Brasil

País perdeu R$ 1 tri por demora no desenvolvimento do pré-sal


De acordo com a ANP, a produção do pré-sal poderá ser responsável pelo maior acréscimo de oferta de petróleo fora dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, nos próximos anos. Com isso, o Brasil retoma seu espaço na primeira liga do petróleo mundial


  Por Agência Brasil 27 de Outubro de 2017 às 13:57

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), Décio Oddone, anunciou nesta sexta-feira (27/10) que com a demora na realização de leilões para exploração do pré-sal, o país perdeu grande volume de investimentos. Desde que o pré-sal foi descoberto, somente uma área tinha sido licitada até o momento.

"O pré-sal foi descoberto há uma década, e nesse período, só uma área foi licitada, a de Libra. A sociedade brasileira perdeu mais de R$ 1 trilhão, entre investimentos e arrecadação", diz Oddone durante a abertura da segunda rodada de leilão de partilha dos blocos da área. 

"Esse atraso no desenvolvimento do pré-sal foi a maior oportunidade perdida em uma geração. Mas estamos deixando esse tempo para trás".

O leilão estava programado para começar às 9h, mas uma decisão liminar do juiz Ricardo de Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, suspendeu a segunda e terceira rodadas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu, e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) cassou a liminar, liberando a realização das rodadas de licitação do pré-sal. Para o diretor-geral, o Brasil tem mostrado segurança jurídica para os investidores.

Oddone afirma também que os oito blocos ofertados vão transformar São Paulo em um dos principais produtores de petróleo do Brasil, e farão com que o Rio de Janeiro volte a ser a capital brasileira do petróleo e uma das regiões de maior produção do mundo. Os blocos estão localizados nas bacias de Campos (RJ) e Santos (SP).

"A produção do pré-sal poderá ser responsável pelo maior acréscimo de oferta de petróleo fora dos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, nos próximos anos. Com isso, o Brasil retoma seu espaço na primeira liga do petróleo mundial".

LIDERANÇA 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, também discursou na abertura da segunda rodada e destacou que o leilão faz parte do esforço para "reestabelecer a liderança do setor de óleo e gás na construção do Produto Interno Bruto Brasileiro".

Moreira Franco ressaltou a importância do setor para o estado do Rio de Janeiro, que vive uma das maiores crises financeiras, e afirmou que a economia nacional saiu de uma situação de "desesperança e profunda insegurança".

Segundo ele, o caminho seguido pelo governo "vai permitir a recuperação da economia brasileira e com a possibilidade de ter um desenvolvimento sustentável no país, sobretudo pela segurança jurídica, pela clareza nas regras, pela capacidade que todos terão e começam a ter, com a certeza de que há igualdade de oportunidade e concorrência em todos os campos da atividade econômica, sobretudo na relação do setor privado com o setor público".

ROTA MUNDIAL 

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, diz que o leilão dos blocos representa a "reinserção do país na rota mundial da indústria do petróleo e gás".

“É o momento em que o país se encontra dividido e envolvido em questionamentos, mas também momento de esperança. O povo brasileiro saberá dar a volta por cima”.

Ele aposta que o resultado da licitação "será um sucesso que será alardeado pelos quatro cantos do mundo, que em alto e bom som dirá que o Brasil voltou a rota da indústria de óleo e gás no mundo - e tenho certeza de que não mais sairá dela”.

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