Pharbox, a startup que pretende acelerar o setor farmacêutico

A proposta é fazer da entrega de medicamentos o que o iFood fez com bares e restaurantes. Segundo Silvio de Azevedo (foto), CEO da empresa, é possível viabilizar o delivery de remédios em até 25 minutos para qualquer lugar do Brasil

Mariana Missiaggia
23/Jun/2023
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Pharbox, a startup que pretende acelerar o setor farmacêutico

"Comida não pode chegar mais rápido do que remédio". A frase é de Silvio de Azevedo Pereira Junior, CEO da Pharbox, empresa que se inspira no iFood para potencializar o delivery de medicamentos. A expectativa do empresário é garantir entregas em até 25 minutos.

Nos últimos anos, muitos negócios foram transformados (e preservados) por seu formato de entrega. Restaurantes e supermercados foram os primeiros a se adaptar, alcançando prazos cada vez menores. Mas, segundo Pereira Junior, o setor farmacêutico ainda não atingiu todo o potencial e as expectativas do novo consumidor, que busca comodidade e urgência.

O fundador da Pharbox enxerga problemas nesse mercado que, segundo ele, só serão solucionados com a digitalização das operações, fretes reduzidos e entregas que demorem menos de 25 minutos.

Diferentemente das opções alimentares - em que uma refeição chega em 20 minutos -, a média atual dos grandes players do mercado brasileiro de medicamentos é de entrega em até quatro horas ou só no dia seguinte.

São muitos os motivos para esse cenário. Entre eles está o fato de a maior parte dos aplicativos de delivery não atenderem aos regulamentos da Anvisa. Por isso, há uma limitação no catálogo de medicamentos que podem ser vendidos.

Mas Pereira Junior prefere lidar com as soluções. A partir da utilização de hubs e lojas autônomas, a Pharbox consegue armazenar e distribuir remédios a qualquer hora do dia. Contêineres de 25 metros quadrados servem como dark pharmacies (dark stores farmacêuticas) com mais de 15 mil itens de estoque para farmácias e os hubs são pontos onde o cliente retira os produtos enviados no local mais próximo dele em até 25 minutos.

Commodities farmacêuticas, os produtos disponibilizados nos hubs incluem comprimidos para dor de cabeça, febre e indigestão, que em 2021 representaram um terço das vendas das farmácias, em um montante de R$ 20 bilhões.

Há mais de 20 anos no mercado farmacêutico, Pereira Junior argumenta que nenhuma grande rede do setor ainda possui solução logística para o delivery. Mas o empresário acredita ter encontrado uma alternativa. O diferencial da Pharbox, segundo ele, é que sua empresa é composta por aplicativos para consumidor, gerenciamento de entregadores e lojas autônomas, além de um software para integração dos apps.

Sua operação ainda se restringe à capital paulista e alguns pontos do nordeste. O transporte é feito por entregadores cadastrados na plataforma, que hoje são cerca de 80 mil em todo o Brasil, mas o objetivo é reunir 200 mil até o final de 2023.

Para transportar os medicamentos de forma segura, os entregadores usam embalagem dentro do padrão sanitário, além de mochilas próprias para os motoristas que trabalharem exclusivamente com eles.

Além de um aplicativo próprio da Pharbox, os hubs permitem que redes de farmácias comercializem e entreguem, por meio de seus próprios aplicativos e e-commerces. Mas nesses casos, os produtos e as entregas são da startup, que recebe comissões sobre os valores transacionados.

Há também a possibilidade de as redes que não dispõem de equipes próprias de entrega, ou que não contam com parcerias logísticas, comercializarem seus próprios produtos utilizando o sistema de entrega da Pharbox, garantindo assim, segundo a proposta da empresa, a entrega ao consumidor em até 25 minutos.

OUTRAS POSSIBILIDADES

Outra frente da Pharbox é a farmácia autônoma. Pensada para hospitais, estacionamentos, redes de laboratórios, condomínios residenciais e empresariais, a loja de autoatendimento é a primeira do tipo nesse setor no país. A escolha dos produtos e o pagamento são feitos pelo aplicativo da empresa.

Inicialmente, está em operação uma farmácia autônoma no bairro do Morumbi, em São Paulo. O plano de expansão do modelo prevê a abertura de lojas autônomas franqueadas em todo o Brasil. O investimento inicial está em torno de R$ 150 mil.

Pensando em ampliar as inovações deste mercado, o empresário também projeta para o futuro a entrega fracionada de remédios. Ou seja, a unitarização - uma prática praticamente desconhecida pelos brasileiros, mas já regulamentada.

Nas palavras de Pereira Junior, há equipamentos com capacidade para unitarizar até 16 milhões de comprimidos por dia, o que baixaria significamente o custo de aquisição.

Nesse sentido, o empresário também planeja um programa de assinatura. A partir desse agendamento, clientes diabéticos, por exemplo, teriam 40% de desconto nos medicamentos que compram mensalmente. Sua expectativa é que esse sistema vai atender um grande volume de medicamentos, gerando previsibilidade de entregas, o que é bom para o negócio e para os entregadores, que já vão começar o dia com rotas pré-agendadas.

Com 60 funcionários, hoje a operação da Pharbox conta com quatro hubs de entrega que cobrem 80% da cidade de São Paulo. Há também uma operação na região metropolitana de Manaus e outras 11 capitais em processo de adaptação.

A expectativa é de que, em um ano, a Pharbox esteja nas 27 capitais brasileiras e absorva até 15% do varejo físico, além de crescer como opção de entrega nas redes farmacêuticas e aumentar o número de dark stores próprias de remédios.

Outro fato que deve acelerar a operação da empresa é a recente parceria estratégica com a Microsoft. A startup foi uma das empresas selecionadas para participar do Microsoft for Startups Founders Hub, programa oferecido pela Microsoft com o objetivo de auxiliar startups e fornecer aos seus fundadores recursos que ajudem a construir uma jornada de crescimento.

Por meio do programa, a startup terá créditos do Microsoft Azure, que podem ser utilizados em produtos e serviços de nuvem, softwares e suporte técnico da Microsoft com benefícios de até US$ 150 mil em créditos. Além disso, as empresas têm acesso a um amplo ecossistema de parceiros e investidores.

 

IMAGEM: Pharbox/divulgação