Santander levanta dúvidas sobre a sustentabilidade das cotas e dos impostos da China no médio prazo

São Paulo, 14 de janeiro de 2026 – O Santander acredita que a estrutura de cotas da China parecedifícil de conciliar com a oferta interna de gado estruturalmente mais restrita e com a crescentedependência das importações de carne bovina, disse o banco, em relatório. O banco levantadúvidas sobre a sustentabilidade das cotas e dos impostos da China no médio prazo.
“O recente anúncio da China sobre novas cotas de importação de carne bovina é difícil deconciliar. Nos últimos 15 anos, o país tem aumentado sua dependência de importações paraatender à crescente demanda interna. Olhando para o futuro, a esperada liquidação do rebanho podelevar a uma produção ainda menor e a uma maior dependência das importações, levantando dúvidassobre a sustentabilidade das cotas e dos impostos adicionais no médio prazo. Embora as cotas e aincerteza sobre como os volumes serão alocados representem riscos para empresas como a Minerva,continuamos a ver a América do Sul e a Austrália como as únicas regiões com volumes suficientespara abastecer o mercado chinês”, comentam os analistas do Santander.
De acordo com a análise, o consumo de carne bovina na China aumentou consideravelmente na últimadécada, impulsionando um forte aumento nas importações e posicionando o país entre os maioresimportadores globais de carne bovina. Mesmo assim, a carne bovina continua sendo a proteínaprincipal menos consumida na China, com um mercado 5 vezes menor que o da carne suína, o que indicaamplo espaço para maior penetração ao longo do tempo. Do lado da oferta, o rebanho bovino daChina vem diminuindo, impulsionado pelo elevado abate de vacas. Esse cenário aponta para uma ofertainterna estruturalmente mais restrita e maior dependência de importações para equilibrar a ofertae a demanda, avalia o Santander.
“A América do Sul é um mercado altamente competitivo para o fornecimento de carne bovina em nívelglobal. Em janeiro, o preço do gado no Brasil era de US$ 4/kg, enquanto na Austrália e nos EUAchegava perto de US$ 5/kg. Isso se compara ao preço médio de importação da China de US$ 5,5/kg eaos preços médios de atacado de US$ 9/kg. Mesmo após a imposição de tarifas para importaçõesacima das cotas, isso indica que a China pode precisar continuar importando carne bovina, mesmodepois que os volumes se estabilizarem”, pontuam os analistas.
O relatório também cita que a dinâmica do mercado de carne suína continua favorável para osfrigoríficos, mas fraca para os produtores, enquanto a fragilidade do comércio de frango foiexacerbada pela suspensão temporária das exportações brasileiras para a China.
Em relação às importações de frango da China, a análise destaca que elas diminuíram em 2025,amplificada pela suspensão temporária das exportações brasileiras para o país asiático,principalmente de cortes como asas e patas, dos quais o Brasil é um fornecedor importante para omercado chinês. “No Brasil, a falta de exportações para a China representou um desafio para todasas empresas, visto que a China importa garras para pratos tradicionais, que não são consumidas emoutros países na mesma proporção ou pelo mesmo preço. Embora o frango não seja uma proteínaprimária no país, é um produto importante para o comércio, pois complementa outros mercados.”
Cynara Escobar – [email protected] (Safras News)
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