Para manter a expansão, franquias adotam novos modelos

De olho na concorrência acirrada, redes como Amor aos Pedaços (foto) e Olha o Churros! apostam em formatos diferentes e novas marcas para atrair franqueados e, claro, mais clientes

Karina Lignelli
21/Fev/2018
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Para manter a expansão, franquias adotam novos modelos

Um quiosque com 100% do mix de uma loja tradicional – com guloseimas famosas, do tipo brigadeiro de colher, bolo mousse, “bicho de pé”, e que tem até um Festival do Morango.

Eis aí um formato que possibilita também oferecer churros premium de fabricação própria o ano todo, e ainda driblar a sazonalidade com os populares “geladinhos”, que também levam recheio.

Lançar novos formatos para chegar a locais que não comportam uma loja convencional, ou criar uma nova marca para suprir a sazonalidade de outra a preços mais acessíveis.   

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A adaptação do modelo de negócio foi o modo que redes de franquias como Amor aos Pedaços e Olha o Churros! encontraram para seguirem atrativas, em tempos em que o mercado tende a ser cada vez mais enxuto. Em especial para os franqueados e consumidores.  

Tradicional rede de docerias, a Amor aos Pedaços que opera há 36 anos com lojas no modelo clássico, desenvolveu, três anos atrás, a estratégia de fomentar a expansão por meio quiosques. À época, além da crise econômica, a rede negociava a dissolução da sociedade com o fundo Bozano Investimentos.

Nesse novo modelo, que ocupa um espaço de 20 m2, o investimento para o pequeno empreendedor cai para R$ 200 mil (inclui taxa de franquia), ante os R$ 350 mil necessários para uma loja tradicional (36m2 em shoppings e 70m2 em lojas de rua). 

“Os produtos saem da fábrica de Cotia e são montados no ponto de venda. Ou seja, é uma  cozinha que funciona com a mesma operação da loja”, afirma Julio Valeriano, gerente comercial e de expansão da Amor aos Pedaços.  

A diversificação de modelos e formatos está por toda parte, mas o franchising permite fazer isso com mais facilidade, diz Cláudia Bittencourt, diretora geral do Grupo Bittencourt.

E isso se justifica ainda mais com a Amor aos Pedaços que, segundo a especialista, passou a sofrer concorrência de redes de bolo, que vieram para ficar.

“É uma marca com grandes chances de desempenhar velozmente, mesmo com um empreendedor com menos capital”, diz a especialista. “Mas, para aumentar a participação no mercado é necessário inovar, e criar novos formatos é um caminho.”

Hoje, a rede tem mais de 50 lojas, mas a ideia inicial, de acelerar o processo de expansão pelo país em um momento financeiro mais complicado com formatos menores acabou se consolidando.

Atualmente, há três unidades sob o novo formato localizados nos shoppings Pátio Paulista, Higienópolis e Iguatemi, uma no Iguatemi Campinas e outra no aeroporto de Brasília.

QUIOSQUES CONTAM COM 100% DO MIX DA LOJA

A diferença entre os quiosques e a loja tradicional diz respeito somente ao volume de investimento, já que o potencial de faturamento é o mesmo.

Exemplo disso é a unidade Pátio Paulista, que fica no caminho da praça de alimentação e vende mais que uma loja tradicional da marca em shoppings, de acordo com Valeriano.

“O que determina é a localização do ponto, do que o shopping disponibiliza como espaço”, afirma ele.

Como a Amor aos Pedaços tem conseguido posicionar quiosques em locais privilegiados, o modelo, segundo afirma, foi bem-sucedido. 

"Além de chegar em cidades menores ou locais onde não há mais espaço para lojas, como aconteceu em Campinas, a ideia é levá-los também para prédios comerciais. 

Para 2018, a meta é abrir mais 15 pontos de venda, metade deles com o novo formato. “É assim que conseguiremos manter o crescimento médio de 15% e 20%”, afirma o gerente. Em 2017, a rede Amor aos Pedaços faturou R$ 55 milhões. 

Há seis meses, a rede de docerias passou a oferecer quatro linhas de bolos congelados em redes de supermercados – uma forma de atrair mais franqueados, segundo Valeriano.

“Além de fidelizar mais a marca, o produto na gôndola ajuda a entrar em locais onde ela ainda não está”, acredita.

"DOUBLE BRAND BUSINESS”

Em vez de virar mais uma cafeteria, a ideia foi criar uma nova marca – a ôQualé - e oferecer duas operações em uma só. Essa foi a solução que três amigos de infância - Gabriel Rodero, Victor Kanashiro e Rafael Zanetti –encontraram para continuar a expandir sua rede de franquias, a Olha o Churros!

A rede, que nasceu em 2014 com o modelo de venda de churros premium em quiosques ou carrinhos em shoppings, teve que encontrar um jeito de driblar as limitações durante a crise que se intensificou em 2015 e 2016: a queda de 30% no fluxo de pessoas, um consumidor menos disposto a gastar e um produto com vendas concentradas nos meses mais frios do ano.

Após quebrarem a cabeça para reverter a situação, os sócios vislumbraram que a solução seria criar uma nova marca e diversificar esse tipo de consumo por impulso para comer na hora, conta Rodero, o responsável pela expansão da rede.

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Assim surgiu a ôQualé, marca de geladinhos que podem ser recheados na hora, e a um preço mais acessível ao consumidor final (R$ 2,50, ante R$ 9 dos churros).

“Nosso franqueado teria dificuldade de operar algo mais complexo, como uma cafeteria”, afirma Rodero, lembrando o movimento cada vez mais comum em redes de franquias monoprodutos (caso da Mr.Cheney Cookies, e da Havana, de alfajores). 

Daí chegaram à essa solução, que não depende de um especialista, nem perde a característica de produto mais simples.

Com esse novo modelo, chamado pelos sócios de “Double brand business”, o franqueado tem duas frentes de atendimento no mesmo ponto: de um lado, a Olha o Churros!, de outro, a ôQualé. E com mais um diferencial: o mesmo equipamento que recheia os churros, também recheia os geladinhos. 

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O negócio com duas marcas antagônicas, de acordo com Rodero, combate também a crise de sazonalidade: o tíquete médio mais baixo do verão atende quem tem menos dinheiro no bolso, e o mais alto ajuda a suportar os alugueis mais caros mesmo em tempos de varejo fragilizado.

Para a atender à nova operação, a rede investiu R$ 500 mil em sua fábrica, que fica em Americana (SP).

Encaixado na categoria de microfranquias, em que o investimento inicial é de R$ 90 mil (mais capital de giro), o novo modelo da Olha o Churros promete aumentar o faturamento sem maiores custos para os franqueados já ativos que optarem por ele. Hoje, há 32 unidades em todo o Brasil.

ôQUALÉ: DUAS MARCAS, UM SÓ NEGÓCIO

“O bom é que não é preciso aumentar nem o aluguel nem metragem da loja, só contratar mais um funcionário”, afirma Rodero. Segundo afirma, três meses após a implantação da nova marca nas lojas-piloto dos shoppings Eldorado e Iguatemi Campinas, o faturamento subiu 35%.

A rede, que surgiu após Gabriel Rodero reparar na fila imensa para comprar mini-churros em uma feira de franquias e, na sequência, ler uma reportagem informando que a guloseima estava “sumindo do mercado”, pretende chegar a 42 franquias este ano. As próximas, já com o novo layout.

“Nossa receita é de aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano e projetamos para 2018 um aumento de 10% no faturamento.”

A mudança de perfil do consumidor trouxe fortes impactos no negócio do varejo, segundo Cláudia Bittencourt. Neste sentido, criar uma nova marca, como fez a Olha o Churros!, não só é uma forma de agregar mais experiência no ponto de venda, como também de gerar mais oportunidade de ganhos.

“Produtos que se complementam e se mostram sinérgicos fazem todo o sentido de serem trabalhados em conjunto”, afirma. Ainda mais no caso dos churros e geladinhos, em que os efeitos da sazonalidade de um amenizam a comercialização do outro, afirma a especialista.

Quanto ao custo quase zero de implantação de uma nova marca, tudo depende da estratégia da franqueadora: se ela absorver custos como taxa de franquia, novos equipamentos, troca de layout, eles podem ser minimizados. Mas ainda há o treinamento de uma nova equipe, se houver, ampliação de estoque...

“Invariavelmente sim, representa um aumento de custos”, diz Cláudia. “Mas não se pode esquecer do objetivo final, que é gerar uma nova fonte de receitas.” 

FOTOS: Amor aos Pedaços/Divulgação/Lilian Alves/ôQualé

 

 

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