Temu acelera sua estreia no Brasil

A gigante chinesa foi aceita no Programa Remessa Conforme, que oferece isenção do imposto de importação para compras de até US$ 50. Início da operação no Brasil deve acontecer ainda no primeiro semestre

Mariana Missiaggia
21/Mai/2024
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Temu acelera sua estreia no Brasil

Com a promessa de lançar sua operação brasileira até o fim de junho, a varejista chinesa Temu agora faz parte da lista de empresas certificadas no programa Remessa Conforme, do governo federal, que oferece isenção do Imposto de Importação para mercadorias até US$ 50. A adesão ao programa era aguardada desde o fim do ano passado.

Após publicação feita na última segunda-feira (20) em ato declaratório no Diário Oficial da União (DOU), a Temu, do grupo Pinduoduo, divulgou em seu site que a plataforma estará disponível no Brasil “em breve” e que suas operações já estão adequadas à legislação brasileira.

A certificação se refere exclusivamente às vendas efetuadas por meio do endereço eletrônico. A Temu oferece um amplo sortimento de produtos, com mais de 30 grandes categorias, incluindo pets, vestuário, brinquedos, casa e eletrônicos.

Embora seja sempre comparada à Shein, reconhecida como uma plataforma de moda e que produz seus próprios itens, os negócios da Temu são mais compatíveis com a proposta da Amazon e Shopee, que operam dentro de um modelo terceirizado.

Sem uma data exata para iniciar suas operações no Brasil, o que se sabe até agora é que a transportadora responsável pela entrega dos produtos vendidos pela Temu será a J&T Express - a mesma que já opera com a Shopee.

GAMIFICAÇÃO

Sandro Magaldi, consultor de varejo, acredita que a guerra por preços baixos não será a principal marca da varejista, mas sim, sua estratégia de gamificação, com o uso de ferramentas que fazem do comprador um participante ativo no seu aplicativo.

Magaldi explica que, ainda que outras plataformas, como o TikTok e a Shopee, também empreguem elementos de gamificação, a abordagem da Temu é conhecida por sua intensidade.

Em média, os usuários passam 22 minutos por dia no aplicativo da Temu, em comparação com os 12 minutos da Shein. Isso demonstra que abordagens mais apelativas realmente geram resultados expressivos.

Essa estratégia de gamificação tem se mostrado altamente eficaz, resultando em uma taxa de engajamento alta. Isso porque, ao comprar na plataforma, é possível conquistar benefícios, ganhar moedas e acumular créditos por meio de tarefas e jogos, possibilitando descontos e até mesmo a aquisição de produtos gratuitamente.

Além disso, a Temu usa muita inteligência artificial para conectar empresas de atacado diretamente com os consumidores finais, eliminando intermediários em seus processos.  

O INTERESSE PELO BRASIL

Há pouco mais de um ano, executivos da Temu estiveram no Brasil levantando dados sobre o e-commerce e o comportamento do consumidor. Entre as informações que interessavam aos chineses estavam o potencial de crescimento das compras on-line e como a concorrência se estabeleceu no país.

Os números do e-commerce brasileiro em 2023 mostram que as vendas totais atingiram a marca de R$ 185,7 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Foram cerca de 395,11 milhões de pedidos e tíquete médio de R$ 470 por cliente. O valor pode parecer ínfimo se comparado aos US$ 1,2 trilhão que os chineses movimentaram. Mas o que chama atenção é que o crescimento médio das compras on-line tem sido de 30% ao ano no Brasil.

Em seu primeiro ano de vida (2022), a Temu atingiu um valor de vendas de US$ 2,3 bilhões. A Temu pertence à Pinduoduo (PDD Holdings), uma gigante do ramo de tecnologia que vale mais de US$ 100 bilhões na Nasdaq e opera plataformas de comércio eletrônico desde 2015.

Seu fundador é Colin Huang, ex-executivo do Google China, que se tornou o terceiro homem mais rico da China desde que criou a Pinduoduo - aplicativo que permite que as pessoas façam compras em grupo, conseguindo descontos elevados com essa escala.

 

IMAGEM: Temu/redes sociais

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