritório, informática e comunicação, veículos, tecidos, vestuário e calçados e material de construção.

Por outro lado, nos casos de hiper e supermercados e artigos farmacêuticos, houve crescimento expressivo dos volumes comercializados, porque permaneceram abertos e também pela concentração das despesas em produtos básicos, por parte das famílias, frente à incerteza com relação à renda e emprego.

Esse crescimento, porém, não foi capaz de compensar as retrações observadas nos outros segmentos.

 

IMAGEM: Thinkstock