Economia

Após turbulências no mercado externo, BC mantém Selic em 6,5%


Alencar Burti, presidente da ACSP, lamenta a cautela do Copom, mas lembra que a taxa básica de juros se encontra no menor patamar desde o Plano Real


  Por Redação DC 16 de Maio de 2018 às 18:41

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira,16/05, manter os juros básicos da economia brasileira em 6,5% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado, que esperava uma redução da taxa.

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.

Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março, o nível mais baixo até então.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

INCERTEZAS POLÍTICAS

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), disse que houve excesso de cautela do BC.

“Lamentamos o fato de o Banco Central não reduzir a taxa Selic. A atitude cautelosa pode ter sido motivada, entre outros fatores, pelas turbulências no cenário internacional e pelas incertezas futuras do quadro político brasileiro”, disse Burti.

O presidente da ACSP lembrou que a atual taxa básica de juros continua a menor desde a implantação do Plano Real.

“Isso é bom para o Brasil. De qualquer forma, esperamos que o Banco Central, o governo e o Congresso agilizem medidas para repassar as quedas dos juros para as empresas e os consumidores. Entre elas estão a diminuição do recolhimento compulsório dos bancos e a implantação efetiva do cadastro positivo”, disse o presidente da ACSP.

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a manutenção da Selic retardará ainda mais a redução do custo do crédito. "Corremos o risco de ver morrer a retomada da economia, num momento em que o Brasil tenta sair de sua pior crise. O crescimento ainda é muito frágil – e só vai ganhar força se ficarem em nível razoável os juros para quem quer investir e consumir."

CENÁRIO EXTERNO

A decisão de manter a taxa em 6,5% aconteceu após a recente reversão do cenário externo, com a valorização do dólar em relação a diversas moedas de países emergentes - como o Brasil.

A decisão contrariou as expectativas de quase todos os economistas do mercado financeiro.

Na reunião anterior do Copom, o colegiado havia sinalizado um novo corte moderado na Selic para este encontro. No comunicado que acompanhou a decisão desta quarta-feira, no entanto, a instituição afirmou que a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas.

"Para as próximas reuniões, o Comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", acrescentou o Copom.

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2018 de 3,8% para 3,6%.

No caso de 2019, a expectativa foi de 4,1% para 3,9%. As projeções anteriores constaram no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de março. Esse cenário considera a Selic em 6,25% ao fim de 2018 e em 8,0% ao fim de 2019, com câmbio em US$ 3,40 no fim ambos os anos.

Dessa vez, o comunicado do Copom incluiu um novo cenário, com juros constantes em 6,50% e câmbio constante a R$ 3,60 (arredondamento da média dos últimos cinco dias úteis até sexta-feira passada). Nesse cenário as projeções para o IPCA situam-se em torno de 4,0% tanto para 2018 como para 2019.

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