Os novos Zeppelins vão cruzar os céus do Brasil

A brasileira Airship, empresa do grupo Bertolini, um dos maiores do ramo de transporte, promoveu o voo inaugural do primeiro dirigível tripulado fabricado na América Latina para transportar cargas

Estadão Conteúdo
25/Jul/2017
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Os novos Zeppelins vão cruzar os céus do Brasil

Dirigíveis parecidos com o famoso Zeppelin vão voltar aos céus de várias regiões do País, desta vez transportando cargas como celulares, pás eólicas e torres de energia.

A brasileira Airship, empresa do grupo Bertolini, um dos maiores do ramo de transporte, fez na segunda-feira (24/07), em São Carlos (SP), o voo inaugural do primeiro dirigível tripulado fabricado na América Latina.

Ainda um protótipo, o ADB 3-X01, como é chamado o balão de 50 metros, foi concebido para transportar seis pessoas e cargas de até 1,5 tonelada. Em um ano, a empresa pretende lançar uma versão comercial, que terá a capacidade ampliada para carregar 3 toneladas.

Em meados de 2019, será a vez do ADB-3-30, que terá 120 metros e poderá carregar até 30 toneladas - como comparação, o Boeing 747-8 mede 76 metros. Pelo menos cinco empresas privadas e duas estatais já estão negociando a compra ou locação das aeronaves, diz Paulo Caleffi, presidente da Airship.

Já há carta de intenção de parceria com a estatal Eletronorte, que entregou à Airship mais de R$ 3 milhões para apoiar o desenvolvimento de um dirigível para inspeção de linhas de alta tensão em locais de difícil acesso, como montanhas e florestas. Os Correios também pretendem utilizar as aeronaves para entregar encomendas.

Caleffi não revela nomes das empresas privadas interessadas no projeto, mas adianta o uso que elas pretendem dar ao dirigível, como retirada de madeira degradada das florestas, transporte e instalação de pás eólicas e transporte de produtos de tecnologia produzidos na Zona Franca de Manaus.

As Forças Armadas também poderão adaptar os dirigíveis para patrulhamento em fronteiras, por exemplo. O grupo não descarta usá-los em turismo e ações de marketing - a exemplo do que fez a Goodyear entre 1998 e 2006, quando seu blimp sobrevoava a capital paulista.

"Mas o maior objetivo é o transporte de cargas, principalmente na Região Amazônica, que carece de estradas", diz Irani Bertolini, dono do Grupo Bertolini. A empresa, com sede em Manaus (AM), atua na área de transporte rodoviário de soja e milho com mais de 2 mil caminhões e no fluvial com cerca de 230 balsas.

O grupo também tem um estaleiro e uma fábrica de semirreboques, entre outros negócios, e emprega cerca de 5 mil funcionários.

TRAJETÓRIA

Resultado de um projeto que começou a ser desenvolvido há 12 anos, a Airship inicialmente tinha a empreiteira Engevix como sócia. A empresa vendeu sua fatia de 50% aos Bertolinis em 2016, após ser envolvida na Operação Lava Jato.

O desenvolvimento do dirigível consumiu R$ 150 milhões, segundo Bertolini, sendo parte financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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O executivo não informa os investimentos nos próximos passos do projeto. Segundo Caleffi, o grupo tem 71 fornecedores brasileiros, mas boa parte dos componentes ainda será importada.

Agora o grupo aguarda homologação dos dirigíveis que serão comercializados pela Agência Nacional de Aviação (Anac), o que deve ocorrer em um ano. O protótipo será utilizado na escola de pilotos de dirigíveis criada pela empresa.

A Airship adquiriu tecnologia de empresas americanas para desenvolver o dirigível brasileiro. "Compramos e aperfeiçoamos, por isso há empresas do Canadá e do Alaska (EUA) querendo fazer parcerias conosco", diz Paulo Caleffi.

O grupo ainda não definiu preços de comercialização das aeronaves, mas, segundo o executivo, a de maior porte será produzida a um custo de US$ 20 milhões - o que ele diz ser metade do valor gasto do exterior.

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Já o dirigível de menor porte tem custo estimado de produção de US$ 12 milhões. O Brasil será o quinto País a produzir dirigíveis tripulados, após EUA, Alemanha, Inglaterra e China.

FOTO: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

 

 

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