Saúde física, intelectual e econômica são necessárias, já!

Receber, sem nada produzir, é o atual grande diferencial e privilégio concedido para o funcionalismo público

Charles Holland
18/Mai/2020
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Até recentemente tínhamos mais de 100 milhões de indivíduos no Brasil recolhidos em suas residências. As atividades de serviços, comércios e indústrias estão voltando gradativamente a níveis mais satisfatórios com os devidos cuidados para a saúde física. Todavia, a saúde intelectual e a econômica estão cada vez piores no Brasil, conforme relato a seguir. 

O Brasil gasta anualmente em educação pública 6% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Esse valor é superior à média dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%.

Com base no PIB oficial de 2019, de R$ 7,3 trilhões, o Brasil gasta R$ 438 bilhões anuais em educação. Pasmem, muitas das Faculdades das Universidades federais e estaduais estão em recesso desde o início da pandemia. Idem, deprimente, nas escolas públicas. Antes da pandemia, o Brasil já estava nas últimas posições em avaliações internacionais de desempenho. Imagine agora!

Todos os funcionários públicos têm regalias e privilégios diferenciados. Os seus salários não podem ser reduzidos, como os do setor privado. Nem podem ser desligados. Desta forma, poucos se sentiram coagidos a migrar para a educação a distância. A maioria das escolas e faculdades particulares optaram pela educação a distância, para assegurar continuação de remuneração e das aulas. Educação é essencial para o desenvolvimento do Brasil. O desperdício de gastos pelos governos decorrentes da interrupção da educação é crime. 

Entre as entidades exemplares, incluo o Camp Pinheiros, escola profissionalizante onde presto serviços profissionais pro bono como Diretor de Desenvolvimento Profissional e de Treinamento.

No campo intelectual os efeitos da suspensão e/ou redução significativa de ensino nas escolas e faculdades públicas também foram igualmente devastadores. Os jovens, em vez de estarem crescendo, estão regredindo intelectualmente. É dinheiro do setor privado arrecadado via impostos para educação pública, indo mensalmente para o lixo.

Na economia, sabemos que a ‘paradeira’ geral em todo o Brasil já levou mais de 1 milhão de empresas para a UTI ou morte, e 10 milhões de indivíduos para o desemprego, que continua aumentando diariamente. 

Ninguém fora do Brasil menospreza o distanciamento social, necessidade de máscaras e cuidados apropriados. Por quê?

Problemas e a atual maxi-crise econômica e intelectual no Brasil exigem a volta de questionamentos necessários sobre contrastes de direitos da sociedade do setor privado, que banca todas as contas do setor público, com os direitos e privilégios dos funcionários públicos e dos políticos eleitos. 

Receber, sem nada produzir, é o atual grande diferencial e privilégio concedido para o funcionalismo público e políticos. Como estão usufruindo de privilégios permanentes de emprego, renda e de estabilidade, todos assegurados e mantidos por leis, os mesmos parecem insensíveis à crise econômica no Brasil.

Agora, nem precisam perder tempo se locomovendo diariamente. Muitos, na ‘paradeira’, continuam a recebendo vales-refeições, ajudas para o transporte etc. Políticos em cargos chaves continuam ganhando até ajuda de custo paletó, moradia, viagem, segurança etc.

Os funcionários públicos, que deveriam ser nossos ‘servidores’ e nossos ‘políticos eleitos’, não querem nem pensam em reduzir salários, privilégios e mordomias nas elites destas classes.

Nós, do setor privado, que bancamos todas as contas deles, estamos sofrendo redução de salário e de renda. Muitos do setor privado já foram ou estão na fila para serem despedidos. Segundo se noticia, há hoje mais de 40 milhões de brasileiros desempregados e sem renda.

Para entender a razão dos privilégios dos políticos e funcionários públicos no Brasil, convido para lerem a literatura clássica “Oliver Twist”, de autoria de Charles Dickens, que aponta privilégios apropriados da diretoria de um orfanato, em detrimento de seus ocupantes, já depauperados... ajuda a entender melhor como muitos na nossa classe política e de dirigentes públicos pensam e agem. Infelizmente, com o consentimento ou tolerância da sociedade.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 

 

 

 

 

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