Representante da São Paulo que nunca dorme, bar Estadão teve de fechar

Aberto 24 horas há meio século, o bar Estadão já vivenciou ataques do PCC, planos econômicos desastrosos e outras crises sem baixar as portas. Com a pandemia de coronavírus, não teve jeito

Renato Carbonari Ibelli
27/Mar/2020
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Um dos símbolos da São Paulo boêmia, o bar Estadão fechou as portas pela primeira vez em mais de 50 anos. A quarentena imposta em decorrência da pandemia de coronavírus interrompeu a rotina de atendimentos 24 horas do estabelecimento, que funciona desde 1968 na esquina do viaduto Nove de Julho com a Major Quedinho, no centro da capital paulista.

Nem mesmo em 2006, durante a onda de atentados na cidade desencadeada por ordem do PCC, o bar deixou de atender os clientes madrugada adentro. Agora não teve jeito.

Por determinação do governo estadual, às 22 horas da última segunda-feira, 23/03, o último lanche de pernil foi servido antes dos cadeados serem passados em todas as entradas.

Só mesmo um evento de dimensão global para esfriar a chapa do Estadão. “Passamos por várias crises econômicas, confisco de poupança, gripe suína, aviária, sem nunca fechar. Mas agora veio a ordem, vamos cumprir”, diz Cícero Tiezzi, gerente do bar.

A pausa inesperada nas operações causou um problema adicional: o que fazer com tanta comida estocada? Em tempos sem coronavírus, o balcão do Estadão estaria lotado por gente se acotovelando a hora que fosse. Em média são assadas 35 peças de pernil de 8 quilos por dia, cada uma suficiente para montar uns 50 lanches.

“É tudo perecível, se a quarentena se alongar, vamos perder”, lamenta Cícero. Ele diz que o delivery não é uma opção. “Não tem a nossa cara. Nosso diferencia é o lanche feito na hora, perderíamos isso com a entrega.”

Quem é cliente do bar entende o que o gerente disse. E sabe também que os rostos que preparam cada lanche atrás do balcão são os mesmos há anos. A rotatividade de funcionários do Estadão é baixa. Tem atendente com mais de 35 anos de casa.

Não dá para perder esse pessoal para a crise, afirma Cícero. “Em março vamos ver o que fazer para pagar os salários, mesmo com eles parados. Mas esperamos alguma medida de ajuda do governo e do sindicato da nossa categoria.”

A cidade que nunca para, da noite para o dia, virou um deserto de gente. O bar Estadão, assim como outras tantas engrenagens que faziam São Paulo funcionar 24 horas, interromperam o movimento.

Cícero lembra que o pós-crise também será um período difícil para o comércio, que precisará ser observado com ainda mais atenção pelo poder público. “Muitas pessoas vão ficar sem emprego, a renda irá diminuir. Não me iludo achando que vou abrir a porta no fim de tudo isso e os clientes irão fazer fila.”

Por quanto tempo tudo ficará em suspenso, não se sabe. Por enquanto, só há incertezas quanto ao futuro. O tempo trará as respostas.  

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