Saiba por que o Magalu aposta em aluguel e compra coletiva de produtos

Vinícius Porto, diretor de experiência do cliente da varejista, fala sobre seus novos serviços, como o Vaivolta, que permite que itens possam ser locados por até um mês

Mariana Missiaggia
15/Ago/2022
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Saiba por que o Magalu aposta em aluguel e compra coletiva de produtos

Qual é o futuro da moradia e do consumo no Brasil? Foi buscando respostas para essas perguntas que o Magalu começou a testar um novo modelo de negócio. Lançado em maio deste ano, o Vaivolta, serviço de assinatura da companhia, permite aos usuários alugar itens do cotidiano, como eletrodomésticos e ferramentas, em vez de vendê-los.

Pouco antes disso, o ecossistema investiu em mais uma digitalização e lançou o Compra Junto - um aplicativo para divulgar ofertas que os consumidores podem compartilhar com sua rede de contatos para ganhar descontos coletivos.

O objetivo é que esses clientes formem grupos e compartilhem links das ofertas de seu interesse. Cada grupo precisa ter um determinado número de pessoas para garantir que todos aproveitem os descontos de até 55% oferecidos pela empresa.

Esses formatos já são usados por outros ecossistemas, como o Alibaba, mas no Brasil ainda são pouco comuns. Como um dos principais varejistas do Brasil, o Magalu vem servindo de inspiração para muitas empresas brasileiras rumo à transformação digital.

Com ações pioneiras entre as plataformas de marketplace, a companhia de Luiza Helena Trajano abriu caminhos para novas frentes de negócios e numa tentativa de juntar a operação física com a on-line se tornou exemplo de disrupção digital.

Atualmente, o ecossistema do Magalu compreende 1,4 mil lojas físicas, 65 milhões de SKUs, 160 mil vendedores no marketplace e 45 milhões de usuários no aplicativo. Com receita bruta superior a R$ 40 bilhões em 2021, a companhia trabalha agora para entender e solucionar os problemas do cenário atual.

Segundo Vinícius Porto, diretor de experiência do cliente do Magalu, os consumidores demonstram uma forte preferência pelo sustentável, pela economia circular e compartilhada - e é para essa direção que o Magalu caminha.

"As pessoas não compram uma furadeira. Elas compram um furo na parede para pendurar um quadro. Queremos vender esse furo", disse Vinícius Porto, diretor de experiência do cliente da Magalu, durante o evento on-line WebSummit 2022.

Embora tenha desafios complexos relacionados à distribuição, estoque e logística reversa, o Vaivolta tem muito a seu favor. A malha de quase 1,5 mil lojas da companhia, que podem funcionar como pequenos centros de distribuição desses produtos a serem alugados, e as milhares de assistências técnicas parceiras, que darão apoio na manutenção e troca de peças dos aparelhos são alguns exemplos.

Ainda assim, o projeto funciona em modelo de teste e apenas para a cidade de São Paulo, e segundo o executivo, passará por um processo de amadurecimento até dezembro deste ano, quando será reavaliado para ser ampliado. "Vamos aprender pequeno para acertar grande", diz Porto.

Nas palavras de Porto, o modelo está amparado em três tendências principais detectadas pelo setor de P&D (pesquisa e desenvolvimento) do Magalu, composto por dois times antenados a médio (12 a 24 meses) e longo (24 meses para frente) prazos.

A primeira delas está relacionada ao consumo e economia compartilhada. Segundo projeção da auditoria e consultoria PwC, o segmento vai movimentar U$ 335 bilhões em todo o mundo em 2025.

Para o consumidor, as vantagens de alugar em relação a comprar são, em sua maioria, os preços atrativos, a redução de desperdício e o combate ao consumo excessivo.

A outra tendência está ligada ao exercício de experimentar primeiro para depois comprar e a terceira se espelha no conceito de coliving - de moradias menores, muitas vezes compartilhada entre pessoas que buscam senso de comunidade, economia e um estilo de vida sustentável.

"Há um movimento para moradias cada vez menores em grandes centros urbanos. Não há muito espaço para guardar coisas."

Porto recorda que o processo de transformação das lojas físicas começou há cerca de uma década e ainda tem muito a evoluir. Ações como comprar on-line e retirar na loja, frete grátis e receber no mesmo dia da compra facilitaram a jornada do cliente e modificaram a lógica do varejo. Na opinião do diretor do Magalu, isso é só o começo.

 

IMAGEM: Magalu/divulgação