Economia

Criação de empregos beneficia 82% dos homens mais jovens


Esse foi o perfil de trabalhadores que mais conseguiu se inserir no mercado de trabalho entre janeiro e outubro desse ano, segundo análise da CNC


  Por Agência Brasil 18 de Dezembro de 2017 às 16:30

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Homens jovens com ensino superior completo ou incompleto foram os que mais conseguiram ser inseridos no mercado de trabalho até outubro deste ano.

É o que mostra a análise feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Do saldo de 302.189 vagas criadas, subtraindo as vagas fechadas, de janeiro a outubro, 82% foram ocupadas por trabalhadores do sexo masculino. Do total de vagas criadas, 750 mil foram ocupadas por jovens até 24 anos de idade.

Já entre os trabalhadores com 50 anos ou mais de idade, houve diminuição de 333.288 postos. Até outubro, foram abertas 116.641 vagas para trabalhadores com nível superior completo e 27.673 para nível superior incompleto.

O estudo aponta que, de janeiro a outubro de 2017, o saldo líquido da criação de empregos formais no país, entre admissões e desligamentos, ficou positivo em 302.189 postos de trabalho.

O número equivale a um aumento de 0,8% no número de pessoas ocupadas no país, em relação ao período anterior à análise, em dezembro de 2016. De janeiro a outubro do ano passado, houve perda de 730.417 postos de trabalho.

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De acordo com Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, a alta de 0,8% não chega a ser motivo de comemoração, mas acompanha o ritmo de crescimento da economia do país esperado para este ano.

O economista observa que as projeções eram de 0,8% até a divulgação do PIB, e foram revistas para 1%. "Mas a gente vê que o mercado de trabalho está ganhando velocidade muito lentamente, é bem provável que a gente tenha um aumento, no final de 2017, de aproximadamente 1% também", diz. "O que esse número significa? Não é um número espetacular, mas ele interrompe uma sequência longa de crise no mercado de trabalho”, completa.

Segundo o economista, a análise mostrou que a recuperação não está concentrada em uma parte do país e ocorre em 20 das 27 unidades da federação.

“Esse movimento está se espalhando. A gente olha a Região Sul, a Região Centro-Oeste, o Sudeste, excluindo o Rio de Janeiro, e já parte do Norte e Nordeste também com geração líquida de postos de trabalho. Isso dá para gente uma segurança e uma confiança maior de que o ano de 2018, do ponto de vista do emprego, vai ser melhor do que foi 2017”.

O estado com mais criação de vagas foi São Paulo, com 124.876, seguido de Minas Gerais, com 62.257, e Santa Catarina, que ficou com saldo de 46.170 postos de trabalho criados no período. O Rio de Janeiro teve perda de 82.443 vagas, seguido de Alagoas, com 9.362, e Paraíba, que diminuiu em 2.926 o número de empregos formais.

“Só sete estados ainda registram saldo negativo, com mais demissões do que contratações, alguns já estão praticamente zerados, o saldo está próximo de zero, e no Rio de Janeiro está longe disso", afirma. "Pelos números do próprio Caged, 84% da destruição dos postos de trabalho nesse momento estão concentrados no Rio de Janeiro - número que tem tudo a ver com a crise que passa o estado”, diz Bentes.

Por setor econômico, a agropecuária liderou a criação de vagas no período, com saldo de 105.091 postos, seguido de ensino, com 69.083 vagas, e serviços médicos, odontológicos e veterinários, que aumentou em 51.026 o número de postos de trabalho.

Por outro lado, o comércio varejista perdeu 57.469 postos, a construção civil diminuiu em 30.545 o número de vagas e o setor de serviço de alojamento, alimentação e reparação fechou 14.257 postos de trabalho formais.

Bentes lembrou que os dados analisados são anteriores à reforma trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro. Mas, apesar de os números de novembro ainda não terem sido divulgados, o economista afirma, usando o varejo como termômetro, que a reforma levará um tempo para engrenar. 

"Como o próprio movimento do mercado de trabalho, que acompanha o ritmo fraco da economia, a gente deve começar a ver algum efeito da reforma trabalhista mais contundente no ano que vem, quando a gente espera que o ritmo de contratações vai aumentar”.

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