Brasil

Dono da Dolly é preso por suspeita de fraude fiscal


Laerte Codonho, que costuma ser o garoto-propaganda de seu próprio refrigerante, é acusado de movimentar irregularmente R$ 4 bilhões


  Por Estadão Conteúdo 10 de Maio de 2018 às 15:45

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A Polícia prendeu nesta quinta-feira, 10/05, o empresário Laerte Codonho, dono da fábrica de refrigerantes Dolly, por suspeita de fraude fiscal continuada e estruturada, sonegação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os investigadores estimam em pelo menos R$ 4 bilhões o volume de fraudes fiscais.

Codonho foi preso em sua residência no município de Cotia, na Grande São Paulo, e removido para o 77º Distrito Policial, no bairro de Santa Cecília, no centro da capital paulista. A Justiça decretou a prisão temporária do empresário.

O Ministério Público, que conduz a investigação por meio do Gedec - braço da Promotoria que combate delitos contra a ordem econômica -, informou que foram confiscados helicópteros supostamente adquiridos pela Dolly com recursos provenientes da fraude.

As fraudes cometidas pelo empresário Codonho ocorrem há pelo menos 20 anos, afirmou o promotor Rodrigo Mansour Silveira, do Gedec.

Segundo o Gedec, que investigou apenas o montante que não foi pago em impostos estaduais, só de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o valor que a Dolly deixou de pagar chega R$ 2,1 bilhões. Somando-se os impostos federais, que não são objeto desta investigação, o valor da dívida pode passar de R$ 4 bilhões.

“Era uma dívida constituída sobretudo por fraudes praticadas ao longo de muitos e muitos anos, que foram evoluindo ao longo do tempo. Iniciaram-se de forma simples, com emissão de notas de valores menores e escrituração irregular. E foram evoluindo para a utilização de várias empresas e simulação de negócios e emissão de notas dentro dessas empresas”, detalhou o promotor.

Silveira disse que, posteriormente, o esquema ficou mais profissional, com um centro de distribuição em que havia manipulação de mercadorias que eram enviadas e remetidas de diversas unidades, com simulação de notas
O promotor explicou que um dos modos de funcionamento do esquema era pela simulação de compra de refrigerantes de distribuidoras para gerar créditos irregulares.

“Eles diziam que quem tem que recolher [impostos] é aquele que produz. Então eles produziam e diziam que tinham comprado de distribuidores que eles constituíam com laranjas. Essa fraude avançou para um sistema mais complexo, com três fábricas que remetiam para esse centro de distribuição [em Diadema, São Paulo] ou que emitiam notas de refrigerante que nem sequer eram produzidos nelas. Toda sorte de fraude que se pode imaginar”, enfatizou Silveira.

“O objetivo é não pagar o imposto, mas criar métodos sofisticados para que imposto não seja pago”, ressaltou o promotor Arthur Lemos Junior, outro integrante do grupo que apurou a fraude.

Segundo Lemos Junior, a investigação ainda não foi encerrada.

O OUTRO LADO

A defesa de Laerte Codonho disse que a prisão do empresário é injusta. Os advogados também disseram que recorrerão da decisão. "Em relação à prisão temporária do empresário Laerte Codonho, detentor da marca Dolly, reforçamos que a prisão é injusta. Laerte Codonho sempre colaborou com as autoridades, e tem certeza que provará sua inocência. A defesa recorrerá da decisão e confia na Justiça", destacou a defesa do empresário.

IMAGEM: Felipe Rao/Estadão Conteúdo